domingo, 10 de março de 2013

INDO ALÉM...


Quantas vezes nos perguntamos o que nos move? O que faz haver um sentido real em viver? Sonhos que começam e terminam e por vezes estes se realizam ou não...E tornando a recomeçar outros sonhos e reterminar.
Passamos a maior parte tempo da nossa preciosa vida perseguindo as "coisas" do que cultivando nossos reais e verdadeiros afetos. Mais importante que tudo, é ter aquela casa dos sonhos fazer a viagem dos sonhos... O carro da moda, a roupas caras, o sapato, o marido rico, a moça de "família". E porque somos sempre tão selvagens e insensíveis as dores alheia, e cientes de nossas fragilidades, vamos criando uma couraça colorida e de aparência jovial distorcida pelos cosméticos de última geração, nos dedicando de corpo e alma a nosso "eu" e vivendo de uma satisfação mais ou menos "plástica"...
Soledade era moça bonita e morava na capital desde seus treze anos com o irmão, mais velho, casado e seus quatro filhos e andava já na casa de seus dezesete anos e não aguentava mais os desmandos da cunhada que só fazia cobrar por sua estadia com serviços domésticos e que cuidasse dos quatro sobrinhos pequenos.
A mãe da moça fora convencida de que na capital, Soledade e seus outros dois irmão menores, teriam melhores oportunidades de estudo e inclusão social. Os dois menores foram morar com um outro irmão recém-casado e que não tinha ainda filhos. E ambos levaram os três a morar na cidade grande onde seriam tratados como filhos (mas eram irmãos). A vida mudara completamente tomando um outro contorno, a escola era estranha, tinham roupas boas e os brinquedos apareciam como mágica, é claro que os modos teriam que mudar também.
A cobrança eram forte e acirrada agora, pois eles vinham de uma pobreza extrema para uma casa confortável e com carro a disposição na porta.
Dizem sempre, que nada dura para sempre... Penso que somos nós, que não duramos, e que nossa inconstância nos faz perder muita coisa neste percurso, e é sem querer, porque logo depois andamos de novo, em busca daquilo que ficou lá atrás, e a vida vai seguindo em sucessiva repetição, enfim...

A situação realmente ficou insustentável quando Soledade foi pega fumando, a moça tomou uma surra da destemperada esposa do irmão, que foi obrigada a comer os cigarros e ainda foi expulsa de casa.
-Volte para o buraco de onde voce nunca devia ter saído sua ingrata, voce tem mesmo é que passar fome.
Quando pensamos que sabemos tudo e tentamos mudar "a força" o destino, parece que o fracasso se reforça ainda mais...E assim foi.
Soledade ainda tentou ficar com outra irmã, mais pobre e mais simples, que tinha mas como não gostava de trabalhar ou estudar, o que acabou por culminar com seu retorno a casa da mãe.
Logo em seguida os irmãos mais novos também retornaram a casa que também já não existia, pois os pais haviam se separado. Dizer que fizeram bom uso do que aprenderam eu não sei, mas a vida foi seguindo e como a mãe e o pai deles não estavam mais juntos então ambos se viravam do jeito que podiam, porque retornar a capital não poderiam até darem "valor" e fosse como fosse, era para continuarem os estudos, mas não continuaram
Dos irmãos de Soledade um virou traficante e a outra coitada sofre muito tentando achar um amor que a supra de suas necessidades, afeto e finanças, pois sem estudo e com filhos pequenos fica ainda mais difícil, pois trabalho remunerado exige compromisso e instrução.
Alguns anos depois encontrei Soledade grávida, estava com um marido preso por crime de furto e assassinato, tinha dois filhos pequenos e ela contraíra AIDS, do qual o marido mesmo a contaminara e tudo isso antes de chegar aos vinte cinco anos...Uma tristeza de ver.
Ai Soledade ...Esta é a cara da vida besta e comum de quem não tem sorte.
Quantas Soledades existem no mundo?


"Mesmo que choremos com todas as desgraças do mundo, o lado mais negro da vida ainda esconde algumas raras flores noturna, flores estas que num reflexo da luz da lua, ainda conseguimos vislumbrar a maldita esperança. Era tão mais fácil sucumbir e terminar com tudo...Mas ela vem trazendo o sol , aquecendo  a pele, fazendo-nos sentir uma brisa leve e espanta nossas lágrimas num quase sem querer " ...
Guerreira Xue