sábado, 23 de novembro de 2013

O POVO

O POVO
Os líderes se protegem tramando a portas fechadas, cercados por tecnologias de inteligência de última geração, e cientes ou não dos espiões da população, vão traçando seus projetos de acordo com seus próprios interesses calculistas. Os povos que um dia foram de muitos reis e presidentes, só que agora são presidido por apenas cinco lideres, e estes tendo por "cabeça" o maior e mais rico de todos.Só estes líderes sabem  que, serão poucos a "embarcar" para o novo mundo, mas até lá, muito dinheiro e riqueza ainda podem acumular levando-os a uma situação bastante privilegiada.
E na calada da noite a informação desliza feito sombra, e pequenos grupos de uma resistência antiga e secreta saem as ruas para ajudar os mais doentes e levar um pouco de pão e remédio para aqueles menos desamparados. São homens e mulheres anônimos, unidos na causa humana.
E quando amanhece, as ruas são tomadas por uma gente furiosa, e agora só resta matar. Matar a fome, matar a sede, libertar a raiva desta vida sem sentido, que os leva ao desespero. Não há mais sol e nem flor, nem alimento e nem amor. A semente morreu e a terra apodreceu, a fumaça sufoca, o governo não ajuda, e as pessoas tornaram-se animais ferozes, lutando pela sobrevivência. Mas enquanto há os  revoltosos, há também  os que desistiram, por falta de força, e o que lhes sobra é rastejar enquanto ainda respiram.
Nas redes de comunicações espalhadas pela cidade, algum  líder se manifesta:
-É preciso calma, pois a ajuda humanitária vai chegar. Rezem, meditem e não percam a fé em Deus, que por certo ele não há de lhes faltar. Lembrem-se do evangelho.
-É tudo mentira ! Grita alguém na multidão. E a quebradeira recomeça.
Alguns mendigos se aproveitam da confusão para se esgueirar pelos esgotos.
Seguem por um labirinto escuro que só eles conhecem, com sinais disfarçados que poucos poderiam identificar, chegam finalmente a uma enorme porta de ferro.Todo dia uma senha diferente.
Uma porta se abre, e é como se lá dentro fosse dia. Há movimento de pessoas por todo lado, aparato tecnológico incluindo radares e sonares, escutas por todos os cinco continentes. Alguns destes são cientistas, médicos,biólogos,e engenheiros, todos pessoas empenhadas em preservar algumas sementes, alguns animais e sua biodiversidades.
O grupo de mendigos entra e é revistado com detectores e se recolhem as suas dependências para  a seguir se reunir com os dirigentes da resistência.
-O que sabemos é que estão preparando-se para uma retirada do planeta. Conseguiram decifrar os sinais da mensagem antes que nós. E pelo andar da carruagem estão já armando para negociar a "passagem" , uma vez que nem todos poderão ir.
Um senhor na cadeira de rodas ouve atentamente o relato.
-Segundo as informações recentes, a nave vai pousar em breve no deserto e os que forem escolhidos terão de estar no lugar e hora combinada.
A população está incontrolável e o cenário lá fora é desolador. O grupo dos médicos e alimentadores não dão mais conta professor.
Os lideres estão trancados na grande fortaleza, e só se comunicam com os demais pela rede e por imagens holográficas.
Não sei quanto tempo ainda resta, mas a retirada será para breve, muito breve.
O professor está fraco e ainda está vivo, por causa daquela maquina presa a sua cadeira, que faz o trabalho de seu coração.
As vezes ele queria desistir de tudo e pedir que desligassem aquela coisa dele, mas entendia que se pudesse ajuda-los, ele o faria. Todos os dias era um desafio, e se percebia a dúvida e o medo nos olhos daqueles homens tão estudiosos e dedicados,  não saber o que seria no dia seguinte.
Armando-se de coragem o professor retruca firme:
-Então vamos todos ser deixados para trás ...
Guerreira Xue                                            
                                                    
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