sábado, 13 de maio de 2017

MALDIÇÃO DICOTÔMICA

Na simbologia das coisas
A vida parece um raio
E a morte assemelha ao chão

O tempo representamos nós
Flutuantes
Porque sem ele não existimos
Sustentados pelo pão

E seguimos adiante
Remando pelo mar do infinito
E aquele que vê além do horizonte
Percebe o quanto é azul
E bonito

Se não fosse os gritos da guerra
Os murmúrios da fome
As lágrimas inundadas das mães
Seria um paraíso a terra

E as bombas atômicas
Continuam explodindo a eira
O ciclo tornou-se interminável
Uma constância que se repete

Uma maldição dicotômica

Na simbologia das coisas
A vida parece um raio
E a morte assemelha ao chão.

Guerreira Xue






quinta-feira, 11 de maio de 2017

LIVROS, O QUE LER E PORQUE DE LER...

Num apanhado geral, eu gosto de ler de tudo, desde que tal escrita faça algum sentido. O tema que menos me atrai é o terror. Sou uma aficionada da História, porque nela percebe-se todo o comportamento humano, o avanço político e econômico, a estagnação ou o retrocesso de nossa espécie. Admira-me muito capacidade que o ser humano tem para destruir a si mesmo e a seguir tornar a reconstruir-se.

Um dos escritores que mais me impressiona, pela riqueza da descrição da História, na atualidade, é o José Saramago. Gosto de toda a sua obra, mas ele realmente me cativou foi com “O Memorial Do Convento” porque no livro o autor retrata a miséria de seu país com uma precisão espetacular. O autor ambienta o romance entre Blimunda que ao ver a mãe ser queimada viva, é quando se conhecem, e o maneta Baltazar, um ex combatente do exército português. A partir disso a história intercala entre a construção do convento de Mafra, a miséria do povo, a da bastança do rei, e os sonhos do casal.

O único autor que que fez isso, com igual genialidade, foi Vitor Hugo em Os Miseráveis, que retratava com perfeição a vivencia da miséria em França nos idos de 1800, em pleno período de Bonaparte. O autor foi um ferrenho na crítica da sociedade Francesa e seu livro é a prova viva desse fato, pois denúncia todos os tipos de injustiça humana, narrando a emocionante história de Jean Valjean - o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão.

Saramago no entanto, difere de Vitor Hugo no fato de que o segundo autor retratou o seu tempo atual, e o primeiro retrata a sociedade portuguesa de quase 200 anos antes “dele” nascer.
Vitor Hugo e José Saramago são escritores de época e culturas diferentes, marcantes, contundentes e humanistas.

Guerreira Xue

sábado, 6 de maio de 2017

SÓ O TEMPO

Só o tempo pode dizer
Todos os  mistérios que nos envolvem
Foram muito os caminhos que percorri
E sabes que não acredito em milagres
Só naqueles que eu mesmo consenti

Talvez dessa vez eu me permita
Mas é só o tempo que pode dizer
Somos reflexos do que projetamos
Na incansável busca do bem viver
Do amor que não tivemos
Da partilha do bem querer

Só o tempo...
Meu bem querer.

Guerreira Xue