sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O ENTREGADOR

O ENTREGADOR

-Quando voltar, voce traz leite amor, não esquece.
-Pode deixar. Disse Jurandir e desliga o celular.
O dia acabou e ele estava tão feliz que nem acreditava na própria sorte.
Jurandir é destes que tem a "cara" do  brasileiro que batalha todo dia, e quando volta para casa vivo, é porque venceu. 
Policial, Juiz de direito, segurança patrimonial? Que nada!O Jurandir é um entregador de mercadorias de lojas virtuais, e faz um dos itinerários mais complicados da cidade. 
A esposa dele estava grávida e o bebe chegava em novembro próximo, e Jurandir acabara de se despedir do emprego. Seu empregador não estava surpreso, talvez decepcionado seria a palavra correta. Era difícil achar algúem que aguentasse muito tempo aquela região, e Jurandir aguentou firme oito dias, mas o que se sucedeu no dia de hoje, foi a gota dágua.
-Se voce tiver vaga para o meu bairro eu continuo, mas no Campo Limpo não vou  mais. 
-Que aconteceu? Perguntou o patrão.

-Aconteceu que hoje, quase fui morto por um motoqueiro psicopata, e depois, quase fui preso por desacato. 
-Como foi isso!?
-Quando estava ainda pela Nações Unidas um motoqueiro apareceu na minha frente, assim do nada e eu quase o "peguei". O sujeito ficou tão danado comigo que começou a me seguir e eu percebendo acelerei com tudo e quando cheguei no farol vermelho, dai não teve jeito. O cara com o revolver na mão, bateu no meu vidro e disse:  "Encosta"...
-Sem opção, eu encostei, pois tinha certeza que se não parasse o cara ia me matar li mesmo, no meio do transito.
Tinha uma viatura de polícia mais ou menos uns cem metros de onde eu estava, então eu comecei a dar sinal de luz sem parar...
Quando eu parei...o cara disse "desce" eu desci  e minha cabeça fervia. Pronto, agora vou ser morto aqui. Ele disparou logo a dizer morto de raiva.
"Tu tem noção do que me fez lá atras véio!?"
"Tenho sim... voce apareceu do nada na minha frente, não teve jeito."
"Por causa desta tua arrogancia, tu vai morrer agora desgraçado!"
-E tudo acontecia ali, a poucos metros de uma viatura de policiais, eu ia morrer e ninguém via...e sinal de alerta ligado o tempo todo.
Disparei a dizer qualquer coisa: "Então tá, se voce saiu de casa com disposição de matar um pai de família, fica a vontade. Se tua consciencia te deixa leve matando um trabalhador, faz então o que te faz feliz.
-Ele estava com o revolver na minha cabeça. e eu pensei em toda a minha vida ali naquele momento. 
Ele pareceu ter se acalmado por um momento e ponderou: " Tu tá com sorte hoje véio, vou deixar passar, mas se eu te encontrar de novo na minha frente, eu não vou vacilar, tá entendendo?"
E dizendo isso ele enfiou o revolver  dentro da cintura e se foi acelerando sua moto...Demorei a me recompor, mas quando dei por mim estava no volante jogando a perua em cima do carro dos policias. Eles imediatamente saltaram assustados e irritados da viatura:
" Voce está bebado, é seu idiota?" Eu estava era com muita raiva mesmo.
" E voces estão dormindo é? Eu fui abordado ali naquele farol, por um motoqueiro maluco armado, que não me matou por um triz . Fiquei fazendo sinal para voces o tempo todo, e nem para cuidar o transito, que é seu trabalho e obrigação, voces estão!
Sem saber o que dizer, eles me olharam: "Olha como fala, podemos te prender  por desacato a autoridade.
Tirei um papel do bolso e escrevi a placa da moto e estendi a eles." Em vez de ameaçarem um trabalhador, passem esta placa adiante, porque este sim é perigoso e está armado. Passar bem!"
Pois é seu D'Avila, tenho familia para cuidar e morto, não tenho serventia alguma.
Sei que ninguém está livre de morrer no transito doido de São Paulo, mas se puder evitar, eu evito
Me salvei hoje ... Risos
Seu D'Avila não teve opção e despediu o moço.E o Jurandir foi para casa tão feliz. Estava vivo.
Guerreira Xue


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

EXISTENCIA / ESPERA

EXISTENCIA
Existe algo em mim
Existe algo em ti
Coisas boas em ambos
Um gosto imenso desse gostar
Que poderia viver disso
Não lembro mais como era antes
Não sei dizer como será depois
Vivo agora a tua espera
Para te sentir, te falar de nós dois
Há um mundo grande lá fora
E outro bem maior em nós

ESPERA
O que é a espera, senão uma esperança?
O que é a vida diante da morte
Senão um pequeno intervalo?
O que é o amor, senão brincadeira de criança?
O que faz luz, senão quebrar a escuridão?
O caminho quem faz, senão nossa próprias andanças?
Tudo parece ter seu lugar, sua cor
Quem escreve o destino, senão nós mesmo?
Quem constrói a felicidade, senão for feliz?
Até mesmo o matiz, faz parte da flor.
Enquanto um vai, outro vem
E quantas coisas ainda não fizeram
Enquanto seco minhas lágrimas , o sorriso aflora
E atos pequenos e grandes se misturam
Nossas esperas não esgotam, só descansam
O dia termina, a noite começa, e de manhã...
A espera acorda...Dona senhora.
Guerreira Xue
                                                                            

MINHAS JANELAS


Num mundo bem distante daqui
Mora alguém estranho
Não sabe quem eu sou
Quando abro a janela
A luz logo traz sua imagem
Vejo tudo que faz
Por onde Anda
Sei o que come
Que hora levanta
Só não sei o seu nome

Se acaso os olhos se tocam
Tento disfarçar
Distraio com afazeres
Mas o dia termina e...
Como quem não quer nada
Estou de novo, a olhar
Podia bem, lhe falar
Não sei o que dizer
Melhor mesmo é calar
A noite chega e...
Minhas janelas se fecham.
Guerreira Xue



                                                                                                                                      

DIAS DE GUERREIRA

DIAS DE GUERREIRA        
                                                       
Nem todos os dias posso falar de amor,
Por vezes e com frequência,
O que aparece é pura dor.
Há dias de vivencia leve
Como voltasse a adolescência
Mas tudo é muito breve
Tenho mais dias de escuridão
E a vida branca de neve
Suja igual barro.
Dias vivo no negro carvão
Sou arrastada pela tempestade
Luto para sobreviver...
Na fome de amor e pão
Cansei de fugir
Vou enfrentar a obscuridade
Perdi o medo?
Não...
Mas não vou me esquivar,
Ou me esconder da crueldade
Ou da guerra.
Tampouco me acostumar
É chegado o momento de saber
Quem sou eu na terra
De que sou feita
O que trago ao peito
O que quero para os meus
Posso caminhar para um fim?
Ter alguma esperança
Deixar um legado
Ou continuar do mesmo jeito.
Temos que escolher quem ser
Ou este monstro chamado miséria humana
Vai nos consumindo a todos.
Enfim começo a entender o significado
Sou Guerreira e vou desbravando caminhos
Ainda tendo o que viver.
Guerreira Xue
                                                                                            Imagem Net

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A PRINCESINHA TRISTE


A PRINCESINHA TRISTE 

    Era uma vez uma princesa, que morava sozinha, à beira dum bosque, num lugar que chamavam o Campo da Estrela. Era bela como um sol, grácil, alegre. Mas... no bosque moravam também uns poderes ocultos.    Eles ficaram com inveja da sua beleza. Um dia conseguiram lançar-lhe um malefício. E então ela ficou triste, não sabendo por que.
E foi-se-lhe a memória dos seus dias alegres. Até esqueceu tocar a sua viola, que antes encantava os passarinhos do bosque.
 Passava triste as tardes, num remanso do rio vizinho, onde antes fora feliz. Vagamente lembrava que tivera um amor, mas parecia-lhe que acontecera noutra vida.

No rio, fazia esforços por voltar a tocar a sua viola, mas não lhe saíam os sons que ela antes sabia arrancar às cordas. Chorou.
Então... pareceu-lhe ouvir um barulhinho, numa poça do remanso. Assustou-se. Ia levantar-se quando voltou a ouvir algo... era como um cró, cró...
Sorriu: era um sapinho, que parou de saltitar e olhou para ela, e ela para ele. Os dous, de repente iluminados pelo sol, ficaram por um instante como suspensos na calma do rio.
Então o sapo falou: princesa! Ela assustou-se outra vez, e afastou-se. Mas ele voltou a falar: não tenhas medo, princesa, não me é permitido fazer mal.
 Como sabes que sou princesa? Eu sei muitas cousas, disse o sapo, com um ar misterioso mas que a ela lhe pareceu cómico. E ela sorriu, revelando uns dentinhos brancos.

 O sapo disse: és bela, princesa! Ela voltou a sorrir. Disse ele: por que não tocas viola? Ela voltou a entristecer-se: não posso, estou triste. Mas por que? Porque me lançaram um malefício os poderes do bosque. O sapo ficou calado. Ao cabo dum tempo disse: eu sei... Então ela ficou intrigada.

 Sabes? Sim, sei: são os mesmos poderes que me fizeram a mim velho e feio. Ela olhou para ele, de repente séria: tu não és feio. Tu és bonito! O sapo ficou quietinho um bocado. Não te dou nojo? Ela riu então abertamente: não, vem aqui. E colheu-no nas suas mãozinhas divinas.         Ele fez-se então como que num burulho, todo aconchegadinho no oco das suas mãos. Estiveram assim um bocado, a olhar um para o outro. Disse ele: sei como te chamas. Sabes?, perguntou ela. Sim, mas não me é permitido dizê-lo... só a inicial.     Qual é?, disse ela. I!, disse ele. Ela sorriu, e ao sapo parecia-lhe que saía o sol outra vez.
 Estás seguro? Olha que i pode ser um som qualquer! Não! disse ele firme: é a letra mais bonita! e sei mais: remata em... mas estacou. Ela ficou intrigada. Em que?
 Bela! soltou ele, e calou, como envergonhado. Ela riu abertamente. Como gosto do teu riso!, disse ele. E tu como te chamas? perguntou ela curiosa. Ele encolheu-se outra vez, nas mãos dela. Não me é permitido... só o inicial... C!
 Sê? disse ela? Sê de ser? Se tu queres, disse ele... E aí ficaram ambos calados um bom bocado. Nas suas cabeças bailavam os significados das palavras: ser, querer...

  Se tu queres, eu sou! disse o sapo, encorajado. Quero! disse ela, com firmeza. O sapo saltou da sua mão, ficou diante dela: princesa, disse, eu também sou um príncipe... Ela ficou extasiada. Sim, continuou ele: como a ti, os poderes maléficos invejaram-me a juventude, e a beleza, e transformaram-me em sapo!
 Ela não pôde evitar um riso. Dou-te nojo? repetiu o sapo. Ela virou séria: quero-te, sapinho!
  Ele calou, a baixou-se um pouquinho, afinal disse: eu amo-te, princesa! Ela virou séria outra vez, nem triste nem alegre, mas séria.
  Como poderia eu te ajudar? perguntou ela. Não podes, respondeu ele. Só posso eu te ajudar, mas há uma condição. Qual é? quis saber ela. Ele ficou calado outra vez, também sério, também nem triste nem alegre: aginha vais saber.
  Passaram mais uns momentos, uns momentos que pareciam eternos; corria uma brisinha, o sol parecia quieto, mas mudou percetivelmente a inclinação dos seus raios.
  Ela, num impulso, acariciou o sapo; ele estremeceu-se, depois ambos voltaram ao silêncio, voltou a calma.
 Ela olhou então arredor, demoradamente: o rio, as árvores, o céu: tudo parecia transformado. E... seria possível? Sentiu algo, algo como felicidade, seria possível?
  Imediatamente, com um pressentimento, virou para o sapo... e encheram-se-lhe os olhos de bágoas... mas bágoas de felicidade: compreendeu então. O sapinho já não estava lá! A sua forma desaparecera. Não ficava... nada! Ela chorou então: soube assim que o sapinho a amava, e que fez o sacrifício supremo: a sua vida em troco da felicidade dela...
  Pegou na viola, ainda lhe arrancou uns acordes, e continuou a chorar todo o caminho de volta, mas agora chorava de felicidade, ela por fim sabia! E os poderes do bosque sumiram para sempre, no Nada!

       A princesinha voltou, à sua casinha do bosque, enxugando ainda as bágoas; agora estava feliz, porque sumiram aqueles poderes do bosque que antes a tiveram encantada; mas também estava triste, porque desaparecera aquele sapinho engraçado que aparecera na sua vida; agora vinha-lhe, aos poucos, a memória: é que fora libertada do malefício pelo sacrifício do sapinho! E ainda lembrava, ou parecia-lhe ouvir? uma voz, aquela voz que lhe dizia: princesa! com firmeza, e com toda a sonoridade das belas sílabas: amo-te, princesa!
     Ela tocava agora a sua viola; lembrava velhas músicas, de beleza cativante; e também ensaiava agora as que ela compunha, saídas do seu coração; e que ressoavam suavemente no seu quarto; mas também, passeninhamente, voltava a lembrar os velhos poderes maléficos, agora idos da sua vida, para sempre, mas que deixaram na sua bela alma uma nódoa de tristeza, da que não se conseguia libertar: e então odiava-os, e no seu seio divino sentia erguer-se outra vez o velho ódio aos três velhos poderes, como se eles ainda estivessem ali com ela, violando a intimidade do seu quarto.
     Mas por onde poderiam ter entrado, pensou ela, se eu fechei tudo? Foi comprovar: com efeito, tudo estava fechado, bem se assegurara ela de trancar a porta por dentro. Ali não podia entrar ninguém. E ainda fez força, para se certificar...
     Mas então reparou que, tão bem se fechara por dentro, que agora não podia abrir, ainda que quisesse. Forcejou, mas não pôde abrir. Por um bocado, preocupou-se; mas, depois, pensou: tenho aqui tudo o que preciso: a minha viola, os meus vestidos... comida não preciso: sou princesa! e mais nada...
     Acabou por adormecer. Mas nos sonhos voltavam os maléficos, parecia-lhe invadirem a sua alcova de bela adormecida: acordou sufocada, deu um grito: no escuro parecia ver um bode medonho...
      Esfregou os olhos; então viu que, com efeito, ela estava só. Mas... não estava só. Soluçando, quis abrir a porta: e não pôde; quis fugir pela janela: mas era alta demais: temeu cair, mancar o seu corpo grácil, ficar atirada no bosque escuro, à mercê das feras que puderem rondar... Chorou.
      Então pareceu-lhe ouvir, ou lembrou? uma voz ténue, que lhe dizia: só eu te posso ajudar, princesa... Sapinho! exclamou ela; não via o sapinho, mas ele estava ali: estava dentro dela, no seu coração!
      E voltou a falar ele: princesa: ama! O ódio levar-te-á onde não queres ir!
      Passou o tempo. Ela deixou de chorar. Mas ainda lhe vinham uns soluços, cada vez mais apagados. Quero-te, sapinho! disse então em voz alta.
       Eu sei, princesa, conheço o teu coração: tu és incapaz de odiar: só ama! Eu amo, sapinho, disse ela, mas como amar? onde estás tu? Estou em ti, sou o teu amor, que luta por se libertar das trevas do teu passado. Mas como é que não te posso tocar? Não podes, princesa, esse foi o preço que eu paguei; mas eu sim te posso tocar: sente, princesa, o meu amor, no teu coração: ali estará sempre, aninhado, dando-te vida; esquece malefícios, esquece escuros: nada poderão contra o poder deslumbrante do amor: do teu amor...
    A princesa deixou de soluçar. Foi-se à janela. Abriu. Entrou o ar da manhã. Viu o amanhecer. Ouviu os primeiros passarinhos, a cantar. Depois correu à porta: num empurrão, conseguiu franqueá-la: estava livre! riu de alegria; obrigada, sapinho, disse sem saber bem a quem se dirigia.
   Que queres de mim, sapinho? O teu bem, princesa. Sapinho: eu queria que estivesses comigo sempre, disse ela. Sempre estarei, princesa, disse ele. Estarei no teu coração, para que nunca mais entre nele o ódio, para que só sejas capaz de amar. Amar, sapinho, mas... a quem? Não terias ciúmes?
   Por muito tempo, o sapinho nada disse. Depois, com voz trémula, sussurrou: assim tem de ser, princesa; e calou. E ainda disse ela: então não queres nada mais de mim?
     Outra vez calou o sapinho. Depois disse: quero! a tua felicidade... saber-te feliz é o que eu mais quero... E apagou-se-lhe a voz. Então ela, dentro do seu peito, sentiu um salto... ela sabia! Não te deixarei nunca, disse ainda o sapinho. Obrigada, sapinho, disse ela para si...
    A princesa sabia agora que podia amar, só amar, e que nunca mais seria capaz de odiar. E deixou aberta a janela...
CHB     
                                                     

                                      Ilustrações de António Bártolo(artista plástico)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

FERREIRA GULLAR

FERREIRA GULLAR
"A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não tem voz."
- Ferreira Gullar, em artigo "Corpo a corpo com a linguagem", publicado em 1999.


Hoje FERREIRA GULLAR faz 83 anos e nós é que ficamos felizes de te-lo ainda em nosso convívio. Um grande e sonoro feliz aniversário e tudo de bom que a vida possa lhe proporcionar.

No ombro do planeta
(em Caracas)
Oscar depositou
para sempre
uma ave uma flor
(ele não fez de pedra
nossas casas:
faz de asa).

No coração de Argel sofrida
fez aterrissar uma tarde
uma nave estelar
e linda
como ainda há de ser a vida.

(com seu traço futuro
Oscar nos ensina
que o sonho é popular).

Nos ensina a sonhar
mesmo se lidamos
com a matéria dura:
o ferro o cimento a fome
de humana arquitetura.

Nos ensina a viver
no que ele transfigura:
no açúcar da pedra
no sonho do ovo
na argila da aurora
na pluma da neve
na alvura do ovo.
-Oscar nos ensina
que a beleza é leve.
Ferreira Gullar


                        Ferreira Gullar - Foto: Leticia Moreira/Folhapress

"Eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz."
- Ferreira Gullar


"Durante boa parte da vida achei que o poeta, o artista, tinha de mudar a consciência das pessoas e fazer da sua obra um instrumento dessa mudança. Hoje acho que, antes de fazer arte com esta ou aquela finalidade, você tem que fazer arte de fato."
- Ferreira Gullar

Setembro/10/2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ERA

Era que é
Que um dia será
E que já se foi

Era de passados
Do Carro de boi
Do futuro que não virá

Era de velhas histórias
Dos surdos cegos
E das poucas consciências

Era dos acasos
Das caras contingencias
Dos descasos

Era de memórias sacrificadas
De inglórias lutas
Era das vidas perdidas
e agora esquecidas

Era do homem velho
e dos novos tempos
De profundas dores

Dos heróis mortos
E batalhas brutas
E da justiça injusta

Era das cores de sangue
Era de recomeços

E das flores do mangue

Era da destruição além-mar
De sentimentos dispersos
Da desconstrução do universo

Era de nascimentos
De voce e de mim
Era de fim.

Guerreira Xue/Hilda Milk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue/


                                                               Imagem Net

                                     

domingo, 8 de setembro de 2013

Segregados

Em algum lugar do passado
Um vasto caminho de mortos
Eles fizeram atras de si
Era pela causa da terra e do mar
Umas gentes abastadas que na ansia
da terra prometida conquistar
Ungidos por um Deus de guerra
Eles, os descendentes de Adão
Que preferiam à todos dizimar
para não dividir o pão

Mas os outros eram muitos
E andavam por todo planeta
E ainda hoje, eles são tantos
E como disse o profeta
Multiplicando-se por todo os lados
São todas as cores, todas as raças
E todos os tipos de segregados

Por vezes no meio da multidão
Uma voz levanta-se
Uma bandeira é hasteada
 E entoam entao aquela Canção
Uma ode à Liberdade
E o som daquela música espalha-se
Pedindo pela Justiça e igualdade
Canto que segue o caminho dos antepassados ​​
E assombra o verdugo
Pelos quatro cantos da cidade

E mesmo agora, depois de tanto tempo passado
Espreitam pelos vales e montes
Ainda são muitos os renegados
estao todos lá, nas ruas, nos campos e pontes
Vivemos com porões, calabouços e prisões
 lotadas de inocentes
E com cidades de usurpadores e culpados
cheios de liberdade
E quem sabe um dia ainda tenha Deus
ou um qualquer que tome conta
De todos estes desgraçados
Guerreira Xue
 
                                                       Imagem Net