quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O HOMEM E O MAR

Um sai todo dia, para pescar
Carrega consigo seu bote
A comida e a bebida
A sua rede de esperança
um cantil
E o seu velho capote

E lá se vai o homem a remar
É neste imenso mar salgado
Que no sustento da família
O pescador
Se faz sagrado

E seguindo a busca pelo pão
Segue o vivente remando
Deslizando suavemente o barco
Levando-o
Para longe do chão

O homem e a labuta no mar...
Aquele vai seu alimento buscar
Sabedor de que precisa ir
Só não sabe
Se vai retornar

Leva ele consigo
A esperança no coração
E que o corpo não desanime
É bom contar com sorte,
Pois o mar bravio talvez não permita
Que retorne a terra forte

Então o homem ao ir para o mar
Beija seus filhos com fé,
E prometendo sempre voltar
Trazendo na bagagem o pão
Guerreira Xue

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MINHAS SANDÁLIAS NOVAS

MINHAS SANDÁLIAS NOVAS

-Vou no mercado pegar pão filha, arrumem a mesa para o lanche faz favor. Já venho.
E Noemia saiu apressada ...O calor era insuportável e ela vestia vestido leve e sandalinhas de borracha. O mercado é perto de sua casa, e Noemia prefere andar, quinze minutos de caminhada que ela não dispensa por nada.
Ia Noemia  pelo caminho, pensando na vida ...Quando sua sandália quebra a tira.
"Que droga! E agora?"
Voltar para casa era mais longe que seguir para o mercado. Prática como Noemia era não teve dúvidas, mesmo envergonhada por estar descalça de uma sandália, a senhora tocou até o mercado mancando.
Risos ...
Sua sorte é que chegou rapidamente no supermercado, fez suas compras de pãozinho, manteiga e mais um par de sandalinhas de borracha, claro. Pediu a moça do caixa que abrisse o lacre da mesma para que pudesse calça-las, no que foi atendida prontamente.
Agora sentia-se confortável ...
No caminho de volta Noemia toma um susto. Uma sem-teto salta do muro de um terreno vazio, na sua frente e vem em sua direção falando baixo, quase murmurando:
-Posso pedir um minutinho de sua atenção senhora? Barrada como Noemia foi, era dificil se esquivar e a primeira coisa que passou-lhe pela cabeça foi:
"Ela vai me matar."
Era magérrima, suja, e de pês no chão.
-Estou com fome e estou grávida e queria saber se a senhora pode me dar qualquer coisa para eu comer ou um dinheiro. Dois reais e completa...
Noemia não esperou ela terminar e foi logo dizendo:
-Dinheiro eu não tenho, mas tenho pãozinho. E já ia abrindo a sacola quando, percebe que a mendiga se afasta agradecendo...Perdeu o interesse pelo pão...
Noemia mentiu, pois tinha dinheiro sim.
E ambas seguiram em direções opostas da calçada.
Como a mendiga ficou, Noemia não sabe, mas sabe bem o que sentiu quando ela se foi...
"Ela me abandonou ali, com meu pão, minha sandália nova e meu medo de morrer.'
-Que vida besta!
Guerreira Xue
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