sexta-feira, 6 de maio de 2022

QUANTO CUSTA A PAZ?

O mundo anda um caos, não, a verdade é que o mundo sempre foi caótico. As pessoas é que não se deram conta destas repetições que acontecem a cada século. As guerras sempre existiram, os conflitos estavam por toda a parte, a verdade e a mentira se misturam de maneira que nos confunde, e o certo e o justo não se entendem. Temos no Brasil uma polarização na politica, como se não fossemos  pró presidente atual, teremos de ser obrigatoriamente pelo presidente anterior. Parece não haver outro caminho ou alternativa. Ou é oito ou é oitenta. Os grandes assuntos da atualidade das redes são: O Covid, a Política, a Anitta e a Guerra. Qual a novidade? A de sempre: O covid mata, a guerra mata e a política é ingrata e a Anitta, eu sei lá....
Todos querem ter opinião, criticam e criticam mas, ninguém comete qualquer ação, no sentido de solução. Autômatos que olham para o nada a esperar milagres na porta da igreja, ou melhor, na tela da TV.  FAZENDO DA VIDA UMA GRANDE NOVELA.
O valor da Guerra é incalculável, perguntem ao Putin. Mas, atente agora para o valor da PAZ. Quanto custa a paz?                                                                                                                                                              Já ouviram falar de alguém que se recusou a lutar na guerra? Pois é, eu já, e esse era um negro, de origem humilde que, em 1967 recusou-se a ir lutar no Vietnam.                                                                                  Ao se negar a servir de soldado para o governo americano, alegando que não tinha nada contra os vietcongues, o sujeito teve que enfrentar a justiça do tio SAM.
- Por que me pedem para vestir um uniforme e me deslocar 10 000 milhas para lançar bombas e balas no povo do Vietnam, enquanto os negros de Louisville são tratados como cachorros, sendo-lhes negados os mais elementares direitos humanos? Não, não vou viajar 10 000 milhas para ajudar a assassinar e queimar outra nação pobre para que simplesmente continue a dominação dos senhores brancos sobre os povos de cor mais escura mundo afora. É hora de tais males chegarem ao fim – disse, à época.

Esse homem é Mohammad Ali, simplesmente o maior campeão de box da história. Americano que não só era grande nos ringues, como também na luta pelos direitos civis dos negros nos EUA. Como punição, Ali perdeu seus cinturões, foi banido do esporte por três anos e condenado a cinco anos de prisão. Conseguiu seguir em liberdade com pagamento de fiança e teve a sentença revista e revertida pela Suprema Corte americana no final de 1970, podendo voltar aos ringues.
O preço da paz de Mohammad Ali foi de 10 mil dólares.
Deixo aqui o link do livro de um dos homens mais emblemáticos do século.
@Guerreira Xue




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sábado, 30 de abril de 2022

A DESCALÇA

Eu era um rapaz quando nesse dia vinha pelo caminho, sem um destino certo, só me apetecia andar. Olhando em minha volta, por todos os lados havia campo, e a frente uma trilha longa que mais parecia infinito. Não tinha muito que pensar, era só apreciar aquele cenário pitoresco e bonito.
Sentia um frescor novo no rosto. A liberdade é simples e um bem estar de andar naquela estrada fazia lembrar-me dos antigos ciganos, os escravos libertos ou foragidos, e os velhos mascates, esses que praticavam comércio sertão adentro, vendendo seus mais variados artigos. Todos tinham suas razões para andar. É interessante isso, chego à conclusão mais óbvia da nossa existência; nascemos para andar.
Ao pensar isso, eu me ria.
A mãe tinha panelas de barro que, ainda guardava para fazer à boa e velha moqueca. Eu amava a comida de mamãe, era o que me remetia ao paraíso na terra.
A manhã estava ensolarada e com nuvens alvas brincando de desenhar no azul do céu ... Ainda rindo ao pensar na mãe, quebra-se o encanto de liberdade, pois lembrava de que, tinha que voltar para o almoço.
Retomando o caminho de volta, sentindo a boca seca da poeira da estrada, o jovem parou numa porteira aberta para pedir um copo d'água. Havia várias casas na tal propriedade e ouviam-se longe as vozes das pessoas.
Decidindo-se, o rapaz bateu em qualquer das portas. Era uma porta de vidro e foi quando a viu se aproximando, por um momento, ele perdeu o fôlego. A morena de vestido florido vinha na sua direção num misto de curiosidade e cordialidade.
Ela tinha os cabelos castanhos atados com uma fita. Os olhos eram tão brilhantes que mais pareciam bolinhas de gude, e... Estava sem sapatos.
Era uma moça comum, e ao mesmo tempo tinha uma beleza infinita, inexplicável... O meu coração saltou de um jeito que eu não mal conseguia me conter. E gaguejando escandalosamente me apresentei como andarilho. Pedi um pouco de água. Ela sorriu prontamente e disse-me que eu podia sentar na sombra da figueira frondosa em frente de casa...
Feito um retardado obediente eu fui sentar, com a cabeça aos turbilhões. Ela foi e voltou rapidamente com uma jarra de água fresca. Enquanto a água eu bebia, ainda imaginava o que falar. Pois eu não disse absolutamente nada, e ainda tinha meu rosto em brasas. Ela me disse com naturalidade que, se quisesse podia descansar mais para depois seguir caminho.
Agradecido, despedi-me da moça e fui embora quase correndo.
Desolado e triste, porque o meu instinto gritava dentro do peito que, por covardia eu perdera algo importante.
Os anos passaram, eu envelheci, mas nunca me esqueci daquela moça descalça, e na minha lembrança ela parece ter ficado ainda mais bela...
Os netos que estavam calados até então: Mas vovô o senhor se casou com a vovó!
O velho dá um sorriso matreiro; claro que casei! Eu não poderia ser um covarde para sempre, que acham?
E todos riram ... Agora andem logo lavar as mãos, porque a moça descalça nos espera para o almoço.

@Guerreira Xue

sexta-feira, 29 de abril de 2022

A ÚLTIMA LUA

Hoje a noite cai de um jeito diferente
E a escuridão vem vazia de estrelas
O meu coração é um deserto frio que sem saber porque bate
Insiste num barulho ensurdecedor...
Nos últimos passos de um homem
O meu derradeiro desejo era vislumbrar o brilho da noite
Fumar o último cigarro
Sentir um corpo junto ao meu.
Nem me lembro da última vez que tive uma mulher.
Eis que misteriosamente a lua desponta com a força de sua grandeza.
Queria eu que tudo tivesse sido diferente
Não tive oportunidade, ou tive e não reconheci.
Desde de que nasci, não consegui mudar o meu destino em nada.
As lágrimas que me escorrem agora são inúteis.
Não choro pela minha morte, o que lamento mesmo foi a minha vida. 
 Não há nada mais para querer, e o coração aquieta. 
 Adormeço, levando no olhar a minha bela lua, escutando lá longe o latido de um cão, 
O apito do último trem. 
Lutei tanto para sobreviver. 
Agora estou finalmente em paz
...
@guerreira xue