quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ONDE HABITA O NADA

Onde habita o nada
A terra é seca
A água é parada
O céu não tem cor
Não sopra o vento
E não tem estrada

Lá onde habita o nada
Os homens não choram
E nem sorriem
As crianças não nascem
E a vida abandonada

Onde habita o nada
Não existe a dor
E tampouco o tormento
Não envelhecem ou morrem
E nada sabem do amor

Onde habita o nada
Há paz e serenidade
Pois todos estão mortos
O tudo se acabou
Extinguiu-se a vaidade

Onde habita o nada
É a própria eternidade.

Guerreira Xue

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Grande Pássaro

O dia termina e eis que a noite aparece
O pensamento, que andou o dia distante
Agora chega mais perto
Como que fosse um grande pássaro
A espera de alguém para pousar
Ele espreita suavemente e avança
E ao pensar na vida fiquei tão triste
Que desandei a chorar
Logo argumentei comigo mesma
Não é um grande drama chorar
É só chorar
Depois do berreiro, a coisa passa
Mas agora nesse momento
É chorar, e chorar muito
Com se o mundo de repente
desabasse
Como se eu desabasse
E caindo
me juntasse ao pó da terra
Sem preocupar se alguém vai condenar
É só chorar...
Seguir adiante requer tanta força
Que quase chego a entender bem
aquele que desistiu de tudo
Há uma força motriz dentro de nós
que nos impele a estagnar
Em velhos moinhos que foram
abandonados
menos por quem se deixou ficar
acorrentados
Se o ato de chorar for pena
Estou com pena de mim
com pena do mundo
Que por alguma razão se perdeu
me perdeu.
Guerreira Xue

domingo, 17 de dezembro de 2017

ENCANTOS

Encante com o teu canto
Em cada canto

Em cada estrofe
Em cada pranto

Encante o mar
E faz ele voltar

Encante a brisa
Faz o tempo parar

Encante a mim
E de-me asas para voar.

Guerreira Xue