quinta-feira, 24 de outubro de 2013

OLA BOM DIA!

OLA BOM DIA!
Ser feliz não é difícil, mas eu quero ver, é manter o sorriso estampado na face enquanto o mundo gira e respira fazendo-nos exercitar diariamente uma bipolaridade de "ser".
Quantas vezes no sentimos egoístas por nosso bem estar, e isso acontece quando a nossa volta tudo parece desabar? Eu queria ser invisível nestas horas, só para curtir minha felicidade enquanto esta durar, até o último resquício de um sorriso.
E quando estamos mal, e o mundo parece uma grande festa? Ainda quero parecer transparente, para que não me vejam na condição de miserável.
Já comparei as pessoas uma vez, com o "tempo". Não pode chover em toda terra, senão esta inunda.
Nem o sol consegue cobri-la de luz toda a sua extensão ao mesmo tempo.
Lembrava-me de nossos ancestrais  indígenas que acreditavam que todas as respostas eram encontradas na natureza, e para entender só bastava observar em contemplação.
Acreditavam também que ninguém nasce sabendo, mas que alguns são predestinados sim, e são educados para isso, mas na idade adulta só seguem o destino traçado se assim o quiser.
Ai os índios... Estes deixaram de ser um povo, e agora se resumem num pequeno grupo, uma minoria das minorias e ainda seguem lutando pelo direito de ser e estar num lugar que já foi seu.
O mundo muda muito todos os dias, e do imperialismo escravagista até o iluminismo absolutista foi uma distancia. Tantos códigos de conduta adotados e logo descartados e o que resta no momento é um povo massificado, divido em glebas, países, para melhor ser manipulado.
Muitos conceitos já caíram por terra. A informação anda um desgovernado carrossel, emaranhando as palavras como se fosse um quebra -cabeças, onde cada um interpreta  a sua maneira, e curiosamente há ainda quem se ache vítima enquanto quem realmente é prejudicado batalha para sobreviver.
Há quem acredite que heróis, iguais aos dos quadrinhos, virão em seu resgate promovendo a justiça e punindo os culpados. E há quem ache que Deus é quem sabe.
Nunca a individualidade esteve tão em alta, e o que para uns não é bom, porque os torna frios e capitalistas,  no entanto ajuda outros tantos a resgatar auto-estima, dignidade e senso de cidadania e coletividade.
E quem não tem qualquer opção, vira prostituta ou ladrão, afinal todo o vivente tem, precisa, que ter o que comer.
Tudo uma questão de ponto vista então...
Enquanto alguns rezam pela própria salvação, e as igrejas estão lotadas agora...Outros resgatam vidas dos cativeiros da fome, do mundo das drogas, dos incêndios, das enchentes...
Quem está certo e quem está errado?  Não sei... Só quis mostrar aqui, as diferenças caóticas de nossa espécie.
Guerreira Xue

A BELA LITURGIA (artigo)

A BELA LITURGIA 
O Pequeno Príncipe, de Saint-Éxupéry, ensina-nos que o essencial é invisível aos olhos.
O livro é a história fantasiosa de um extraordinário menino que morava numa estrela.
Vivia desprovido de tudo. De nada dispunha, a não ser de imensa árvore “baobá” e de, mais ou menos, dois vulcões. Mas não deixava de ser delicado, amável e sensível. Deleitava-se com os pores-do-sol, que eram tantos no seu pequeno planeta.
Certo dia, descobriu aquela sementinha que começava a crescer e transformava-se numa rosa.
Observou, atentamente, o seu florescer, o seu florir. Nunca vira ele um botão de rosa tornar-se rosa vaidosa, levando-o à loucura. No final, chegou ele à conclusão de que não era fácil entender toda a rosa.
Resolveu, assim, deixá-la e voar para outros planetas, à procura da sabedoria sobre o amor, a vida e as pessoas.
Deparou-se, então com coisas estranhas.
No planeta Terra, encontrou um animal bem estranho e muito sabido – uma raposa – que dele se aproxima e diz-lhe: – Cative-me.
Não sei o que isto quer dizer – responde lhe o principezinho.
Cativar é penetrar a vida do outro, é interessar-se pelo outro – diz-lhe a raposa.
Mas, se eu a cativar, não posso ficar muito tempo com você. Tenho que ir embora – fala, sinceramente, o principezinho.
Que pena, se Você for em bora…eu vou chorar – não se contém a raposa.
Por que, então, querer que a cative, se isso vai magoá-la?
Por causa da cor dos trigais – diz ela. E continua: – Você tem cabelos cor de ouro…após você me cativar, ao olhar o dourado dos trigais, lembrar-me-ei de seus cabelos. E vou gostar de ouvir o vento no trigo.
Assim, começou o ritual do cativar que é bela “liturgia” de um conquistar o outro.
 Dartanhan Holanda
        
 Escritor, amante dos livros e leitor de Antoine de Saint-Exupéry.
 Membro da Academia Maceioense de Letras
 Autor dos livros:
 A Foz – A Magia Aqui Se Faz Presente (Conto)
 Igreja Nova (Romance)
                                          
                                         Imagem Net

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ECOS DO SILENCIO

- Morreu esta madrugada, o residente do chalé 15 Joana.
- Eu soube assim que cheguei. O que foi desta vez?
Sorvendo seu café da manha, as enfermeiras trocam informações de rotina.
-Coração, foi o que disse o atestado de óbito.
Joana acabava de chegar para cumprir seu turno diário enquanto Amélia se preparava para deixar seu posto noturno. As duas colegas se revezavam no mesmo setor da pousada para idosos.
- Diz a verdade Amélia, por acaso destes uma medicação errada para o velho?
- Não! Disse Amélia nervosa.
- Coitado do seu Joaquim, eu gostava dele. A família está de ferias no Canadá, foi o que disse o diretor Horke e chegam hoje a noite.
O que ambas sabiam era que o "seu" Joaquim era muito rico, e que seus dois filhos praticamente o abandonaram na pousada, para saírem à gastar seu dinheiro pelo mundo.
Joana lembrava bem de um deles, o Valter, era quem mais vinha visita-lo, e só vinha por ser norma da própria pousada. "Abandono e contra a lei e todos os hospedes tem que receber visitas, pelo menos uma vez por mês, pois do contrário os familiares serão responsabilizados por abandono do idoso".
Então todos os meses vinha uma secretaria das empresas, para ver se estava tudo bem, e fazia os arranjos necessários, e a seguir despachava-se rapidinho...
O "velho" viera parar na pousada por ter ficado ferido gravemente num acidente automobilístico. Sua esposa morreu na hora, por ter ficado presa nas engrenagens do carro e Joaquim com sorte, conseguiu se livrar do cinto e sair do veiculo que acabou por se incendiar todo..
E Amélia continuava
- Lembro-me que ele ficou meses numa cadeira de rodas e quando melhorou, achou por bem ficar de vez na pousada, onde tinha tudo o que precisava e o mais importante, não estava sozinho.
Cuidar de gente não é tarefa fácil, mesmo quando se trata de um trabalho, pois não é simplesmente lavar uma roupa, limpar uma casa ou qualquer outra função. São pessoas cuidando de seus semelhantes, e é  muito difícil não se envolver, não desenvolver laços... 
Amélia era a enfermeira mais antiga da pousada e tinha uma especial preferência pelo Joaquim que estava como residente há quase sete anos ali.
- Há cinco anos, era natal e houve um principio de incêndio no salão principal, as lampadinhas da árvore deram curto circuito. E de imediato quando perceberam todos trataram de correr logo, enquanto os enfermeiros corriam retirar os mais graves e buscar os extintores. Seu Joaquim ia saindo calmamente do recinto, pois ainda caminhava muito devagar. Ele ouviu um leve murmúrio e se voltou... Era Dona Isabel, lembra-se dela? Ela faleceu ano passado, pois ela estava muito perto da árvore e prendeu sua cadeira, não conseguia mover, a manta dela chegou a pegar fogo, acredita. Pois o seu Joaquim corajosamente foi lá e a retirou, salvando-a do "pior". Desde então nunca mais se largaram aqueles dois. Acho até que eram apaixonados, um pelo outro. Não admitiam publicamente, mas todos viam alguma coisa especial entre eles.
Mal contendo a emoção, as duas enfermeiras disfarçam suas lágrimas.
- O Seu Joaquim chorou muito sentido o falecimento de dona Isabel. "Mais uma vez, a morte me leva uma alegria”. Senti uma pena dele, um homem tão rico e, no entanto...
Sabe deu uma coisa Joana? A vida é tão fugaz, e parece muito sem razão... Eu vou ter que chorar hoje, pela morte do seu Joaquim.
-Eu entendo Amélia. E as duas abraçam-se partilhando algum conforto.
Guerreira Xue/Hilda Milk



DEMONIOS NÃO CHORAM (Sinopse)

DEMONIOS NÃO CHORAM (Sinopse)
O ano é 2184, a tecnologia avançou de forma veloz e assustadora. A sede do homem pelo “progresso” fez se exaurir grande parte das reservas naturais do planeta. Diante da escassez geral de alimentos e fontes de energia, a terceira grande guerra foi inevitável. Depois de um confronto sangrento de violência irracional e desenfreada, a guerra acabou, e o resultado: todos foram derrotados.

O mundo que conhecemos hoje foi reduzido a destroços de uma civilização que não mais existe. Mais de 90% da população foi dizimada. Diante da fragilidade dos sobreviventes, as criaturas que antes viviam nas trevas, escondidas e agindo enquanto todos dormiam, fizeram do planeta destruído seu domínio. Os humanos, aterrorizados, passaram a se esconder em abrigos subterrâneos e em velhas galerias de esgotos.

É nesse cenário caótico que Ezequiel, um caçador de demônios, viverá a jornada que mudara totalmente o rumo de sua vida e da de muitos outros. Um cavaleiro solitário que vaga pelas terras devastadas, caçando e eliminando os filhos do Inferno. Mas Ezequiel não tem esperança de um futuro melhor, persegue os infernais somente por ser a única coisa que sabe fazer.

Quando o caçador, após um exorcismo, se vê obrigado a levar consigo a menina que salvou, uma onda de acontecimentos o conduz à derradeira aventura que culminará no embate final entre a Terra e o Inferno. Somente um será o vencedor, e o destino do que resta da humanidade depende da coragem de Ezequiel e dos aliados que se juntaram a ele nesta incrível e perigosa jornada. Se falharem, Terra e Inferno passaram a ser um só mundo, de eterno castigo para todas as almas humanas.
http://demoniosnaochoram.wix.com/livro
                                                        
                                                               Samuel Cardeal

domingo, 20 de outubro de 2013

UM SÉCULO

UM SÉCULO
De tudo à poesia estaremos atentos,
Com tal zelo e sempre e tanto
Que jamais nos esqueceremos dele.

Há exatamente um século, cem anos,
Parte sustancial da poesia universal,
Lírica e doce, encarnou nesse planeta,
Com nome e endereço:
Vinícius de Moraes.

Íntimo amante do uísque,
De filosofia simples e prática,
“um homem deve estar sempre
Pelo menos um copo acima”,
Complementou-se em versos
E corpos femininos,
Sem que possamos adivinhar
O que mais bundante em sua obra.

De dondocas refinadas e estilosas
A poetisas e artistas plásticas,
Passando por sua cozinheira,
Uma negra gorda e analfabeta,
Foram oito casamentos consumados,
Em atestado de que “o essencial
É invisível para os olhos.”

De peculiar vocabulário
E estranha sintaxe
Era pródigo em diminutivos,
Entre amores, parceiros e amigos:
Tomzinho, Chiquinho, garotinhas...
Daí a alcunha de Poetinha.

Mas nem só na poesia e no tesão
Se podem os homens completos
E assumiu a consciência social,
Mais que solidariedade, a identidade
Com os apartados dos pratos e da poesia.

Diplomata de carreira, poliglota
Viu o futuro castrado pela ditadura
Que o afastou das embaixadas,
Dos consulados, mas não calou os versos
Nem matou a indignação.

Vininha vive, o Poetinha está
Onde estiver um coração apaixonado,
Atento a sonetos e quadras, à liberdade
Poética que se consuma em seus versos.

Dia 19/10/1913,
Dia em que o mundo amanheceu melhor.

Francisco Costa
Rio, 19/10/2013.
Na foto, a descontração de Vinícius e o seu inseparável copo de wísque, com Chico Buarque, ainda menino e já parceiro, ao lado.


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