sábado, 19 de outubro de 2013

A FONTE DOS DESEJOS

           A tarde estava tranquila, e dois turistas curiosos sentaram-se a beira da fonte. Jeni nem acreditava que estava em Roma.
- Me belisca porque devo estar sonhando, que coisa linda esta praça!
Marcelo prontamente a belisca:
- Ai!!! Não estou sonhando. Risos...
Marcelo era seu colega, e ambos cursavam cultura italiana na universidade Tor Vergata em Roma.
Cada aluno tinha sua expectativa ao concluir o curso, e no caso de Jeni que trabalhava com eventos em São Paulo, seria muito proveitoso na montagem de cardápios, escolhas de vinhos, etc etc... Já o  Marcelo tinha uma casa de massas no Rio de Janeiro e também queria se aprofundar um pouco mais na culinária italiana.
De imediato Marcelo e Jeni simpatizaram um com o outro, e sempre que podiam, escapavam-se  do grupo que acompanhavam, para suas conversas pessoais.
 E Marcelo graceja:
- Conforme manda a tradição, temos que fazer um pedido e jogar uma moeda.
Risos...
-Para que? Nãaaa... Não quero jogar meu dinheiro fora, preciso dele para realizar meus desejos. Mais risos...
- Afinal o que as pessoas pedem?
- Elas pedem dinheiro, amor, vida longa, etc etc...
E Jeni retruca sorrindo.
- O etc etc não existe , é só estas três coisas mesmo que elas pedem. Até nas histórias de gênios e gnomos são três desejos.
Eu penso que não sou rica, mas se estou aqui é porque o dinheiro não faltou, tenho um bocado de saúde também, e estou imensamente feliz. Acha que preciso demais o que?
- Mas tu não quer mais nada nesta sua vida? Um namorado, comprar uma casa, ter um cachorro quem sabe, sei lá...
- Claro que quero. E vou ter tudo, é que estou vivendo a vida devagar. A minha avó costumava dizer que o tempo é implacável, mas sempre podemos brincar com ele, andando devagar... Enquanto a maior parte das pessoas correm para acompanha-lo, algumas se retraem e impõe o próprio ritmo.
Olhe, se eu morrer amanhã nem vou lamentar, pois estarei morta mesmo. Porém, hoje estou vivendo aquilo que quero e gosto, e minha única preocupação no momento é aproveitar o máximo o curso e ver todas estas maravilhas que em geral, só vemos na TV, ou cinema, ou nas revistas.
Marcelo poe a mão no bolso e tira algumas moedas e estende uma para Jeni.
- Eu também estou bem, mas não custa seguirmos a tradição. Quem sabe isso pode ainda ficar melhor! Tome esta para voce, não ficaremos mais pobres e a cidade agradece.
Jeni ficou confusa, pois não pretendia pedir nada, mas surpresa com o oferecimento do novo amigo ela diz:
- Fazemos melhor então, me de sua moeda e eu faço um pedido para voce, e eu te dou uma moeda minha, e voce faz um pedido para mim. Que voce acha? Será divertido adivinharmos os desejos um do outro, e se não fizer bem, morrer nenhum de nós vai também.
- É meio doido isso,  mas eu topo. Veja lá o que vai pedir por mim, faz favor.
 "Não seria de todo mau se namorássemos".
E ambos fecham os olhos, como que para concentrar-se no pedido, e quase ao mesmo tempo jogam suas moedas na fonte. E continuam seu passeio pela cidade ...
Quando se despedem, Jeni pergunta:
-O que voce pediu?
-Desejos não se contam. Disse Marcelo misterioso.
Marcelo e Jeni ficaram tão próximos que mesmo acabando o curso, continuaram se falando. Ora por telefone, ora pela internet.
Tres anos depois...
Jeni e Marcelo casados e em lua de mel, estão de volta na fonte dos desejos.
-Vamos pedir de novo? Pergunta a moça amorosa.
-Vamos. E os dois trocam suas moedas novamente em sinal de total confiança.
"Encarar o que vem por ai, juntos e sempre".
Guerreira Xue/Hilda Milk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue

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domingo, 13 de outubro de 2013

MEU VELHO PAI, ELETRICISTA

MEU VELHO PAI, ELETRICISTA

Acorda bem cedo, abre a cortina,
toma um café para se concentrar,
o seu talento é uma obra prima,
com passos largos vai trabalhar.
Entra em cena esse grande artista,
meu velho pai, eletricista!

No relógio de força e no chuveiro,
luz e energia não podem faltar.
Muito serviço o dia inteiro,
almoça, retorna sem reclamar.
Sempre alegre e otimista,
meu velho pai, eletricista!

Chave de fenda, fios de cobre,
a fiação e cabos para instalar,
tem habilidade esse homem nobre
com cálculos e desenhos para interpretar.
Sobe na escada o mestre equilibrista,
meu velho pai, eletricista!

Zela com amor máquinas e ferramentas,
conhece teoria, prática e legislação.
Em casas, prédios e departamentos,
com luva e bota faz a manutenção.
Desce da escada esse grande idealista,
meu velho pai, eletricista!

O conserto, o choque, o teste, o reparo,
o serviço e a equipe para supervisionar.
Um profissional desse é muito raro,
dá uma aula na arte de trabalhar.
Ajudou muita gente esse altruísta,
Deus te abençoe, meu ídolo,
poeta da luz, meu amigo e artista,
meu velho pai, eletricista!

Luizinho Bastos
Pág 34 do Título INISIGHTS PELOS CAMINHOS DE DEUS
Edição Paulinas