sexta-feira, 16 de agosto de 2013

PATOLOGIA DO AMOR



O mundo gira
A vida passa
O vento voa
A porta bate
A terra brota
E o amor... Nasce

O outono chega
A folha cai
O homem espera
O dia se vai
A noite vem
E o amor... Tempera

O sol se deita
A estrela aparece
O tempo muda
O pássaro pousa
A flor abre
E o amor... Cresce

A morte vem
O fogo queima
A água lava
O dia amanhece
A semente nasce
E o amor... Continua
Guerreira Xue/Hiilda Milk



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

LUZES E SOMBRAS

Luzes e Sombras                                                                        

Entre as luzes e as sombras
Ando a busca de meu caminho
Entre o meio fio e a rua
permeio por aves e cobras
Ora  sob a luz do sol 
Por flores e por espinhos
Ora sob a luz da lua
Vou tramando ...
E tecendo a vida feito um linho
E por vezes entre erros e acertos 
Vou tropeçando ao desalinho
Entre as alegrias e tristezas
Por vezes, me persegue a dor
E lentamente, vou crescendo
Entre o céu e a terra, que existe de tudo
Existe eu e existe voce
E com inseguranças e certezas
Entre nós, há o amor.
Guerreira Xue
 
                   Imagem Net

A RAPARIGA DO SUPERMERCADO



A Rapariga Do Supermercado- 
Parte 1
Entrei na superfície comercial à pressa. As pessoas parece que gostam das compras ao fim- de- semana, quando há mais gente. Ficam eufóricas com o movimento frenético do aglomerado de gentes.
Apressado, dirigi-me depois de abastecer à pressa o cesto com o essencial para uma comida rápida. Mesmo na caixa rápida tive que esperar muito, pela minha vez para pagar.

Olhei para a rapariga que estava na caixa. Cabelos muito pretos e compridos. Uma cara angelical, com um rosto bem desenhado, metido entre uns olhos azuis cintilantes que quando olhavam, deixava qualquer um submisso ao seu encanto natural.
Percebi que a sua prática de trabalho na caixa não era muita, mas a sua simpatia substituía em muito a arte de bem-fazer. Tentei verificar se o seu corpo condizia com tanta beleza de cara, mas ela estava sentada e assim seria difícil satisfazer a minha imensa curiosidade. Como fazer que se levantasse da maldita cadeira. Quando me aproximei da minha vez de pagar, ela pegou nas minhas compras e foi passando o código de barras dos artigos e eu reparei que as suas mãos estavam cuidadas e eram também muito bonitas.
Guardei de propósito a lata de cerveja para o final e esta caiu das minhas mãos para o lado dela, quase caindo no seu colo. Ainda hoje não consegui explicar se foi de propósito. Quando a lata chegou aos seus pés, ela levantou-se para a poder apanhar. Foi aí que realmente a pude ver de forma integral.
_Desculpe… disse eu meio atrapalhado
_ oh!.. não tem importância…respondeu ela de forma simpática
_ Ainda não a bebi e já está a fazer efeito…disse eu a sorrir
Ela olhou para mim e riu-se mostrando uma dentadura branca e certa. Quando me deu o talão para pagar, ainda não tinha parado de sorrir. De facto não seria muito difícil qualquer um, ficar naquela caixa o resto do dia, tal era a beleza da rapariga. Imagino os piropos que os rapazes lhe mandavam.
Voltei mais vezes do que precisava aquele espaço comercial e sempre procurava a caixa onde ela estava. Sempre arranjava forma de dizer alguma coisa. Tenho a certeza que muitos faziam o mesmo que eu, mas então porque fazia eu o mesmo que os outros?
Cada vez que ia às compras e a via na caixa, tinha sempre a tentação de levar as minhas compras para lá. Já estava a ficar furioso comigo próprio.
Uma vez, ela ainda não me tinha visto já eu estava na sua fila e quando encarou comigo e apesar de ser muito morena, ficou vermelha e pouco à vontade com a minha presença.
Chamei-me estúpido a mim próprio. Estava-se mesmo a ver que eu já a andava a incomodar.
Decidi então, pôr um ponto final na minha ousadia. Afinal a rapariga estava a trabalhar. Pensei para mim que aquela seria a última vez que ali iria. Não era minha intenção transtornar a rapariga, a ponto de não a deixar fazer bem o seu trabalho. Quando chegou a minha vez, não havia ninguém atrás de mim para pagar, o que me deu algum conforto para a poder saudar pela última vez.
_Desculpa estar sempre a vir aqui à tua caixa…disse um pouco nervoso
_Não precisa pedir desculpa. Pode escolher a caixa que quiser
_ Confesso que venho aqui porque te acho a rapariga mais bonita que já alguma vez vi.
_Então é porque tem visto muito poucas na sua vida.
_olha hoje vou ter de pedir factura. Importas-te de pôr o teu número de telefone aí nas costas?
-Importo sim. Eu tenho namorado e estou a trabalhar.
_Desculpa…esquece o que disse
O meu nervosismo notava-se. As minhas mãos tremiam quando peguei na factura. Apressei-me a pegar nas compras e saí quase correndo. Como poderia eu ter sido tão ingénuo. Uma rapariga tão linda tinha forçosamente que ter namorado.
Mordi o lábio com remorsos de ter falado demais. Que estupidez a minha. Não precisava de sujeitar-me aquilo. Ainda bem que não estava mais ninguém na caixa, porque senão iria ser o bonito. Cheguei a casa e fugi para o meu quarto. Deixei as coisas na cozinha à minha mãe, que mais tarde me chamou:
_Daniel… já viste o que está aqui na factura que trouxeste do supermercado? Parece um número de telefone. Sabes de quem é?
Corri para a minha mãe para ver se de facto eu estava a sonhar. Não podia acreditar no que estava a ver. Era um número de telemóvel que estava escrito nas costas da factura. Só podia ser o número do telefone dela. Afinal fez aquele discurso, mas escreveu o seu número tal como eu pedira:
_ Obrigado mãe, sei de quem é…disse eu tirando o numero de telefone que marquei no meu telemóvel.
Na manhã seguinte enviei-lhe logo uma mensagem
“Obrigado por me teres dado o teu número de telefone”. “Nem reparei que o tinhas escrito”
Mais tarde recebi dela a sua primeira mensagem:
“Não era para escrever, mas como te achei um rapaz simpático aí o tens”.
“Sorte a minha. De facto nem esperava tanta gentileza. Olha queres marcar um encontro comigo?”
“Claro que sim”. “Onde queres te encontrar comigo?Pode ser amanhã na cafetaria que está em frente ao supermercado onde trabalho? Saio ás 16.00»
“Ok .Lá estarei à hora combinada.Mas se tens namorado aí será um sítio seguro?”
“Não te preocupes. Ele amanhã trabalha até mais tarde".
“Muito bem. Obrigado pelo convite. Até amanhã então”.
“Beijos”
Eu nem queria acreditar na sorte que me coubera. Ir ter com aquela linda rapariga parecia-me um sonho. Não é que goste muito de andar com raparigas comprometidas, mas enfim… também não poderia ser perfeito. Com uma mulher daquelas ao lado, qualquer um perde a cabeça.
No dia seguinte tomei banho e vesti uma roupa a estrear. Hoje valia a pena pôr um perfume israelita que são muito melhores do que os franceses. Com este perfume, até a Angelina Jolie ía atrás de mim.
Em pleno Junho, o gel com água molhada, daria um aspecto limpo e sedutor ao meu cabelo.
Calças de ganga pretas e uma tshirt preta com óculos escuros imitação de raiban, comprado no mercado dos meus amigos ciganos ,davam-me um ar extrovertido. Tudo pensado ao pormenor para aquele encontro casual,mas que poderia bem ser o encontro da minha vida.
Telefonei ao meu amigo Fernando da Opel, que me arranjou para essa tarde, o novo opel Ampera, um modelo que era o seu carro de serviço. Bem rapazes nem lhes conto.Só para controlar aquela «machine» toda elétrica com um ar agressivo e dinâmico, fiquei um bom bocado com ele a aprender.Prometi que andava só 2 horitas com ele e que um dia se arranjasse os 47.000 euros que custa a «machine» era a ele que compraria o «bruto carro». Claro que tive de lhe dizer que ia conhecer a mulher da minha vida.
Quando naquela tarde saí de casa, a minha mãe não me reconhecia. Olhou pela janela e viu o lindo carro desportivo preto onde eu me montei todo vaidoso. Ela ficou de boca aberta.
Conduzi o Opel Ampera com muito cuidado ,porque ele é extremamente silencioso e tinha de ter muita atenção aos peões, apesar de haver um sinal sonoro para esta causa, eu não estava para aprender a mexer naquela electrónica toda. Queria saber só o suficiente para me desenrascar no encontro. Curioso que cada vez que metia a mudança automática para frente ou para traz, o carro trancava logo as portas autenticamente. Fogo... que carro aquele.
Quando parei ao lado da cafetaria, senti que todos os olhares se movimentavam na minha direcção. Isto de fazer de rico tem a sua graça e na verdade eu sentia-me quase um Cristiano Ronaldo com todas as mulheres a virarem a cabeça para me verem passar. Com esta crise o carro dava nas vistas e eu que também sou jogador de futebol do Inatel, sentia-me como se jogasse no Real Madrid.
Quando me sentei na esplanada à espera daquela que possivelmente viria a ser a minha princesa, só estava uma rapariga a beber uma coca cola. Sentei-me por ali pois ainda faltavam uns cinco minutos para ela sair e nesse momento percebi que nem o seu nome eu sabia,nem idade nem onde vivia…nada de nada.Falta de cuidado da minha parte e falta de educação.Afinal saber um nome de uma pessoa, tem a sua vital importância.
A rapariga que estava na minha frente só estava a olhar para mim, o que começava a incomodar, pois não me levem a mal mas ela era digamos um bocado forte,para não dizer gorda e muito feita de cara. Não era propriamente a rapariga que um homem goste que olhem para ele,mas pensei que fosse talvez a minha beleza que ela estava a observar.Não é que eu me considerasse assim muito bonito,mas também haveria de ter algum encanto.Pelo menos nesse dia tinha-me esforçado por isso.
Quando o rapaz veio para perguntar o que queria beber eu disse:
_Estou à espera de uma pessoa, que deve estar a chegar.
Quando o rapaz voltou ao seu trabalho, olhei para a porta do supermercado na frente para ver sair a linda moça que me invadiu a alma. Acho que já estava apaixonado. Paixão à primeira vista. Pensei eu enquanto lhe escrevia uma mensagem.
“olha já estou sentado na esplanada à tua espera. Mesmo em frente ao supermercado como tu disseste”
“ Olha eu também já cá estou.Se olhares bem tu vês que eu estou sentada também junto de ti”
Olhei à minha volta. Fogo…onde que é ela estava metida que eu não a via.Enviei outra mensagem.
“Estás onde? Não te vejo em nenhum lado.”
“Olha bem.Tenho a certeza de que se olhares bem tu me vês”
Olhei mais uma vez à minha volta.Só estava aquela rapariga gorda e feia a olhar para mim agora a sorrir. Fonix…a não ser que…Espera aí…então ela fez-me isto?
Foi então que a rapariga gorducha me disse:
_ Tenho a certeza que és tu que vens para um encontro comigo. Só pode…não está aqui mais ninguém alem de ti.
_ Mas!…balbuciei eu meio atrapalhado…não eras tu que eu conheci.
_ Ai não …então quem mandou estas mensagens.Disse ela levantando-se e sentando-se na minha mesa. Eu não sabia era que eras tão bonito- disse ela passando a mão pelo meu cabelo cheio de gel.
_ Eh!...Espera aí_ disse eu retirando a sua mão de mim. Eu conheci uma rapariga ali naquele supermercado e não eras tu. Era uma rapariga diferente…assim menos…Bem desculpa.
_ Menos quê? Menos gorda não é? Pois fica sabendo que eu também trabalho ali nas caixas.Eu vi-te ali quase todos os dias a cheirar a minha amiga. Querias produto do bom não? E eu…repara bem em mim..Não me achas elegante? Vá dá-me lá um beijo ao menos.
Eu levantei-me e saí disparado dali para fora. Afinal a rapariga com ar angelical tinha-me dado o telefone da colega «gorducha«. Muito bem pensado e muito bem feito que é para eu aprender.
Esta história poderia muito bem continuar, mas a moral da história está dada. Fica à vontade de cada um imaginar o resto que aconteceu.
Manuel Maia
 Há cotinuação deste conto no blog http://senta-te.blogspot.pt/
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A VIAGEM


A Viagem                                                              

Pela fresta da janela
Percebo um raio de luar
Escuto o silêncio da floresta
E o pensamento desperto
Começa a viajar...
Nem sei direito para onde vai, 
Mas vai voar.
Eu que achava já, 
Ser a dona de mim 
Quase não consigo controlar,
Esta avalanche de sentimentos 
Que começa a me assaltar
Tudo que sei 
Está do avesso
E o que não via antes, 
Reparo agora
Há tanto que desconheço
Mas continuo a aventura 
Sem hesitar.
E minha jornada vai seguindo

Em dado momento
Num quase sem querer
Adormeço
Não tem importância 
Pois logo que acordar
Volto outra vez, a divagar.
Guerreira Xue
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

COTIDIANO


Depois de tantos acontecimentos nos últimos dias em nosso cotidiano, doses cavalares de Papa e de manifestações misturados com o campeonato nacional.Estou propensa  ao comentário filosófico.
 Barbaridade!!! Nem sei se alguém merece tudo isso. Riso...
Dos tantos caminhos que a vida nos proporciona, ainda deparamos com duas alternativas radicais, sem meio termo, as mentiras e as verdades.
Partindo do principio que nem todos tem um conhecimento em mesma proporção.As mentiras e verdades nestes casos, também variarão.
É bem verdade que toda  a mentira assumida, consagrada e incorporada, acaba na maioria das vezes por se tornar tão verdadeira quanto a rocha maciça. E vice versa.
Todos andam a cata de alguma razão especial para viver ou morrer, quando que este é um fenomeno que acontece com qualquer vagabundo, como dizia minha vó. Morre-se de qualquer coisa e em qualquer circuntancias. Porém viver ainda pode ter alguma influencia pessoal, e ainda assim requer força e vontade.
Queria poder dizer que sei direitinho como deviamos todos viver, mas  nem sei o que vou comer no almoço de amanhã... Ou seja, vire-se porque a coisa não é bem assim que funciona.
Todos os dias recebemos enchurradas de informações por todos os orifícios de  percepção e vamos intercalando nossas ações e humores em função disso.
Lembro de que não tem muitos anos e haviam muitos tabús e pouca coisa era  permitido para pessoas de "bem". A maioria "rezava" na mesma cartilha e quem não atendia a esta espectativa, imediatamente era descartado de seu ambiente, para não apodrecer as demais "batatas do saco".Na desvantagem de ser banido da familia, restava o ganho de "liberdade" desgraçada...Risos.
Voltando ao assunto que interessa, os excessos do cotidiano.
Penso que exercemos todos uma bipolaridade sem prescendentes e merce dos acontecimentos que nos cercam .
Enquanto assistimos ao Papa pregando a valorização da humildade,  aparece a violencia das manifestações pelas ruas da cidade, os índios (ainda bantendo nesta  tecla eu), que não conseguem exercer seu direito a terra  que pasmem, é garantido pela constituição federal. O Frio e a chuva castigando a vida lá fora com pessoas que morrem ao relento, e eu aqui dentro no quentinho, com problemas que parecem sempre sumir, comparados aos que jogam em minha "cara" todos os dias.
A fé é uma coisa que todos realmente tem que ter, afinal tem que haver razão para sair todos os dias da cama, não é verdade?
 Pessoalmente não critico ninguém e penso que cada administra seu viver conforme lhe convém.
O Papa Francisco tem mesmo muito carisma e aparenta uma simplicidade que faz qualquer um, se sentir importante ao contempla-lo. Claro que consideremos também, que este representa o maior poder da terra e que não deve ser dificil ser simples com toda aquela riqueza, enfim....
Tenho fé também, que acham? Acredito em quem acredita, porque quem acredita  age, e toma atitudes e muda o estado de coisas.
Me sinto cínica, hipocrita, e dona da verdade, as vezes, e não procuro mais Deus em altares ou igrejas, porque se ele existe mesmo, está dentro de mim, de voce e de qualquer um ser que habita este cosmos.
E ser feliz depende do ponto de vista. Um miserável não consegue mesmo sorrir, de barriga vazia, então a sua felicidade está num pedaço de pão, é momentanea uma vez que sentimos fome com mais frequencia que gostariamos. Um rico quer ser amado bem além do dinheiro que tem, como se passa isso também é um mistério, só se este mentir ou virar pobre. Vai entender estas confusões  de pensar, pois se o rico não fosse tão rico, e nem o pobre tão miserável...Quem sabe iam procurar outras razões para serem plenos.

Concluindo então... A felicidade pode ser um estado social!
E as dores alheias nos matam mais, do que aquelas que a gente tem.
Guerreira Xue


                                                    Imagem Antonio Fazendeiro                

terça-feira, 13 de agosto de 2013

SELO - THE VERSATILLE BLOGGER

Selo - THe Versatille Blogger
Ola boa tarde amigos(as)!

É com muita satisfação que comunico que "Os Escritores Sem Fronteiras2" recebeu aqui mais um selinho digital que nos prestigia por conteúdos interessantes e versáteis. Quem nos agraciou foi uma seguidora também blogueira Mariana Lüdi, blog http://chegadecalar.blogspot.ch/. Agradeço imenso pela deferência!
Aqui está o premio então e vou seguindo as tradicionais regrinhas também....



- Indicar quem me deu o selo

- Falar sete coisas sobre mim

- Indicar 15 blogs

Tomara que eu conheça tudo isso
Acho que sim! Risos...
Bem, como mencionei acima, fui indicada pela Mariana Lüdi, do blog http://chegadecalar.blogspot.ch/

Sete coisas sobre mim

-Tenho vício de letrinhas.
-Gosto de gente.
-Tenho dificuldade de falar de mim.
-Adoro livros velhos.
- Sou aficcionada por História de civilizações antigas.
- Acredito no amor, aquele que só termina com a morte.
-Tenho, guardadinha para os dias mais difíceis, alguma esperança.

Indicando 15 blogs
http://zemarquesdasminas.blogspot.com.br/
http://mingsart.blogspot.com.br/
http://lhengua.blogspot.com.br/
http://francisccosta.blogspot.com.br/
http://cnossosblog.blogspot.com.br/
http://morganagazel.blogspot.com.br/
http://seteramos.blogspot.com.br
https://sites.google.com/site/antoniofazendeirogaleria/
http://indiosdobrasilsomostodosirmaos.blogspot.com.br/
http://vozesdeumaescritora.blogspot.com.br/
http://angolana-a-verdadeira.blogspot.com.br
http://eupoetisaemtreinamento.blogspot.com.br/
http://www.vascolagopinto.com/
http://arferlandia.blogspot.com.br/
e por último e não menos importante.
http://chegadecalar.blogspot.ch/
Beijo grande e até mais.
Sem mais...
Guerreira Xue


O CAMINHO DO GUERREIRO

O Caminho do Guerreiro

Penso que já o disse algures mas tenho necessidade de - mais palavra, menos palavra, o repetir. Por volta dos oito anos verifiquei que os meus irmãos mais velhos me consideravam um bastardo no seio familiar, todavia tal não era verdade, não sou um bastardo pois no ano 1998, única vez que visitei Portugal nos últimos vinte anos, tive a ousadia suficiente para perguntar e obter resposta satisfatória dos lábios da minha querida e santa mãe, isto pouco tempo antes da sua morte física quando esta já tinha quase noventa anos de existência; que me garantiu que criou nove filhos e que todos eram filhos do homem com quem casou, isto é: o meu pai; mas mesmo que tal não correspondesse à realidade, que culpa pode ter uma criança dos possíveis devaneios da sua progenitora para sofrer, tal como eu sofri o desprezo de incultos irmãos e o olhar de soslaio dos analfabetos vizinhos?

Com catorze anos de idade fui condenado em Tribunal por roubo. Preso, algemado e castigado pela justiça e pelo dizer do povo, fui obrigado a suportar os olhares de escárnio das gentes do lugar, acessos de fúria e descontentamento do meu progenitor - e circunstancialmente obrigado a fugir dos meus mais queridos que adorava por instinto, caráter ou laços de sangue. Pois bem, todo esse imbróglio em que as circunstâncias me colocaram foi pura mentira. Na minha longa existência jamais subtrai a outrem o que quer que fosse sem disso ter necessidade para viver, à parte o escamotear de pequenos nadas enquanto criança a fim de me ser possível subsistir.

Com vinte anos fui punido duramente pelo meu capitão apenas por despeito de um sargento. Não foi justo. Eu apenas afirmei que lutava com esse sargento, o vencia e lhe chupava o sangue... Que tem isso de mal para ser castigado como fui? Com vinte e oito anos tive que fugir de Moçambique - as forças então no poder foram a minha casa para me limparem o sarampo... - simplesmente porque adolescente e inocente que era acreditava numa sociedade democrática e não na sociedade dita comunista. Aos trinta e oito anos publiquei por minha conta um livro intitulado: Aqui (Portugal) Moçambique, com uma primeira edição de 5.000 exemplares, esgotados em pouco mais de um ano, que foi aplaudido por vários críticos estrangeiros - é livro de referência na Sorbonne de Paris - e em Portugal ninguém falou dele. Tendo em conta o esforço que empreguei na criação desse livro, a falta de comentários à obra não terá sido injusta? Com quarenta anos fui despedido pelo meu irmão primogénito da sua próspera empresa - que na realidade se tornou grande e próspera, em muitos casos, graças ao meu labor - porque em vez de trabalhar oito horas por dia, pois era essa a minha obrigação, dedicar doze horas por dia à empresa dele. Não é para rir, é a verdade. Não foi esse gesto uma injustiça? Aos quarenta e quatro anos fui preso, roubado e condenado apenas porque confiei num canalha que julgava meu amigo e que por sua causa fui obrigado a fugir do meu próprio país que tanto amo. Com cinquenta e oito anos fui ilegalmente expulso do estabelecimento comercial que possuía na Bélgica pela polícia de Bruxelas a mando de um delegado de justiça, e posteriormente fui vigarizado por um advogado que dizia defender-me no processo do tal comércio, isto na Primeira Instância do Tribunal de Bruxelas que, sem me condenar, julgamento terminado ajuizou que eu tinha direito a um euro simbólico...

Concluindo, esta perda do meu estabelecimento avaliado ao tempo em mais de 50.000 euros colocou-me na miséria. Finalmente, aos cinquenta e nove anos, depois de quase quarenta anos de vida em comum com a mãe dos meus filhos, esta depois de uma azeda discussão no dia do meu aniversário, resolveu abandonar o lar em que vivia e fugiu para casa do nosso filho e alguns meses depois quando lhe fui bater a casa para me dar de comer... o melhor que ela fez foi chamar a polícia para me por a andar da sua porta. Como podem verificar pelo curto trecho que vos dei a ler, se resumisse a minha vida num livro sem um pouco de fantasia, o livro seria mesmo muito pequenino... Bom, vamos ao mais importante quando não..

Como não sou literato formado em Faculdade de Letras, sem engenho para criar um bom romance, resolvi continuar a escrever como sei. Penso e espero que o leitor compreensivo e interessado seguirá os meus sarrabiscos com satisfação, contudo seria bom possuir um bom fio de Ariadne para ligar os meus textos e depois, se tiver tal desejo, poderá fazer, por si mesmo, o tal romance de aventuras... que foi realmente a minha vida, separando com inteligência o real do imaginário, coragem! Não sei se o que escrevo é um romance. Talvez seja um romance.

Antigamente dizia-se que um romance era uma narração, verdadeira ou falsa, em prosa ou em verso, escrita em língua românica. Hoje diz-se que romance é uma obra de aventuras imaginárias ou retiradas da vida real e combinadas de modo a produzir livros para se ganhar dinheiro... Concluindo: o importante é ganhar dinheiro. Em verdade quando fazia os meus livros também pensava no dinheiro que daí poderia advir. Sim, nesse aspeto não sou muito diferente dos demais e sem dinheiro não é possível viver. O problema é que com os livros que vendia tinha sempre dificuldade em arranjar valia suficiente para viver com uma certa dignidade e desse modo era obrigado a arranjar qualquer emprego, trabalho ou negócio para me ir sustentado e aos meus. Por isso nunca tive a sorte de poder escrever e viver a meu gosto.

Nos próximos tempos, se os deuses me ajudarem, talvez consiga escrever e coordenar todos os apontamentos feitos ao longo da minha existência de modo a possuir os elementos que julgo mais necessários a fim de transmitir uma ideia mais exata sobre a minha personalidade. Todavia para o fazer, tenho que ir buscar alguns textos a pequenos livros que editei. Se tomarmos em consideração que esses livrinhos, para além de bastante infantis, já foram editados há muitos anos e tiveram uma tiragem muito limitada, penso que não haverá grande mal. O mais certo é não haver muitos exemplares com vida. O que vos posso garantir é que em negócios de Cafés ou trabalhar para os outros, com mais de sessenta anos não quero mais pensar. Esta coisa de escrever na terceira pessoa para evitar responsabilidades, colocar no frontispício do livro a palavra Romance para evitar comparações com a existência pessoal do autor, tudo isso é muito bonito para os verdadeiros escritores ou para indivíduos conhecidos do grande público.

Não sou filósofo conceituado, escritor de renome, político influente, estrela de cinema ou do desporto mundial. Sou apenas um indivíduo vulgar que um dia pensou em escrever para mostrar à família e aos conhecidos a razão por que em certas circunstâncias reagia de maneira diferente dos outros e depois continuou a escrever.

A realidade é que as pessoas que em mim originaram a ideia de transmitir ao papel aquilo que em situações conflituosas não queriam ouvir da minha própria boca já desapareceram quase todas deste mundo e eu mesmo já não devo viver muito tempo, dos que ainda respiram não me vou preocupar com o que de mim possam dizer ou pensar, na medida em que a existência dos seres humanos simples como eu, na sociedade dos nossos dias e na realidade é uma verdadeira lástima. Não se pode confiar em ninguém, nem nos de fora nem nos da casa. Tem que se ter cuidado com as notícias fornecidas por televisões, emissoras de rádio, jornais... Tem que se ter cuidado com o pão que se come e o vinho que se consome... Com os medicamentos e com o vestuário, com os... Vocês sabem isso tão bem como eu. Sendo assim vou continuar a escrever. Por vezes tenho que o fazer na terceira pessoa porque penso que a imagem que quero transmitir ao leitor se torna mais clara. Todavia prefiro escrever na primeira pessoa. Penso que é mais natural e mais real; é verdade que, mesmo com todas as liberdades concedidas pelas novas democracias, o escritor realista – por vezes – passa por certas dificuldades, recebe ameaças de morte, tem que viver escondido e a sua existência, por causa do seu desejo de verdade e liberdade volta-se contra ele, contudo...

Aparentemente, tendo em conta as circunstâncias em que me encontro, tenho o pressentimento que o Grande Criador cometeu um grosso erro ao escrever a peça em que me sinto inserido, - e que o prodigioso Balzac intitulou de Comédia Humana - colocando-me a representar um papel que, em princípio, não deveria ter sido escrito para um indivíduo com a minha maneira de ser. Passei toda a minha existência julgando estar a dar o melhor de mim em favor dos outros, cumprindo assim o desejo do Grande Arquiteto; finalmente sou obrigado a reconhecer a cruel realidade de toda a minha existência, ou seja: ao meditar sobre o modo como vivo, tenho que aceitar a realidade dos factos e reconhecer que vivi sempre enganado. A verdade é que os Mestres que de mim fizeram um ser espiritual, amoroso, leal, corajoso e puro, deveriam ter-me ensinado também o contrário destes conceituados preceitos e avisar-me que tais conceitos eram apenas romance... Pois que o mundo desprezível em que subsisto não possui lugar para gente simples, embora temerária, humanitária e curiosa de saber como eu, é pena!

Penso que a momentânea situação em que vivo é absurda em relação ao que deveria ser. Embora reconheça por factos evidentes que neste mundo casos idênticos ao meu existam aos molhos. Gostaria de afirmar, aqui e agora, que a necessidade que tenho de falar de tudo que me aconteceu é a tal ponto grave que quase poderia considerar tais acontecimentos como um caso de vida ou de morte. Não estou a brincar. A minha existência de um instante para o outro tornou-se de tal maneira absurda que nem sei para onde me virar. Eu sei que, aparentemente, absurda é a existência de cada um de nós todavia...

O baralhar de ideias que perpassam no meu cérebro é enorme devido às dificuldades económicas e sobretudo razões emocionais porque passo. Contudo preciso de continuar a escrever, quando não a minha saúde vai esfrangalhar-se em mil bocados e adeus escritor... Quando um indivíduo tem um objetivo e não possui valia suficiente para adquirir o que pensa ser o melhor, contenta-se com o que aparece. Se a prestigiosa marca de motores Mercedes não te dá crédito contenta-te com o crédito da Renault e cala-te...

Por vezes o necessitado sabe bem que o que se lhe oferece não é nada do que verdadeiramente precisa, mas a verdade é que a necessidade obriga. Depois, com a ajuda da imaginação, esperteza ou inteligência, o engenheiro... tenta fazer o melhor. O patrão em princípio e depois os colaboradores do ofício, no contacto direto com o público, devem ter sempre um sorriso nos lábios. A simpatia é obrigatória e faz parte do negócio. Se assim não for os clientes não vão ser número suficiente para manter o comércio ou empresa. Toda a gente sabe que, quanto mais mercadoria existir no estabelecimento ou mais imaginação e saber no cérebro do engenheiro, mais possibilidade há em prosperar.

A higiene e o bem servir, o sorriso, educação e respeito pelo local em que se labora, deve ser cuidado, depois... A que propósito vem isto? Bom, como diz o provérbio: A tenda quer-se com quem a entenda! – O que pretendo dizer é que se não estás preparado para um negócio não deves entrar nele; pois que se é verdade que no meu caso específico conheço a maneira de gerir e desenvolver positivamente qualquer tipo de comércio, reconheço também que o meu caráter demasiado sensível jamais me permitiu enriquecer. A verdade é que ao relembrar os comércios em que estive envolvido, sou obrigado a reconhecer que a mais-valia que ia produzindo nos meus negócios sempre as distribui por gente que eu pensava terem mais necessidades básicas de existência que eu, e essa é talvez mais uma das razões porque me encontro nas atuais circunstâncias.

Atualmente não compro jornais, não saio para falar com ninguém, não tenho compromissos com ninguém, não... Um dia destes fui ao Café do Sérgio Taveira e não sabia que dia era... Sempre imaginei o instante em que finalmente poderia sentar-me à minha secretária e poder, sem ter mais em que pensar, escrever e ler, mas não do modo como as coisas aconteceram e estão a suceder. Começo a ter saudades do meu Café, dos clientes, da vida corriqueira de todos os dias, dos conflitos com a minha ... Na realidade quem sou? Comerciante, tasqueiro, escritor, humanista, filósofo... Com verdade, mesmo que o não queira, pertenço pela genética a uma escola espiritual. Estudo nos laboratórios da natureza tudo quanto me é possível, perscruto os segredos da alma humana e sempre que posso, embrenho-me no mistério do cosmos.

Nos meus tempos de guerra, jovem adulto pleno de inocentes ideais patrióticos, crente e admirador do Bushido ou Caminho do Guerreiro - Código de conduta de vida para os Samurai, influenciado pelos conceitos do Budismo, Xiutuismo e Confucionismo, durante o período da ditadura militar feudal de Xogunato Tokogawa estabelecida no Japão em 1603 por Tokogawa Leyaju, os termos do Bushido ficaram formalizados no Direito Feudal Japonês - sentia-me capaz de levar o meu ideário a limites extremos. Atualmente, com mais de sessenta anos, embora a força e coragem exista ainda em mim, realmente já não possuo grandes ideais. Por isso, vou continuar o meu Caminho do Guerreiro – no bom sentido do termo Guerreiro - pois no momento não tenho intenção de praticar o ritual suicida, quer o nomeiem Seffuku ou Harakiri! Neste momento o adversário mais tenebroso com o qual travo minhas batalhas é o ressentimento e sofrimento, mas como nunca me rendi ao inimigo, ainda não vai ser desta vez que o irei fazer. Sei que qualquer dia o meu corpo terá que desaparecer, todavia, antes que tal aconteça, vou continuar a minha preparação para a batalha final.

Bruxelas
Bernardino Gomes De Oliveira
(Extracto in Companheiros de Solidão)

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A MASCARADA

A Mascarada

Desde menina, ela era linda.
Muito vaidosa e admirada
Sua mãe dizia  preocupada
Não se gabe disso,
A beleza de fora o tempo leva
Se quiser um dia ser amada,
Terá de ser capaz de mostrar
O que poucos vão ver,
O que tem dentro de você
Porque isto
So a morte pode levar

O tempo passou,
A pequena cresceu
A boniteza também floresceu
E o amor, um dia apareceu.
A bela, temendo ser abandonada.
Lembrava o que a mãe dissera
Usava uma mascara todos os dias,
Queria que ele a percebesse
Por dentro,
Moça honrada que era

Alguns Meses depois
Os namorados separados
Ela ainda solteira
E ele terminou por se casar
Com a moça mais feia da do lugar.
Guerreira Xue                                                                                          


O PEREGRINO

Ele vinha cabisbaixo e empoeirado seguindo no seu caminho de peregrinação. Sabia que tinha que pagar aquela bendita promessa. Joaquim nunca tivera nada de seu, que não fosse a sua palavra empenhada. Andava velho, manco e cansado. Também não vivia com grandes alegrias, porém respirava e tinha que ser grato por isso.
É verdade que também que o velho podia ter uma vidinha um pouco melhor, por instantes um breve sorriso aflora seu rosto enrugado. Ultimamente o homem se questionava muito."Se pudesse ser diferente", ele seria."Uma chance de mudança seria ótimo." Rir de seus repentes de vontade era uma constante e quem o visse assim, se rindo atoa todo arqueado, acharia que certamente se tratava de um maluco desvairado. E mais o sujeito pensava, mais ele ria...É claro que não no caminho de Santiago de Compostela, pois ali se encontrava toda espécie de doido... Eram bruxos e bruxas para todos os gostos."Que gente esquisita!" E joaquim se ria de novo da própria observação. A visão de Joaquim andando pela estrada de pedras com seu cajado era tão velha e rota, que lembrava aqueles profetas andarilhos descritos nas epístolas da Bíblia.

Fazia uma semana desde que começara aquela caminhada, e sua mulher nem quis saber de promessa coisa nenhuma."Não fui eu a prometer qualquer coisa, vai voce e manda lembrança para a tua santa". Ele andava aos frangalhos já, e não se aguentava mais...Sentou-se a beira da estrada para beber água que carregava em seu bornal e descansar um bocadinho...Quando já levantava-se percebe um reflexo de metal entre as pedras, remexendo com o cajado descobre uma velha lamparina. Foi toca-la com as mãos que dela saiu um genio...
- Ai homem de Deus que tu quase me mata de susto! Disse de sopetão.
- Quem não esperava mais encontrar alguém por aqui era eu, respondeu-lhe o genio com cara de poucos amigos, mas já que estamos os dois aqui, diz logo teus desejos para cada um de nós possa voltar para suas vidinhas "bestas".
- Que foi. Está com pressa? Disse o velhote matreiro a se rir.
- Não estou, sou imortal e o tempo para mim demora a passar ...É que voces humanos, são cansativos e chatos.
- É mesmo genio! Me conte mais sobre isso... Temos tempo ainda e quero mesmo companhia.
E assim foi...
- Podes fazer seus pedidos quando quiser.
- Vou pensar.
-Vais pensar o que? Estás velho, e se demorar vai morrer.E depois voces humanos só pedem a mesma coisa sempre. Fama, fortuna e mulheres e voce a esta altura já viveu muito, portanto se apresse.
-Por isso é que preciso pensar...Não quero mulheres, só quero uma que me queira. Não quero a fama mas sim, ser novamente jovem para me livrar das dores. Que mulher quererá um velhote que não dá no "couro"?
-Queres de volta a tua velha ou queres outra?
-Até queria a minha mesmo mas, ela nem quer saber de mim, faz tempo. Me dá outra boinha, faz favor.E quero um dinheiro também para não precisar mais me preocupar  com trocados, só para ter boa casa, um carrinho de passeio, uma criação, viajar quando chegar as férias etc etc...
Por vezes o velho especulava-o.-Quantos anos tem genio?
-Muitos e logo me livro desta lampada...Só eu fazer aniversário de 3mil anos.
-Não entendi.
-Isso de realizar desejos é uma condição...Ao cabo de 3mil anos nos libertamos.
-Tens que realizar  quantos desejos?
-Quantos aparecerem... E tres cada vez.
-Alguma vez voce não conseguiu cumprir  os tres?
-Uma vez, disse o genio pensativo, porém ainda tenho tempo até meu aniversário vou ter de  achar uma solução para esta "pendencia".
-Está me dizendo que uma pessoa não quis os pedidos?!
-Sim. Ela era uma menina interessante, tempos dificeis aqueles...
-Interssante como? Conte-me faz favor.
-Havia uma grande guerra na terra dos homens, quando ela me encontrou no meio dos escombros. Já havia visto outras guerras, presenciado catástrofes antes, mas esta era diferente.
Me lembro que ela arregalou os olhos quando me viu e quando lhe falei de realizar seus desejos então ,me pegou pela mão e me levou até um casarão enorme e escuro, que num primeiro momento parecia um total deserto....Ela olhou em volta para certificar-se que ninguém nos seguira e assobiou em seguida, e no escuro mesmo fui percebendo movimentos e quando dei por mim estava rodeado de crianças...Ela pediu-me para esperar mais um pouco e sumiu trazendo outro tanto de pequenos, nunca havia visto tantos juntos. Depois de algum tempo ela veio para mim e disse em voz baixa:
-Quero que todas as crianças aqui presentes nunca mais passem fome novamente.
Foi a  aprimeira vez também, que alguém pediu algo que não somente para si. Pensando agora, acho que ela nem se achava criança, pois cuidava de todas aquelas crianças.
-Ela nunca mais pediu nada para voce, e voce ficou por perto a vida toda esperando ela pedir? O genio parecia nem ter-lhe ouvido e continuou.
-Ela era moça já, e se apaixonou por um rapaz que não a quis, que idiota! Disse-lhe que podia faze-lo querer ela...Ela não deixou, se ele não a amava, é porque era de verdade aquilo, então não adiataria enfeitiça-lo, seria mentira.
Ela foi ficando velha e eu disse-lhe que se quisesse poderia ter juventude, era só pedir...Ela não quis, disse que morrer em certos momentos da vida era dádiva.
E no dia que ela morreu...Disse-lhe que poderia ser eterna..Se ela não fizesse seus dois desejos agora, eu não seria livre quando chegasse a hora...Ela olhou-me com um sorriso e disse:
-Foste tudo para mim nesta vida. Achas que poderia eu desejar mais o que? Faça voce meu querido, os pedidos por mim.
Joaquim reparou no olhar pensativo do genio.Seria possivel um genio apaixonado!
-Então está feito. Disse o genio quando acabou a peregrinação..
-Tudo isso tem preço, para conseguir manter o que pediste, tens que merecer ...Terá de aprender a ver as pessoas a tua volta, ler livros, viajar, ou peregrinar e fazer algo pelo teu semelhante...
E o velho escutava atento.
...Do contrário serás jovem e bonito por fora e velho, triste e feio por dentro...Vou agora mas, se precisar de ajuda me liga neste número qualquer dia, menos na terça, que tenho dentista. Risos...
O genio matreiro sabia que ninguém lhe procurava mais depois dos desejos atendidos mas, gostava de brincar com as possibilidades.
Joaquim voltou para casa e teve sua mansão e deu vida boa para a mulher velha que continuava a não quere-lo.Uma vez ela percebendo que o marido ficava mais jovem e bonito a cada dia, e não mais dava conta da organização da casa, sentiu-se cansada, então pediu para dar-lhe o divórcio, arrumou suas coisinhas e foi viver no interior, mas não sem antes arrumar-lhe uma boa cozinheira. Uma moça simples, jovem e boa de serviço.Não demorou muito para joaquim cair de amores pela jovem e ela parecia corresponde-lo intensamente.
E a vida foi correndo bem para o velho moço...Ele aprendeu a conversar com todos, começou a ler os livros, aprender idiomas, construir coisas ... Aos poucos foi percebendo em sua volta o que nunca havia notado antes. No mundo há pessoas...
Passou o tempo e Joaquim queria viajar...Andava inquieto que até sua mulher nova  pressentia...Ela era apaixonada por ele, mas adorava cuidar da casa.
-Quer viajar viaje, mas volte para a casa e para mim. Não sairei do lugar, prometo.
Joaquim  procurou no baú um cartão de telefone que havia  guardado há meses...Que dia é hoje? Quarta-feira...
Alo genio, lembra de mim!Tenho uma proposta vantajosa aqui...Voce já resolveu aquela questão de pendencia dos pedidos?
-Não.
-Então eu sei como vais  resolver isso. Venha que falamos com calma.
Como já  gastei meus pedidos todos, proponho uma troca...Quero viajar pelo mundo e gostaria que fosse meu companheiro de jornada, ninguém melhor que voce conhece o mundo e em troca te livro da sua pendencia. O genio escutava calado enquanto Joaquim continuava.
Arrumo tudo e saímos amanhã ao nascer do sol... Voltaremos para casa a tempo de comemorar  seu aniversário, que por acaso é no mesmo dia do meu, que acha?
O genio sabia que se havia alguma possibilidade de se safar da famosa pendencia, seria este homem que o ajudaria. E curvando-se levemente, ele disse:
-Será um prazer acompanha-lo na sua nova jornada sábio.
-Amigo, chama-me de amigo.
E de novo Joaquim saiu pelo mundo, e agora era com um outro olhar.
Tanta gente, tantas linguas e um amigo para partilhar.
Passaram os meses e quando de volta ao lar, foram ambos recebidos com festa e alegria.
No fim do dia...
Bem meu genio companheiro...Hora da minha paga.
Hoje completas teus tres mil anos...Tens dois pedidos pendentes.
O segundo pedido será, voce trazer a tua amiga de volta a vida.
Voce vai contar a ela a verdade sobre tua libertação e dizer também dos teus sentimentos reais para com ela.
-E o terceiro pedido?
-Deixe que ela se encarregue do último pedido. Seja bem feliz com mulher que tu ama meu amigo.
E de repente, o genio o fitou com um olhar diferente.
Guerreira Xue

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