sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CONCERTO A QUATRO MÃOS

CONCERTO A QUATRO MÃOS

Tocamos juntos aquele piano
Sentados lado a lado
Somos amigos
Namorados
Deslizando naquelas teclas
O nosso bailado.

E a música começa
Sobe fluindo pelo ar...
Desvendando segredos
Espalhando sentimentos
E conjugando o verbo amar

Com leveza e alegria
Nossas mãos se aproximam
E se afastam
Sem se tocar.
Num gesto que continua
Até a bela canção terminar.
Guerreira Xue

                                                          Imagem Net                                  

REFÚGIO DE MIM

Presa em meu pequeno mundo
Percebo agora como sou pouco
Quase um nada
E até a poeira que desliza ao sabor do ar
Mesmo imperceptível
Tem seu valor
E somente a brisa que a carrega
Sabe
E esta tristeza que me invade
Faz-me crer que há o que serve
E o que não serve

Queria tantas coisas na vida,
Mas neste exato momento
Haaaa...
Deixe estar
Isso não é hora dos desejos
Quando muito talvez
Seja tempo de recolher  as asas
E me refugiar em qualquer lugar,
Até esta coisa...
Passar.
Guerreira Xue
                                                                Imagem da autora

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

REALIDADES...

_ Vamos lá, levante esta cabeça, eu te ajudo cara!
_ Sério Rodrigo! Poxa meu, nem sei como agradecer, já até me sinto mais animado.
_ Claro! Vai lá e faz o tem que fazer, e deixe o resto comigo.
Rodrigo sabia que tinha que dizer qualquer coisa, para ajudar Horácio. Seu primo estava muito "por baixo" ultimamente.
Só um detalhe interessante nisso, o Rodrigo era um operário de fábrica e vivia sempre contando os trocos. Nunca conseguiu mais que o suficiente para o seu próprio sustento. Gostava da vida de trabalho, tinha uma saúde de ferro e não se queixava nunca. Já o Horácio seu primo, era antes um abastado, e no momento estava falido e precisando de seu apoio.
Estavam os dois no trabalho, e na mesma empresa, pois Rodrigo conseguiu "encaixa-lo" como operador de máquinas em treinamento. A pobreza os aproximara de tal maneira que viviam literalmente juntos agora. Quem não gostou muito disso foi Claudia, a mulher do Rodrigo.

_Por que ele tem que morar conosco?
_Porque ele está na pior, e além de ter "quebrado", a mulher lhe raspou o resto que tinha na conta, e sumiu com os filhos no mundo.
Sem qualquer pena Claudia retruca:
_Bem feito, ninguém manda estes riquinhos se casarem com estas interesseiras.
Rodrigo dá uma sonora risada...
_Mas quando se casaram, ela que era bem de vida e Rodrigo recém começando meu bem.
E Claudia continua...
_Lembro-me bem que nunca nos convidaram para a sua bela casa, ou casamento, ou qualquer daquelas suntuosas festas...
Está bem querida e nós também não os convidávamos para nada, lembra?
_Não convidávamos mais, voce quer dizer. Davam tantas desculpas esfarrapadas para não virem, que desistimos. Disse Claudia aborrecida.
_ É só até ele se aprumar querida, por favor. O coitado está ferrado, e só chora de saudades dos filhos.
Claudia sabia que ia ceder, tinha que ceder, mas ainda estava irritada por ter que receber um estranho em casa.
_Tudo bem, vamos recebê-lo em casa então. Arrumo uma cama extra para ele no quarto do Mário.
E assim foi...

Neste dia o Horácio ia prestar uma prova para promoção de liderança e estava muito nervoso e ainda não tinha feito sua  tarefa diária, quando Rodrigo disse-lhe que fosse, para a tal prova, e que ele faria o restante do trabalho em seu lugar.
Dias depois, ele recebeu sua promoção e estava muito contente.
Claudia ficou cismada com isso:
_O cara entrou outro dia na empresa, e já está ganhando mais que voce Rodrigo!  Juro que não entendo.
_Como não entende? Ele é de outra função e tem estudo, e é esforçado, portanto ele merece a promoção.
Claudia ficava pensando... "O diabo é que este sujeito tem sorte, isso sim. Quando era rico não ligava para as pessoas, e agora pobre, é justamente as pessoas que o levanta. Vai ter sorte assim na casa do cacete!"
E Rodrigo continuava...
_ Pense meu bem, se ele se aprumar financeiramente, tem como sustentar-se e vai morar sozinho. Entende?
Sim, a Claudia entendia.
Foram dois longos anos morando juntos, e não é que danado do Horácio conseguiu se equilibrar financeiramente! Recuperou a auto-estima, a guarda dos filhos e até a esposa fujona retornou!

Hoje quase dez anos passados, o Rodrigo e a esposa separaram-se, pois Claudia não aguentava a vida simples que levava...
Mesmo Rodrigo sendo homem simples, gostava de pintar quadros e surpreendentemente acabou por se tornar um artista de certa importancia.
O Horácio e a família voltaram ao círculo dos abastados, e o passado de pobreza "graças a Deus" esquecido...
E quando fazem suas festas espetaculares, não convidavam ninguém que não seja "interessante".
As pessoas mudam...  Não... As realidades mudam... Quem é que sabe? Sei lá!

Guerreira Xue/Hilda Milk


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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

VIVENCIAS COMUNS

VIVENCIAS COMUNS

As Lembranças      
Lembrava-me hoje da criança
Que era triste e solitária
Tinha brilho estranho no olhar
Acreditando na esperança
Parecia sempre esperar

A terceira de cinco irmãos
Família simples e de posses
Perderam os pais
E se perderam
E foram divididos
Assim como ninhada
Que vai oferecida
Bonitinhos e indesejáveis
Abandonados na estrada
E o tempo
Que demorou a passar
As crianças cresciam devagar
E era de lar em lar
Às vezes juntos
Ás vezes separados
Nunca uma casa de verdade
Criados e não amados
.
O Resgate    
E colando cacos de vidas
Esfoladas pela carência
Os desafios todos os dias
Vivendo para o futuro
Era esta, a consciencia
Faltava o exemplo
A família sólida
Onde um apoiasse o outro.
 E se debatia em perguntas
... Ia tocando
Era agora a sua vez
Criava os filhos pela intuição
As  duvidas eram tantas
Então seguia o coração
Ás vezes brigava
Ás vezes paciência
A culpa e a desculpa
A preocupação com as drogas
O cuidado com os estudos
E o exemplo (ser o próprio)

Assim crescia a nova geração
Com algum sacrifício e satisfação
Esperando com esperança
Mútuo afeto e abnegação

O Presente e Passado 
Hoje, olhando lá trás
Vendo o que houve de errado
Uma certeza
Aquelas crianças ainda estão lá
Tristes e solitárias.
E como elas
Muitas vagam por ai
Sem oportunidade
Uma chance somente
E muita coisa pode ser evitada,
Amor é bom, não dói.
E muito se ganha em dar
Ninguém é tão pobre
Que não tenha afeto para dar
Calor fraterno para ofertar...
E dos cinco irmãos,
Hoje restam três.
Algumas marcas persistem
No corpo e na alma.
Fazer por quem não tem
É uma prova de amor
E solidariedade é amor
Uma lição aprendida
O passado não muda
O presente se faz

E o futuro...
O futuro agradece.
Guerreira Xue
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terça-feira, 17 de setembro de 2013

VIDAS RESSEQUIDAS

Minguada de chuva
Farinha seca
A terra estiola
Caules curvados
Folhas enroladas
As ervas ressequidas curvam-se cabisbaixas
As árvores racionam a seiva às folhas
Despedem prematuramente os frutos
Encutinham-se dentro de si próprias
Reduzidas ao mínimo
Em economia extrema
Plantas e árvores disputam grãos de orvalho
E amparam-se mutuamente
As águas estagnam-se pelos caminhos subterrâneos
Sem chegarem às fontes
Animais plantas e homens afanam-se longe na demanda dos bebedouros
Animais e homens acantonados nas sombras
Esperam as primeiras bátegas como pão para a boca
Ouvem e seguem os voos dos insectos
Perscrutam o céu
Na procura dos trilhos das nuvens carregadas
Helena Loza
https://www.facebook.com/helena.loza.7

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SIMPLES AMAR


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

VELHO!

Assim segues teus caminhos 
ao porto que te és seguro, 
um porto firme e frio 
um caixão serás teu lucro!
Da vida já vistes tantos 
e coisas em absurdos, 
passou frio passou fome! 
E do homem? 
Conhecem bem os venenos, 
das mulheres seus amores encantos 
e pensamentos.
E aquele que te observa nada nada te vê, 
lendo-o! 
Foi jovem, foi lavrador! 
Lavrou a vida correndo. 
Ao mundo deu sua partilha, 
partilhou vidas ao vento, 
partilhou suor em prantos, 
das dores deu seu alento! 
Das lavouras que plantastes, 
alimentou com o pão bento, a
 enxada foi troféu! 
Os calos não foram tormentos, 
deste á vida a outras vidas 
e hoje neste momento se espera 
simplesmente que como a água corrente 
ao mar se chegue num repente 
e na mistura de terra e gente 
sejas lembrado pra sempre 
no olhar de um filho ausente 
e nos exemplos que deixas aos filhos! 
Como o maior de seu presente...
Zildo De Oliveira Barros
Imagem Net

A MAGIA DAS PALAVRAS

Descobrir o poder das Palavras
Um abrir de portas para além
Outro universos se descortinam,

E a coragem chega aquém
Destes quase desconhecidos
Lamentando a própria sina

Mais pessoas se emudecem
Matando ideias e consciencias
Em longos dias comprimidos

Sentimentos que não crescem
Minguando aos poucos...
com ausências dos queridos

A compreenção da beleza,
O amargor de um desfeito
Amar ao próximo..
.
Não importando a natureza
Seja do campo ou da cidade
Viver alegria ou a tristeza

A satisfação de um feito
Descrever a felicidade
O olfato, paladar e cheiro.


Dias de compreenção
magia ao acaso...
o príncípio do rabisco
e foi fluindo...
Quando se percebe,chega
 o ponto final

Desnude a alma, na ponta dos dedos
Desenhe os caminhos livremente
Simplesmente falando


Como que água, a sair de uma tina
E virando lentamente
As palavras vá derramando
Guerreira Xue
Imagem Net

domingo, 15 de setembro de 2013

CONTRASTES A GALOPE

Crepúsculos suaves, sóis em fogueiras
Jovens debutantes e velhas rameiras
Desertos com sede, prados vicejantes
Uns cheios de medo, outros arrogantes
Há mares de esperma e fósseis de cio
Onde a vida corre
E onde a vida morre,
havia um rio!

E eu viajante de estradas sem fim
Pergunto às estrelas se sabem de mim
Que de mim eu não sei, perdido que estou
Nas dobras do mundo,
Nos contrastes de fundo
Não sei p`ra onde vou
Nem o que é este mundo!

Riqueza opulenta, pobreza ao relento
Escritórios robóticos, searas ao vento
Vígaros sem tempo, honestos falidos
Vozes trovejantes e frágeis balidos
De gente no trono, de gente humilhada
Onde a vida corre
Onde a vida morre,
há gente sem nada!

E eu andarilho de ideias sem fim
Pergunto às estrelas que será de mim
Que de mim eu não sei, confuso que estou
Nas dobras de fundo, nos contrastes do mundo
Não sei quem eu sou
Nem o que vai no fundo!

E neste corrimento louco e galopante
Gelado, geleia, excretório do que vi
Ganhei e perdi tudo num instante
Mulher, família, mobília e amante
E nem uma flor eu deixei em tí!
Valter Guerreiro