quarta-feira, 29 de maio de 2013

AMANARI (Água de chuva)

Há muito tempo atrás, antes das civilizações modernas, nativos habitavam boa parte da terra. Alguns dizem que estes tinham origem em um único grupo, e foram se espalhando, mudando de aspecto, gerando adaptações ao longo da jornada, para melhor suportar as temperaturas extremas porém, estes foram encontrando outros nativos pelo caminho se misturando e fortalecendo o clã com novos conhecimentos. Todo estrangeiro era bem-vindo e tratado como se fora um enviado e assim dividiam-se multiplicavam-se isso era tão comum quanto o dia que nasce ou noite que desce.
Se viessem as chuvas, subiam as encostas para se abrigarem das cheias, quando esta baixava voltavam às ribeirinhas onde a pesca era farta e o fruto não faltava.
A natureza era generosa. viver era simples e ... Morrer também.
Só nativos habitavam as terras do lado de baixo da linha do equador
Uma gente que vivia de maneira livre e absoluta, com preceitos básicos e importantíssimos para a própria sobrevivência.
O xamã da aldeia sempre contava esta história, diz que tem um grande ensinamento nela. Segundo ele, aconteceu há muitas luas, muito antes do pai do pai do pai dele.
— Nossa tribo sempre viveu aqui, na volta deste rio.
Algumas vezes tivemos de atravessar para o outro lado, por causa das chuvas...
Esta história se passou por ocasião de uma destas grandes chuvas. Quando a grande chuva passara nosso povo voltava a margem do rio, agora era hora da pesca farta.
  Era uma manhãzinha fria, a relva ainda molhada e o sol produzia pequenos arco-íris e por todo lado havia luz, de repente houve um alarido, os meninos encontraram-na.
Parecia um bicho, toda suja e enroscada de frio, mais adiante, havia outros dois que deviam ser da mesma família, estes estavam mortos. Só a pequena estava viva. Levaram-na as pressas para a aldeia, todos queria ver a menina que viera com a chuva.
O menino (curumim) orgulhoso de ter encontrado a pequena estranha ficava sempre atento a ela.
O xamã falava para o cacique e ao conselho que encontra-la com vida era um sinal de alegria para seu povo e que Amanari, assim ele a batizara, traria luz e conhecimento.
 Aos poucos e com o tempo Amanari foi ficando forte, cresceu e nunca disse de onde veio, pois não falava.
Ensinava os pequenos a nadar pois na água, a pequena parecia um peixe.

A família que a adotou tinha outros filhos, Amanari era tranquila, serena e gentil com todos.
Sua companheira inseparável era Potira (flor),sua irmã menor.
O pequeno curumim, seu salvador também ia desenvolvendo suas habilidades, conquistando o respeito dos seus, ganhando assim o nome de Abaeté (homem de honra).
Os casamentos são arranjados quando crianças, mas Amanari não tinha seu par, isso parecia não ter importância para ela. Já Abaeté era prometido a Potira. 
Um dia Abaeté já um pouco maior, pediu ao pai (xamã), para se libertar do compromisso com Potira, pois desejava Amanari por esposa. O pajé, o cacique e todos do conselho tinham consciência da importância daquela pequena que viera, não sabiam de onde, mas que trazia consigo uma paz e harmonia muito especial.
Potira teve que aceitar por bem o trato desfeito com seu prometido,chorou muito,mas concordou.,queria muito bem a irmã...E Abaeté une-se a Amanari.

Tudo corria muito bem, quando uma manhã. Amanari acorda ansiosa. Pede ao xamã que não permita que os homens saiam para a caça ou pesca, pois teriam de sair dali e logo...Muita água,dizia ela, a grande chuva estava para cair, e teriam de correr pois do contrário todos morreriam.O pajé perplexo, pois não via sinal de nada no céus nem recebera aviso algum em sonhos, não pensou duas vezes mandou que todos juntassem o que pudessem e fossem em direção ao rio, fariam logo a travessia.
Como num passe de mágica o tempo mudou e a tempestade veio. O que se sucede depois é um caleidoscópio, uma tentativa incansável de sobrevivência, todos em suas canoas remando contra a correnteza. Alguém cai n'água, e
num relance Amanari pula no seu encalço, quando volta a tona traz Potira consigo em segurança, porém a jovem não aguenta o repuxo das águas sendo engolida rapidamente pelo grande rio, desaparece ali na frente de todos.
Abaté mergulha a sua procura...
Os dias se passam e Abaeté ainda procura por sua mulher.
Nossa aldeia sobreviveu aquela grande tempestade. Graças a água de chuva.
Uma pequena que nos foi enviada para salvar.
Neste dia ninguém se perdeu...Neste dia só Amanari desapareceu...
Abaeté a procurou por muitas vezes ainda, a mulher que amava.
Dizia que ela ainda ia voltar para ele, só tinha que procurar.
Amanari só falou para salvar sua gente.
Potira se sentindo responsável pela morte da irmã sofria também, o que fazia com que os dois se aproximassem mais, e ambos firmaram compromisso novamente um com o outro.

Passando o tempo,vem o primeiro filho de Potira.
Uma menina que chega ao mundo numa manhã de muitas chuvas passadas, e outra vez os arco-íris estavam por toda volta.
Finalmente Abaeté não precisava mais procurar.

A sua Amanari estava de volta ao lar.

 Conto do livro O Ogro E A Tecelâ
 http://www.lp-books.com/loja/infantojuvenil/o-ogro-e-tecela/                

terça-feira, 28 de maio de 2013

CADE O INDIO QUE MORAVA AQUI?

Todos querem estar bem na foto, estampados na mídia com caras de plástico, ou plástica se preferirem, os salvadores do terceiro mundo, o "pai" dos pobres, e a mãe não sei lá das quantas, e está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas e o direito dos indios?
-Quem quer saber? Manda um memorando, faz favor. Isso tem que protocolar, passar pelas vias legais e não pode ser resolvido assim, da noite para o dia! Como se a questão "indígena" fosse nova.
Ganha-se muito dinheiro cultivando a pobreza e a miséria, a seca, com os negros, brancos e os chineses e bolivianos numa escravidão muito bem regulamentada neste país. Como sabemos que os índios não dão lucro, e ainda estão naquela terra toda, imagine só!
 "O povo gosta de grandes obras então construiremos uma grande usina, todos ficarão tão orgulhosos". Isso é ser brasileiro, buscar o progresso a qualquer preço. Dona Dilma ainda não resolveu a questão do emprego então, ela está dando continuidade ao auxílio. Não sou contra o auxílio, faz favor, desde que se crie mecanismos para qualificar e recolocar estas pessoas no mercado de trabalho, porque esta ajuda uma hora acaba, não há "caixa" que aguente só tirar e não repor. Mas tornemos à questão dos índios. Dizer palavrões agora seria uma ignorância de minha parte, pois tenho que ser "lúcida" e objetiva. Quando vão entender que os índios são nossa gente? Jogar uma bomba na casa destes políticos, seria um crime Federal sem sombra de dúvida, mas eles podem fazer isso com a casa dos indios? Pois estão fazendo agora, construindo uma grande Usina Hidrelétrica.
Somos todos indios neste pais, podem mentir se quiser, ter vergonha de ser, mas são todos Tupinambá, Matipu, Apium, Kariri, Kalabaça, Tabajara, Tapeba, Pitaguary, Tremembé, Kanindé, Munduruku, carijós, Potiguar e muito mais, eram em torno de duas mil nações ocupando nosso território por ocasião do decobrimento.
O estrangeiro não manda nada, e mesmo assim, nós mesmo vamos matar nossos ancestrais, os primeiros donos da terra, se não tomarmos alguma atitude no que se refere a questão dos Indios e a construção da famosa Usina Hidrelétrica Belo Monte, em Vitória do Xingu, no Pará.
Isso ainda está longe de terminar, enquanto houver um indio para reivindicar.

Guerreira Xue