quinta-feira, 24 de abril de 2014

Livre Arbítrio... Desde Quando?


Na busca incessante de sermos, vamos tropeçando desde o nascimento naqueles que  já são, e que sutilmente nos convidam também à ser. E entre o peso do nome ou sobrenome, da origem e da sociedade que nos cerca, somos arrastados para aquilo que a maioria governa. E o que significa isso?Que somos produtos de culturas sociais vigentes, sei lá...
Nascemos virgens, mas logo vão empanturrando-nos de informação  até as orelhas. E ai crescemos cheios de orgulho e empáfia: "Eu sou alguém,e sei tudo que é preciso para estar bem".
É quando temos todas as certezas do mundo sobre nós mesmos que, chega o fadado dia que alguém te sussurra:"Tire sua máscara, quero te ver realmente." Como assim?
Minha surpresa não podia ser maior. "és uma ingenua ou o que?"
Não demorou muito a seguir, e percebi. "Isso é uma máscara, e eu uso descarada e livremente!"
E não tenho somente uma, são várias e para todas as ocasiões.
Então hoje vou ao espelho e retiro esta ridícula máscara do riso fácil, pois como posso eu rir tanto diante de todas as misérias que assolam o mundo? Enquanto fico satisfeita com minha barriga cheia, ignoro pessoas que nunca conheci, estão morrendo de fome ou frio, na mais absoluta miséria! Enquanto as guerras matam na Siria, Africa, ou Faixa de Gaza , e mesmo aqui no Brasil, que mata-se tanto ou mais que em todos as guerras. E é aqui, que começo a chorar sem parar. Uma tristeza mesmo.
"Outra máscara, caramba!"
Lembrei-me agora das antigas viúvas rezadeiras, que eram chamadas para chorar os mortos, como se o lamento de perda da família, não fosse suficiente para mostrar sentimento, então elas eram pagas para mostrar o quanto o falecido era bom.
Lembrei-me também do circo, onde o palhaço usa a máscara da lágrima, e ainda assim arranca gargalhadas do público, do político, que de bom moço para angariar simpatias sai beijando todo mundo, do socialista que mesmo tendo posses, junta-se a maioria que não tem nada, com seu discurso de solidariedade.
Máscaras, tudo máscaras...
Quero tirar minhas máscaras, e quando tiro uma, vem uma outra e mais outra até que descubro que não sou dona de minha vontade, e que sigo regras políticas, religiosas, morais, sou simplesmente um produto social que está longe de ser livre.
Máscaras à parte chego a conclusão que, o livre arbrítio não existe, e se existe é um caminho para ser merecido e porque não dizer ser conquistado.
Guerreira Xue