quinta-feira, 24 de setembro de 2015

SAVE THE SÍRIA




NO DIA EM QUE ME FIZ SAUDADE.

Andei sonhando com algumas improbabilidades e, quem o faz com muita convicção como aquelas que andam praticando e, pela essência fantasiosa deste próprio fato, cedo ou tarde verá seu berrante que todo peão que se preza usa para indicar o que vem pela frente, não emitirá mais nenhum som compreensível.
Torna-se inaudível o cântico do amor que dele é exigido mais do que o amor consegue, mas por outro lado, se não custa sonhar, não custa também saber aceitar quando nos impomos as suas inaceitáveis condições e quando dele ignoramos o tamanho e largura das cercas que balizam os seus limites, mas não adianta, pois, só voltamos à realidade, no dia que nos tornamos saudade.
Ninguém fica notando em vida que está respirando, só quando é decretada a morte daquele involucro que carregamos é que os outros irão identificar o arroxeado das nossas epidermes, o enrijecer da musculatura que agora póstuma não vale aquilo que comemos  e a nutrimos tanto para fazê-la funcionar.
Quando no dia que nos impomos sermos apenas saudade é que lembramos que felicidade se cria, se mata, se inventa, se desconstrói, faz-se das tripas o coração, e esmagamos o coração como tripa imprestável.
Respirar só enquanto se vive, amar só enquanto nos faz feliz a necessidade de peles em contato.
E o olhar para trás é ácido, de uma crueldade inimaginável, sonhos que se tornaram improváveis, apesar de toda convicção colocada no veludo verde da mesa de cartas de um autentico jogo de azar dos cassinos da vida que não tem lugar para vencedores.
Tem um momento que você vai perder tudo.
Um bom antidoto é não procurar culpados e desta conduta são mestres os mais otimistas que correm para as boticas de tradicionais farmacêuticos perguntando se a poção mágica da reconciliação ainda está à venda.
Porém, sábios mesmo são aqueles que conhecem a vacina para dar ao amor a sua verdadeira imunologia.
E neste caso não é a idade que se torna boa conselheira e sim, a motivação para acreditar que sempre e, com qualquer um a história irá sempre se repetir, irá se repetir sempre que ficamos com preciosismos comparativos deste com aquele outro amor e perdemos o preciosos tempo de viver.
E quando o nosso foco fica a espreita da presunção que irá acontecer de novo naquele relacionamento, vai mesmo, a mesma coisa e se for diferente, vamos jurar de pés juntos que foi igual, pois, nossa autoestima sempre estará acima de qualquer outra verdade.
Afinal, viver é o que importa.
E para viver e não tenhamos os dias borrados  por nossas inevitáveis sandices humanas, aprendamos a perdoar, mesmo que não tenhamos a transcendência espiritual de uma Madre Teresa de Calcutá.

Paulo Tamburro
http://ptamburro.blogspot.com.br/

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

ENTRE a RESILIENCIA e a OBSESSÃO

O amor é uma porta encostada.
E entre suas fases e faces,
Debaixo do batente,
Entre as chaves e as trancas...
Entre a resiliencia e a obsessão...
Cabem mais de mil palavras,
Cabem histórias inteiras,
Cabem conversas profundas
Acerca da existencia e da resistencia
Labirintos, rios e defesas...
Cabem jogos de sedução.
Cabem passagens e outras relações,
Outras estações, outras paisagens com outras pessoas
E perspectivas diferentes pra entender
O segredo das realções humanas!
Prazeres e reflexões se sobrepondo
Em madrugadas viradas...
Cabem mudanças de ciclos,
Mudanças de sintonia,
Crises de identidade,
Propostas, escolhas e separações...
Cabem sentimentos.
A falta, a necessidade,
A esperança e a incapacidade...
E a experiencia revela,
Com uma psicologia bela,
Mas extremamente complexa
As chaves simplistas de todas as sabedorias.

Edgar Izarelli de Oliveira


HOJE PENSEI EM TI in POEMAS DO CORAÇÃO

Hoje pensei em ti diferente.
Pensei em ti como se fosse o céu
como se fosse a terra,
pensei como se fosse o ar, o vento...
Desejei-te como água...
E da sede tirei proveito de ti...
Pensei em ti como se pensa na vida.
Em todas as formas e prazeres
Pensei em ti como se ve na janela,
o horizonte infinito, o perfume no ar.
Pensei em ti como a chuva no rosto,
como o calor na pele,
pensei em ti como a nuvem circulando o espaço.
Como a bebida estonteante do vício.
Necessidade organica.
Pensei em ti como o sonho de juventude,
Um poeta amando...
Pensei em ti como música de anjos.
Sinfonia num todo...
Pensei em ti como homem,
Como pai e filho...
Pensie em ti amante...
Tocando o meu corpo.
Pensei em ti de forma diferente
Pensei em ti com alma...
Eliane Gazzi

http://www.giostrieditora.com.br/livraria/poemas-do-coracao/

terça-feira, 22 de setembro de 2015

- fragilidade -

Tudo parece sensível demais em alguns momentos...

-Somos tão frágeis, não concorda?- ela pediu com os olhos para que eu concordasse. Talvez não intencionalmente, mas era complicado dizer não para ela.

-Acredito que sim- eu disse. – Às vezes até demais.

Era uma manhã gelada aquela. As ruas tinham as calçadas escorregadias, os gramados de frente às casas eram monotonamente brancos... assim como a maioria das coisas: telhados, copas das árvores, capôs e tetos de carros... pessoas.

-Tanto que caímos como folhas de outono... sem hesitar, em tantas situações.

-Ou como algumas folhas no inverno...- eu acrescentei.

-Verdade- ela concordou, não se importando com o fato de eu tê-la interrompido.

Correu até uma pequena árvore em um dos jardins mais próximos. Não reconheci que planta seria aquela, mas as folhas, apesar não serem tão grandes, eram amplas e estavam cristalizadas, brilhavam se bem posicionadas. Havia do sol algum esforço em se mostrar, mas as nuvens- só de olhá-las eu sentia o frio se adensar- também o faziam.

Ela arrancou uma pequena rama e colocou diante de nós. Parei ao seu lado. Estranha e acanhadamente achei que não seria bom parar a sua frente. Aqueles olhos eram persuasivos demais- pelo menos para mim... seria bom enquanto não pudesse manter o contato com eles.

-Quão frágeis?- ela questionou enquanto com a mão esquerda ela segurou o mínimo cabo da rama e com a outra, usando os costumeiros dedos polegar e indicador, provocou um impacto. Um “peteleco” que fez com uma das folhas se desprendesse do restante. Caiu ao chão, mas não se quebrou... a neve não permitiu isso.

-Talvez não tão frágeis assim- ela sorriu, quase travessa. Havia decepção na careta que fez em seguir.

Talvez...

Peguei a folha ao chão...

-Às vezes somos frios demais também- eu disse. – Queremos tanto soar fortes, mas falhamos tanto que nos vemos longe do verdadeiro objetivo, um que parece se perder e só nosso subconsciente parece se lembrar...

Levantei a folha e fiz menção de entregá-la. Ela estendeu sua mão e a recebeu.

-Acho que isso novamente nos leva ao início de tudo- ela disse, percebi em seguida que ela havia corado... mesmo no frio.

-Somos todos frágeis demais. Basta que o ferimento seja grave...

-Ou que seja em nosso ponto fraco- ela completou. Meu coração ardeu nesse momento. Como eu era frágil...

Deixamos as folhas para traz, mas na esquina seguinte...

-Folhas de outono ou de inverno?- ela questionou quando parou. Não precisei pensar para entender.

-Eu... bem... sou de inverno- eu tremia. Meu coração... um bumbo agitado dentro do meu peito. – Claramente.

-Por que acha isso?- ela não parecia esperar por aquela resposta.

-Por eu ser persistente- eu respondi. – Já caí da rama tantas vezes. Mas sou frágil demais.. o bastante para retornar a ela, mesmo que minha mente peça distância. Posso ser frio de vez em quando, mas se ela cair... acho que eu cairia junto. Não para que eu esteja com ela e sejamos fracos juntos, mas para que eu possa estar com ela caso ela precise ficar de pé novamente. Sou frágil, quebradiço como todos, mas sou bom em me curar... Há uma mão que sempre me aproxima da rama se eu precisar. E você?

Ela era ainda mais frágil...

-Sou de outono... e ela gaguejou, raramente a via sem jeito- preciso de um pouco desse inverno para mim...

Eu estendi a mão, dessa vez parado de frente a ela.

-É, eu preciso desse outono também... Na verdade, eu amo ele... aliás, há uma folha em especial.

Ela apenas segurou minha mão e voltamos a caminhar. Foi simples demais... mas as coisas nunca mais foram as mesmas... se tornaram melhores. Ali, outra vez percebi, o quão frágeis somos... mesmo quando fortes.

~Elgarion

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(Imagem por Demon mathiel/ Deviantart)