sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O ULTIMO DIA DE PRAIA DA AVÓ

Carolina a minha filha mais nova
sabendo que a avó amava o mar
quis dar do carinho uma prova
e pediu-me para à praia as levar

Fiz a vontade às duas amadas
e fomos os três à Costa da Caparica
apoiando a neta e avó entusiasmadas
numa manhã de alegria muito rica.

Para a avó foi o ultimo dia de praia
e meses depois partiu para o além
a neta que estava sempre de atalaia
hoje chora com a saudade que tem.

Amor é coisa que não se ensina
nasce bem no fundo de cada pessoa
por isso recordo o cuidado da menina
dando à avó aquela atenção tão boa.
Antonio Sanches         
                                Imagem do mesmo autor

NÃO SEI CHORAR

Anuncio-vos que impostura encarnada aqui,
A pouco mais de meio século,
Há um menino que se recusa debutar adulto
E penetrar no mundo dos que sabem tudo.

Meio insano em seu propósito de entender,
Mais não faz que sorrir, em todas as gradações:
Risos, sorrisos, gargalhadas... As vezes comedido,
Mas quase sempre sem peias e amarras, freios
Diante do que só se pode risível porque ridículo.

Ri-se dos que de punhal em punho dizem, sérios,
“não vai doer” e dos que roubam por engano
E teorizam tudo com definições exatas e precisas,
Seja porque deu na televisão ou o pastor falou.

Ri-se do “só a cabecinha” e do “depois te pago”,
Do “se eu eleito for” e do “foi Deus que me disse”,
Certo de que palavras são máscaras de intenções.

Ri-se de si próprio de caniço e anzol na mão,
Vendo peixes acenarem longe que não virão,
Esperando musas acorrentadas no anonimato
E miragens que, próximas, tornam-se pó.

Sempre na contramão da sensatez
Mais não faz do que rir, não aprendeu a chorar.

Como tudo é relativo e se define no oposto,
Nada encontrou ainda que não fosse risível,
Por isso não aprendeu a chorar.

É provável que aprendendo se sinta feliz.

Francisco Costa
Rio de Janeiro, 23/09/2013.            
                                    Imagem Net
                                               

terça-feira, 12 de novembro de 2013

AAZMar

AAZMar
Teu doce toque encantado
Me faz mais aproximar
Tua espuma novelo de enrolar
Ondas de ti saem de enleio
Como cabelos de anjo ao luar
O que tens feito de outrora
Que não se soubesse de permeio
Tua boca jorra mil palavras
De espanto e de noites perdidas
Teu espirito vagueia
Em sol de manhã ao acordar
E se fosses um peixe
E se fosses uma mulher
Serias tal sereia a dormitar
Quem sabe teu sabor alado
Quem sabe teu cheiro salgado
Teu caminhar sem o ver
Leve como nuvem de azul mar
Anjo perdido e achado
Olhos supostos de encanto
Tal céu boreal aurora
Uma lagrima te escorreu
No cair amar da noite
Despedida de poeta hoje sem o ser
Amanhã poderás voltar
E no espelho sentir regressar
Sente o teu agradecer
Nesta viagem sem findar
A não ser que não exista
Todo o verbo talvez “partilhar”
Obrigado AAZMar
“V.M "Pensamentos a Avulso,2013”
http://www.youtube.com/watch?v=ZJBNiDLB8IE

GEMEAS (Sinopse)

GEMEAS (Sinopse)
Gêmeas é um romance cuja estória acontece na virada do século dezenove para o século vinte. Uma estória sobre a grande família do italiano Ângelo, que chegou ao Brasil no final do século dezenove, iniciando a fortuna que sua segunda esposa, após sua morte, multiplicará em muitas vezes. É a estória de uma mulher forte que lutou para ter reconhecido o valor da mulher num mundo tradicionalmente masculino. Alguns personagens nos darão uma verdadeira lição de paciência e tolerância! Um livro feito a quatro mãos com emoção e carinho.
Suzana Carvalho e Zelair S. de Carvalho
http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1372441470903
                                                               


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CAMARIM

CAMARIM
Adentras o camarim
Vestes a tua fantasia
Vais, viver outras vidas
Outros sonhos, outros sentimentos
Trocas de nome e abusa nos gestos
Que outrora eram modestos
De teu, somente o sorriso
Ah! Esse sim, inconfundível
Falas de coisas que eu não conheço
De outros amores, no tempo passado
Amores sem pudores, quentes, cálidos
Falas de coisas que nunca vivestes
Dizes palavras por demais obscenas
Cena após cena
O publico em frenesi, aplaudem-te a ti
Eu continuo ali, a te contemplar bem distante
Amando-te hoje, muito mais que antes
Admiro tudo em você
 Admiro a tua coragem
A sua beleza, e forma sutil
Com que te diriges ao publico
Como se fossem velhos conhecidos
Assim como grandes amigos
Todos riem de súbito
E eu continuo aqui
Sentado nas ultimas cadeiras
Querendo de ti, um beijo único
Izah Poetisa  
Página 33 do livro "UM QUÊ DE VOCE"
https://clubedeautores.com.br/book/124284--Um_Que_De_Voce#.UoDjzZgmr3Q
                                          

domingo, 10 de novembro de 2013

NADIS (poesia do corpo)

NADIS

I
Entre a inércia e o vazio o repouso no ponto se situa
O ponto de hospedaria e vírgula já tombou na senda meridional
E as estrelas mudaram as rotas para a descendência
Cadentes de amor mudaram os fogos no sentido vertical
E nas telas pintaram com asas de pomba

II
Ao poeta os braços correram a rota cardíaca
Entre o prado e o poema restou uma nota de sol
Azul de dia e verde à noite por telepatia
Aquática como o útero a galopar pelo búzio
A rota floria rabeada a cavalo marinho

III
Onde estavam elas as mal embaciadas
As divindades que chegariam a viver como as gentes
Onde estavam as que dariam imaginação e beleza
Aos poetas suplicantes de obras radiantes
Que outros mais tarde honrariam como suas?

IV
Onde estavam os viveiros de Fenixes
Os internos vasos que brotavam Ayuasca?
Sem ritos as aves amainavam a sede
E as gaivotas confirmavam aos pios
Novos aterros na encosta da cidade

V
Corpo em estação eléctrica
Cume aspirado no veio em verga
Vem o poeta impressionar espaços neutros
Senhores da imensa tolerância
Ondulam os poetas os números
M.Frias