sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O PERDIDO

Uma vez, eu andando
Por caminhos desta vida
Encontrei o Lourenço
Era um maluco, desnorteado
Ele dizia ser torto
E que estava sempre errado
Eu o achava engraçado
Era um perdido
Lourenço era meu amigo

 O tempo correndo passava
 Lourenço já ficando velho
 E perdido não se achava
Me ria muito de seu jeito
Mas no fundo só eu sabia
O que trazia em meu peito

Era solitário sem estar sozinho
Andava por muitas bocas
E vagava por diversas camas
Buscando calor em outros corpos

Um dia Lourenço moribundo
Com tristeza mencionei
"Você vai morrer
E ainda continua perdido"
Ele deu um meio sorriso
Do modo que sabia fazer
E logo respondeu
"Não... Achei-me há muito tempo...
No dia em que te encontrei".

Ainda hoje  quando lembro Lourenço,
Choro muito...
E agora a perdida sou eu.

Guerreira Xue/Hilda Milk 
https://www.facebook.com/GuerreiraXue                                         

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

AQUELE SÁBADO

AQUELE SÁBADO
Tinha acabado de chegar em casa de um dia cansativo de trabalho. Nunca imaginei que trabalhar em um escritório fosse tão ruim assim. Colegas chatos, chefe chato, trânsito chato, rotina chata. Gráficos, planilhas, fluxo de caixa. Um saco.
Só aguento passar dez horas diárias em um cubículo cercado por paredes de plástico porque ainda não consegui um emprego melhor e, principalmente, porque estou atolado em dívidas.
Quase morro de raiva quando o despertador toca às 5h30 me lembrando de que mais um dia chato começou. Não reclamo por ter de acordar cedo de segunda à sexta-feira. É normal. Isso acontece com qualquer pessoa normal. O pior mesmo é ter de acordar cedo aos sábados também. A escravidão já acabou há muito tempo e parece que só o meu chefe ainda não sabe disso.
Tirei os sapatos e abri uma cerveja bem gelada que tinha colocado na geladeira no dia anterior. Tirei a meia e os sapatos pretos e liguei a TV. Estava quase na hora do meu futebol de sábado começar. Duque de Caxias contra Boa Vista. A série B costumava ser o ponto alto dos meus sábados.
A equipe do Duque de Caxias entrou em campo com o time completo. Nenhum reserva. O time estava muito bom por sinal, vários reforços. Eles estavam ocupando o terceiro lugar da segunda divisão e pretendiam permanecer na parte de cima da tabela até o fim do campeonato. O Boa Vista estava com alguns reservas em campo. Eles não precisavam – e nem queriam – tanto da vitória assim. Ganhar ou perder dava na mesma naquela altura do campeonato.
Dez minutos. Vinte minutos. Vinte e cinco minutos e nada. Jogo de merda. Queria ver meu Mengão jogar...
Quando eu estava prestes a desligar a televisão, meu telefone tocou.
-Oi João. Como você tá?
-Bem e você?
-Eu estou ótima, mas a vovó tá quase virando salame.
Eu odiava quando ela falava assim dos mortos, parecia que estava fazendo pouco caso deles. Acho que ninguém gostaria de ser chamado assim depois de morto, mas se não fosse isso seria como? Partiu dessa pra melhor; Está a sete palmos do chão; Bateu as botas; Virou presunto... Salame tá bom. Eu acho.
Do jeito que a Vanessa falou parecia ser sério mesmo. Ela gostava muito de brincar com essas coisas, mas sua voz estava trêmula como uma bandeira em um mastro durante um vendaval.
Fazia muito tempo já que a vovó não estava bem em todos os sentidos. Tanto físico quanto mental. Acho que essa piora se deu após a morte do meu avô no ano passado. Era noite de ano novo. Tínhamos acabado de ver os fogos na televisão e estávamos nos abraçando e desejando feliz ano novo uns para os outros. De repente, seu Genaro começou a sentir uma dor forte no peito, falta de ar, um formigamento no braço e caiu no chão. Tentamos reanimá-lo com massagem cardíaca, mas já era tarde demais. Chegou morto ao hospital. A partir de então, a vovó passou a dizer que morreria de infarto também para nunca esquecermos a noite trágica de ano novo. Nunca esqueceremos, vó. Nunca esqueceremos.
Sempre que a velha fazia aniversário, ela dizia que estava entrando em mais uma idade de Condor. Com dor aqui, com dor ali... Nem na casa dos filhos ela ia mais. Os motivos eram sempre os mesmos, ela não tinha nem a preocupação de pensar em algo novo. Era sempre a mesma coisa: “Tô muito bem não minha filha, tô com dor nas costas... e eu tenho que cuidar das plantas. Você sabe...”
A vovó já estava com 85 anos de condor. Eu, particularmente, achava que a velha estava caducando e ainda era repreendido por todos por causa disso.
Não sei se ela comentou isso com mais alguém, mas ela sempre dizia que tinha um duende bonito com um gorro bonito vivendo em seu quintal. O que mais me espantava era ela dizendo que era seu dever alimentá-lo. Afinal, ele estava cuidando muito bem de suas plantas. “Desde que ele chegou aqui em casa as plantas estão mais bonitas. Até essa roseira velha está florida! Não é uma beleza? Ele é supimpa mesmo!”
Certa vez fui visitá-la de surpresa. Quando cheguei lá, ela estava cortando maçãs e tinha acabado de fazer um suco de limão com couve para o duende ficar forte e saudável para continuar cuidando muito bem das suas plantas. Eu tentei ver o tal duende várias vezes, mas não consegui. Segundo ela, só conseguiria vê-lo quem fosse puro de coração. Deduzi que eu não o era e acho que continuo não sendo.
-O que ela tem?
-Não sei. Só sei que está no hospital. Bota uma roupa que em meia hora eu estou passando ai.
"Obrigado por me tirar de casa, vó. Pior do que esse jogo meu dia não fica."
Tomei um banho e quando sai do banheiro continuei suando por causa do calor de 40 graus do Rio de Janeiro. Coloquei uma camiseta azul clara e ela logo ficou com duas pizzas. Uma em cada manga. Minha avó teria dito que eu estava com uma pizza de calabresa e outra de muçarela.
Tomei mais uma cerveja enquanto esperava a Vanessa.
O telefone tocou de novo.
-Desce ai que eu já estou chegando.
A mini viagem até o hospital foi simplesmente silenciosa, ambos estávamos muito preocupados. A Vanessa estava tão no mundo da lua que nem tentei puxar conversa também.

-Nós estamos aqui pra ver a dona Maria. Quarto 317.
-Coloquem essa identificação. – a recepcionista jogou os papéis com força em cima do balcão – O quarto é no terceiro andar e o elevador é ali.
Não consigo entender como pessoas que lidam com outras pessoas podem ser tão grossas! Vai fazer outra coisa pra não tratar ninguém mal, caramba!
Chegamos ao quarto e quase toda a família estava lá. Uma festa só. Bolo, salgadinho, refrigerante, balões de ar. Parecia até que a velha estava completando mais um ano de condor ou que estavam comemorando sua [quase] partida.
Fiquei sentado em uma cadeira gelada no corredor, apreensivo com o que o médico iria falar. O cheiro de hospital estava me deixando cada vez mais nervoso e inquieto. Quarenta minutos depois ele apareceu e disse que a dona Maria estava mal.
Muito mal.
-O que ela tem, doutor?
-Não sabemos ao certo, mas parece que ela teve um pequeno infarto e terá de ficar em observação.
-Ela vai morrer?
-Não tenho como responder a essa pergunta, meu jovem. Só posso dizer que a sua vó não tem cuidado muito bem da saúde, mas vamos fazer o possível para que ela permaneça viva.
Ótimo. Minha vó vai morrer no mês do meu aniversário. Muito bem dona Maria, muito bem! Pelo menos não vai morrer em casa, assim dá menos trabalho...
Dois dias depois ela teve um novo infarto e morreu. Todos já esperavam esse triste final, inclusive ela.
Antes de morrer ela disse:
-Eu já sei que vou morrer, então não deixem de alimentar o José.
-Quem é esse?
-O duende que cuida do meu jardim, ora! E outra coisa, eu quero ser queimada.
-Não seria cremada, vó?
-Tanto faz.
Gina ficou encarregada de alimentar o José já que ela era “pura de coração”. Eu não concordava com essa afirmação, mas fiquei quieto já que não queria ser escolhido para alimentar o tal duende.
Resolvemos que a dona Maria não seria queimada ou cremada, mas sim, enterrada. Era mais bonito assim e fim.
    No dia do enterro o céu estava muito bonito. Minha mãe disse que estava azul bebê arroxeado. Acho que era isso mesmo. E o mais importante: Não estava calor, ou seja, eu não ficaria com pizzas.
Durante o velório, o pastor falou algumas palavras, minha tia outras muitas palavras, cantamos e oramos. E lá estava ela deitada. Com um semblante sereno como se estivesse aprovando e gostando de tudo aquilo.
Quando ela foi enterrada, o caixão fechado e o buraco tapado, entendi que a vovó nunca mais estaria ali conosco. Nunca mais eu ouviria histórias sobre sua juventude passada na roça; nunca mais ouviria sua risada gostosa; nunca mais comeria o melhor macarrão com queijo que existia...
Nunca mais.
Quando dei por mim, percebi que meu rosto estava banhado em lágrimas. Lágrimas de tristeza por ela ter partido, lágrimas de alegria por tudo que ela tinha sido, lágrimas saudosas e esperançosas. Lágrimas certas de que iriam vê-la novamente.
A vovó. A minha vovó.
Todos foram embora e nós ficamos ali. Só eu e ela.
O céu começou a escurecer. O crepúsculo já havia chegado. Gaivotas rondavam o cemitério com o seu voo magnífico e singular enquanto disputavam território com urubus famintos. Cachorros corriam uns atrás dos outros como em uma brincadeira entre crianças. Formigas ajudavam-se no carregamento de folhas até o formigueiro. Fiquei com vontade de matar algumas, mas me contive.
Quando olhei novamente em direção ao local onde a velha estava enterrada, vi que a terra que estava por cima do caixão estava se mexendo. Pensei que estivesse delirando por causa da emoção proveniente do que tinha acabado de acontecer. Eu tinha uma ligação muito especial com a vovó. Depois, a terra começou a voar e a aterrissar sobre o gramado do cemitério. Era como se alguém estivesse reabrindo o buraco do salame. Fiquei ali em pé, intrigado, observando aquilo tudo.
Quinze minutos depois o buraco tinha sido reaberto e o caixão também. Olhei para todos os lados e gritei a procura de alguém, mas não havia ninguém ali.
Vi uma mão saindo do buraco reaberto. Hesitei em me aproximar, mas criei coragem e cheguei um pouco mais perto. Logo após esse acontecimento, a mão e mais dois braços também estavam para fora da cova. Alguém estava tentando sair do buraco, como se, por algum motivo, não merecesse estar ali.
Continuei encostado em uma amendoeira esperando para ver o que iria acontecer em seguida. O céu já estava totalmente escuro e as lápidas estavam recebendo somente a iluminação lunar.
Apertei os olhos e consegui ver. Era ela! Era a minha avó!
Não tive coragem de permanecer ali. Então, me escondi atrás da amendoeira. Observei por alguns minutos a inusitada e inesperada cena que estava acontecendo a poucos metros de mim.
A velha tinha saído do buraco.
Saiu e agradeceu ao José. Deu alguns passos e se perdeu na escuridão.
Mariana Marins
Pag.26 do livro CONTOS E DESENCONTROS 
http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/CONTOS-E-DESENCONTROS/42111042
                                                              
                                            

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

REFLEXOS

Vejo eu, vejo voce
Olhando lá longe o horizonte
Ouvindo a música do mar
Cada um escutando a sua sinfonia
Em sua própria versão da vida

Gaivotas sobrevoam a praia
As vidas que se cruzam sem se tocar
E o tempo se esvai lentamente
Indo para nunca mais voltar

Os amores se vão...
Enquanto aqui, nós ficamos
E nossos olhos cansados
Faíscam ao nascer do sol
Um outro dia outra vez
Mais uma noite que vai solitária e triste

E o tempo impiedoso escorre
São os reflexos de alma
Que aos bocados vai gastando
Os ossos do corpo das gentes
Polindo o espírito que nunca morre
 Guerreira Xue/Hilda Milk                      
                                                    
               Imagem Net

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

OS LÍDERES

OS LÍDERES
As tecnologias avançaram rapidamente distanciando o homem do campo e do meio rural. A comida em sua maioria agora é desenvolvida em laboratórios ou pequenas estufas particulares, o que diminui sensivelmente o volume da produção dos alimentos, culminando com aumento da população em grande parte do planeta terra. A miséria assola os países da Africa e parte da Ásia, da Europa e Américas.
O mundo virou uma grande sucata de lixo radioativo e vai proliferando as doenças endêmicas. Os remédios existem, e quem paga, é que tem a oportunidade de viver mais.
Poucos países tem a economia estável e os que tem, controlam a entrada e saída dos imigrantes. O tráfico de pessoas em franca expansão, os chamados ilegais transitam livremente em navios, aviões ou trens e o negócio de escravos é lucrativo. Todos prisioneiros de uma miséria universal absoluta e incontestável.
Os lideres administram riquezas, entende-se que na falta não há o que administrar e na divisão das classes só aquele que pode, é que tem direitos.
Este ano o encontro dos mais ricos será de grande importância. A midia dirá aquilo que pode dizer e os lideres em portas fechadas, decidirão o destino da humanidade.
-Senhoras e senhores, peço-lhes a atenção por favor. Começa o presidente  muito sério.  Quero comunicar-lhes que há mais ou menos um ano a nossa base secreta vem recebendo mensagens codificadas do espaço. Nossos especialistas demoram a entender o seu teor e agora que foi decifrado,venho por os senhores a par do conteúdo das mesmas.  Vejam os senhores mesmo ...
No telão aparace uma série de números e hieróglifos e a seguir sua tradução.
- Segundo nossos especialistas, se trata de um aviso. Eles se denominam "os pacifistas" e como nossas reservas se esgotam rapidamente, eles virão em nosso socorro. Nosso planeta vai morrendo rapidamente agora.
Porém disseram enfaticamente que não levam todos, pois é muita gente.
Uma plateia que até então estava estática, se levanta.
-Como é isso? Vão nos deixar morrer?  Perguntavam.
-Calma que eu explico. Em princípio disseram que iam levar  um casal de cada espécie, depois de eu argumentar que éramos muitos e que isso seria crime de assassinato com a nossa espécie, eles me responderam que esperariam uma reunião de conselho, que aconteceria em breve, uma vez que somos muitos e nosso problema é grave. Iam instituir um tribunal elegendo um deles para advogar a nossa causa.
Outra vez uma agitação...
-Mas quantos serão salvos?
-Acha seguro não ser um de nós, a advogar a nossa própria causa?
-Ainda não sei responder isso, mas adianto que como sou eu que estou tratando do assunto, serão aqueles que eu indicar, com certeza.
-Argumentei também sobre um estranho que não nos conhece, nos defender, e que não era justo, não podermos falar por nós. Eles me responderam que se seguíssemos pela linha da "justiça" , eles nos deixariam todos perecer. Destruímos nosso próprio habitat, segundo eles.
E só se ouvia o burburinho.
-Pagamos o que for necessário para estar nesta lista.
O presidentes ainda pondera sem muita energia, mas sorrindo muito ante a possibilidade de se tornar mais rico ainda.
-Talvez eles queiram adotar algum critério senhores. Pensem que não temos tantas alternativas assim. Ou vamos com eles ou morremos aqui, junto com a ralé.
Ao que um dos ouvintes responde:
-E que critério seria este? Se todos aqui juntos, somos as personalidades mais importantes do mundo. Eles é que não saberão quem são os importantes, até que voce lhes diga, não é mesmo senhor presidente?
- É verdade. Responde o  líder da reunião.
-As rebeliões estão cada vez maiores lá fora... A comida "deles" acabou senhores. Não há campos férteis, só trincheiras. A água contaminada não serve nem para banho. Gostaria de avisa-los que nosso tempo se esgota rapidamente. Precisamos de uma estratégia imediata para acalmar o mundo.
Todos ficam em silencio por alguns instante, Até que um se manifesta.
-Peça ao santo padre que nos ajude a acalma-los, a religião sempre os enleva o espirito. A promessa do salvador, o paraíso, etc, etc...
-Boa ideia. Nada melhor que um banho de santidade nestas horas de dificuldades.
A partir de hoje criamos uma linha secreta de comunicação, e vou notificando a todos sobre o andamento  da negociações com os pacifistas.
E pelo que entendi da proposta "deles" é que em breve teremos um novo planeta para viver.
Aqueles que quiserem se manifestar, fiquem a vontade.
A terra morreu e agora, não tem nada que possa modificar ou remediar a situação.O que nos resta é acatar os pacifistas e nos retirarmos deste "esgoto" a céu aberto.
Guerreira Xue

     Imagem Net

domingo, 3 de novembro de 2013

O MESTRE

Os recursos naturais esgotaram-se, não há comida suficiente para todos, e até o ar esta irrespirável e justamente por causa disso as crianças não nascem e as que nascem morrem a seguir.
O destino da terra é o perecer,  com toda a espécie que nele habita.
Os viajantes do tempo estão retornando, e tem a missão de resgatar os terráqueos para que a espécie não seja completamente extinta.
-Mas há excesso de população, não poderemos levar todos.
-Não vamos levar todos? Pergunta o ser cinza.
-Claro que não, olhe para eles! Inferiores, primatas que se reproduzem sem restrição. Parasitas irresponsáveis que destruíram o próprio lar.Nem mereciam outra chance.
Quanto tempo acha que levaremos para descobrir outro planeta que tenha as condições climáticas deste? Até lá ainda teremos que ficar convivendo com estes animais. Penso que o conselho levara somente um par da espécie, como fizeram antes.
 -Podemos ensina-los outra vez mestre. Se ficarem, morrerão todos.
E o mestre responde:
-Talvez morram mesmo, mas não podemos levar todos.
Seus lideres já foram comunicados de nossa volta, e que vamos leva-los para um outro mundo. Disse-lhes que não seriam todos, pois há o período de adaptação. E até ver como se saemm e se der certo, iremos buscar os que sobrarem na terra.
Rugera, a moça cinza, fora resgatada num planeta verde que devido a um forte impacto, com um asteroide de considerável tamanho a deriva, caiu na rota de um buraco negro, quando os viajantes a encontraram, ainda menina, estava sozinha e surpreendente viva, pois  todos os seus iguais haviam morrido e como se tratava de única sobrevivente ,ela ficou com os mestres com quem aprendeu e ensinou, quase tudo.
-Tem que haver um jeito, deles terem uma chance maior de sobrevivência  mestre.
-E tem. Não garanto a sobrevivência de todos, mas as chances de sobrevida deles  aumentariam com o "velho". O fato de ser um deles, e ter vivido conosco qualifica-o, tenho certeza que vai saber como ajudar seus iguais. Ele ainda não sabe de nada, pois esta em missão noutra galáxia.
Vou propor isso na próxima reunião do conselho geral. Temos que resolver esta questão dos terráqueos. Isso e um constrangimento, pois não lembro em toda a minha existência, de termos que decidir o destino de um mundo onde seus próprios habitantes o destruíram.
Rugera conheceu o velho na sua primeira expedição de salvamento e depois disso nunca mais o vira. As vezes pensava que aquele resgate tinha sido um sonho, não fosse pela leve cicatriz que carregava na mão direita.
-O senhor vai manda-lo sozinho? O que ele sozinho poderá fazer? E mesmo que sejam seus iguais, ninguém o conhece. Ele não tem valor para a sua gente. Afinal quantos anos terrestres ele tem?
Pergunta Rugera curiosa.
O mestre do universo reflete por uns momentos e conclui:
-Voce tem razão. Ele sozinho não vai adiantar. Preciso pensar, afinal serei  eu a defender estes inferiores perante o conselho.
- Penso que o senhor saberá ser justo dando-lhes uma oportunidade, já que ainda são inferiores e que só precisam aprender mais um pouco.  Rugera pede licença e se retira.
Ela se lembrava bem do velho, uma vez  ambos se perderam num planeta gelado em busca de um sobrevivente, se tratava de um coelho especialista em construção, e ela só não morreu porque ele a salvou. Se é da espécie dele que se trata, ela achava que mereciam, pelo menos uma outra chance.

Em breve os mestres chegarão e o conselho se reunirá para discutir assuntos importantes, como o destino dos planetas que estão em situação limite, e entre eles a vida dos habitantes da terra.
"Se o mestre abordar a defesa da justiça, não vai sobrar nenhum daquela raça. Espero que se atente a importância de não extinguir a espécie, e tomara que o povo do velho tenha mais uma oportunidade".
Guerreira Xue


                                                                 Imagem Net