terça-feira, 31 de outubro de 2017

MATIMPERERÊ

Dizem que tem saci naquela mata
Que ele é menino, e fuma cachimbo
De feio e perneta ele até assusta
Mas não mata.

Porque tantos nomes Saci-Cererê
Saci-saçurá e saci-trique
E podes girar tantos redemoinhos
Porque não adianta de mim se esconder
Eu sei que todos esses são voce

Áh se um dia eu te pego matimpererê
Nem quero esse teu pito fedorento
Saci-Pererê meu querido diabrete
Roubastes esse gorro de trasgo
Que o perdeu por merecimento

Posso te tomar quando quiser
Mas proteges as matas...
Meu curumin
Que de magico virou negro
O homem mau queima a floresta
Mas hás de sobreviver matita perê
até na flor do capim

Dizem que tem saci naquela mata...
Guerreira Xue



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MUDANÇA DE ESTACÃO

Em tempo de mudança... A terra se recolhe em descanso secreto E as folhas são levadas pelo vento Aquelas que não voam, jazem agora Espalhadas pelo chão É hora de finalizar o ciclo Proteger a terra, preparar-se para a brotação
Acho que nesse tempo ainda não fiz tudo o que eu queria Porque na vida sempre há muita interrupção Ao pensar nisso
sorrio... As interrupções são uma espécie de questionamento O que é mais importante o caminho ou o destino? Ora, não se pode chegar a lugar algum de mãos vazias É preciso pausa para fazer a comida Dividir as palavras Comer o pão Lamber as feridas. O recomeço é deveras dolorido, e pode até em muitos casos
Sangrar Eu sei que um dia passa Porque tudo, um dia sempre passa E que não passe o nosso amor Porque a vida sem amor É qualquer coisa sem graça. O céu agora manda uma lembrança Porque a água que cai em minha face É chuva Limpando-me da poeira da estrada Amenizando as minha rugas O que me leva a pensar na existência do criador Não que eu duvidasse disso antes Mas nesse momento me regozijo Na certeza de que aconteça o que acontecer De qualquer um que chegue cair antes do tempo Nem sempre vai morrer. Era tempo de lembrança E quando já me esquecia do que era viver Vem a mudança de estação Me trazendo as folhas secas, que apesar do outono lá fora Fez meu coração se encher de flores E gratidão.

Guerreira Xue

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A PALAVRA PELA PALAVRA

Bem dita a palavra
De palavras apalavrada
Dita a palavra maldita
Boa palavra a bendita
Maldita palavra a desdita

Tem a palavra que é dita
Há a palavra que é sussurro
Tem a palavra que não dita
Tem palavra que é zurro
E tem palavra que grita

Existe palavra que se evita
Palavra que se procura
Também a palavra que agita
A palavra que faz cura
E a palavra que te levita

Tem palavra que acorrenta
Como também a que emancipa
Tem a palavra que te mata
E aquela que ao ser pronúnciada
Te ressuscita

Bem diga a palavra
Porque essa será sempre bendita