sexta-feira, 25 de abril de 2014

MEU LABIRINTO

... É um cheio de ruas tortas
Os caminhos são estreitos
Tem algumas linhas retas
E muitas casinhas sem portas

Meu labirinto é grande
E foi eu mesma que inventei
Com alguns becos sem saída
E quando penso que me achei
Estou de novo, perdida

Meu labirinto é de tempo
No meu tempo de labirinto
E quando corria na noite descalça
Não importava se era noite ou vento

Hoje com saudade, eu sinto
Que niguém na volta, sabe
Nem consegue compreender
É cada um de nós, quem cria
O seu próprio labirinto de viver
Guerreira Xue/Hilda Milk                        

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Livre Arbítrio... Desde Quando?


Na busca incessante de sermos, vamos tropeçando desde o nascimento naqueles que  já são, e que sutilmente nos convidam também à ser. E entre o peso do nome ou sobrenome, da origem e da sociedade que nos cerca, somos arrastados para aquilo que a maioria governa. E o que significa isso?Que somos produtos de culturas sociais vigentes, sei lá...
Nascemos virgens, mas logo vão empanturrando-nos de informação  até as orelhas. E ai crescemos cheios de orgulho e empáfia: "Eu sou alguém,e sei tudo que é preciso para estar bem".
É quando temos todas as certezas do mundo sobre nós mesmos que, chega o fadado dia que alguém te sussurra:"Tire sua máscara, quero te ver realmente." Como assim?
Minha surpresa não podia ser maior. "és uma ingenua ou o que?"
Não demorou muito a seguir, e percebi. "Isso é uma máscara, e eu uso descarada e livremente!"
E não tenho somente uma, são várias e para todas as ocasiões.
Então hoje vou ao espelho e retiro esta ridícula máscara do riso fácil, pois como posso eu rir tanto diante de todas as misérias que assolam o mundo? Enquanto fico satisfeita com minha barriga cheia, ignoro pessoas que nunca conheci, estão morrendo de fome ou frio, na mais absoluta miséria! Enquanto as guerras matam na Siria, Africa, ou Faixa de Gaza , e mesmo aqui no Brasil, que mata-se tanto ou mais que em todos as guerras. E é aqui, que começo a chorar sem parar. Uma tristeza mesmo.
"Outra máscara, caramba!"
Lembrei-me agora das antigas viúvas rezadeiras, que eram chamadas para chorar os mortos, como se o lamento de perda da família, não fosse suficiente para mostrar sentimento, então elas eram pagas para mostrar o quanto o falecido era bom.
Lembrei-me também do circo, onde o palhaço usa a máscara da lágrima, e ainda assim arranca gargalhadas do público, do político, que de bom moço para angariar simpatias sai beijando todo mundo, do socialista que mesmo tendo posses, junta-se a maioria que não tem nada, com seu discurso de solidariedade.
Máscaras, tudo máscaras...
Quero tirar minhas máscaras, e quando tiro uma, vem uma outra e mais outra até que descubro que não sou dona de minha vontade, e que sigo regras políticas, religiosas, morais, sou simplesmente um produto social que está longe de ser livre.
Máscaras à parte chego a conclusão que, o livre arbrítio não existe, e se existe é um caminho para ser merecido e porque não dizer ser conquistado.
Guerreira Xue

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Numa Praça Tiradentes Qualquer (Abril)

_Era um dia de Abril qualquer, e ele não queria mais que liberdade.
_Como, não mais que liberdade? Se a liberdade, é tudo que se quer.
Dizia um:
_ Ele só pensava nos desafortunados, liderando os chamados inconfidentes, e não achava justo sermos explorados. Como também não foi justo ser enforcado e esquartejado.
O outro retruca:
_Ele era um idiota, pois foi o único que morreu, os companheiros livraram-se, eram filhos de endinheirados, mas o governo queria dar um “exemplo”.
Lá se vão mais de 200 anos desde a inconfidência e os ricos, ainda usam pobres para lutar suas batalhas.
Guerreira Xue /Hilda Milk                      

PALAVRAS TONTAS

São tantas as palavras
que me vem a mente agora...
E ao sair
Estas atropelam-se, umas nas outras
E um medo absurdo de perder a hora
Me toma de assalto
Queria que fosse simples dizer
E dizendo,
tirava logo isso de dentro
Também podiam virar canção
ou que fossem para longe
que o vento levasse embora
Então num repente
eu me calo
Numa louca e descabida esperança
de não ter que explicar
As palavras tontas do coração
que chegam até a boca
 e por serem deveras ridículas, não falo.
 Guerreira Xue /Hilda Milk                 

                                                                Imagem net

domingo, 20 de abril de 2014

CUIDADO

CUIDADO

É preciso tempo para pensar
mas neste corropio imenso
não penso.

É preciso tempo para amar
e cansada, quando te chamo,
não amo.

É preciso tempo para rir
e se do outro desconfio
não rio.

E fui-me perdendo
no que de mim se perdia

E quando cheguei a velho e dei pelo erro,
era já tarde e não podia.

Valter Guerreiro
                                                                         Imagem Net