sexta-feira, 1 de abril de 2016

O Capa Branca- e Seus Autores

Livro narra trajetoria de funcionario que se tornou paciente do Juquery
O Capa-Branca conta a historia de Walter Farias, ex-atendente de enfermagem que trabalhou e foi internado em um dos maiores hospitais psiquiatricos do Brasil

No livro O Capa-Branca, o jornalista Daniel Navarro Sonim reuniu, a partir de manuscritos e entrevistas, as experiencias de vida de Walter Farias, ex-funcionario que se transformou em paciente, na decada de 1970, do Complexo Psiquiatrico do Juquery, em Franco da Rocha, na Regiao Metropolitana de São Paulo. Numeros oficiais dao conta que naquela epoca o local chegou a abrigar quase o dobro das 9 mil pessoas que tinha condiçãã de comportar.

Aprovado no concurso publico para atendente de enfermagem, Walter e designado para cuidar de pacientes acamados ou que perambulam, alheios a realidade, pelos corredores das clmicas do Hospital Psiquiatrico. A vida do protagonista de O Capa-Branca comega a tomar outro rumo depois da repentina transferencia para o Manicomio Judiciario, onde ele convive com pacientes que cometeram crimes, alguns deles violentos e com requintes de crueldade.
A rotina no manicomio abala sua sanidade e o obriga a abandonar sua capa branca, o jaleco que os funcionarios vestiam para trabalhar. Dali em diante, a unica alternativa e a internagao. Ao se tornar mais um paciente do Juquery, passa a sentir na pele os horrores daquele lugar.
Na visao de Walter Farias, que hoje esta aposentado, as pessoas acreditam que ele tenha se tornado esquisito depois da convivencia por sete anos com os doentes. "Eu aposto que muita gente nem imagina quais sao os verdadeiros limites da loucura. Mas sera que a mente humana possui limites?", desafia Walter.

Trabalho em equipe
Para transformar esta narrativa a quatro maos em realidade, os autores decidiram criar pelo site idea.me um projeto de financiamento coletivo que levantou parte dos recursos necessarios. Alem dos financiadores, O Capa-Branca atraiu fas que colaboraram com o projeto sem cobrar nada. A designer Jussara Fino desenvolveu o projeto grafico; Fabio Bonillo, que recentemente traduziu o romance Os Luminares, de Eleanor Catton, vencedora do Man Booker
Prize em 2013, se encarregou da preparagao do texto; e Delfin, do Studio DelRey, fez a ilustragao da capa. "So precisamos pagar a revisao final e a diretora da Editora Terceiro Nome, Mary Lou Paris, decidiu imprimir e publicar o livro", comemora Daniel Navarro.
Rua Cayowaa, 895, Perdizes, Sao Paulo/SP - CEP 05018-001 fone: (11) 3816.0333
www . terceironome . com . br 

Sobre os autores
Daniel Navarro Sonim e jornalista e viu pela primeira vez o protagonista de O Capa-Branca em um programa de TV com o tema "Sou esquisito, e dai?". Apos Walter Farias contar que sonhava colocar sua historia em um livro, entrou em contato com ele e recebeu os manuscritos com suas memorias no Juquery. Assessor de imprensa com experiencia em mercado editorial, turismo, gastronomia e limpeza urbana, entre outras areas. Traduziu com a professora de russo, Karina Skvortsova, um classico da literatura infantojuvenil russa, Gorodok v tabakerke (A vila da caixinha de musica, trtulo provisorio), de Vladimir Odoievsky, ainda no prelo e inedito no Brasil.

Walter Farias, o ex-funcionario que se tornou paciente do Juquery, vive ate hoje em Franco da Rocha com sua famNia. E aposentado, pai de tres filhas e de um filho e avo de cinco netos. Compositor, ja fez mais de 400 cangoes nos mais variados estilos, como samba, sertanejo e MPB.

O Capa-Branca - de funcionario a paciente de um dos maiores hospitais psiquiatricos do Brasil
Editora Terceiro Nome (www.terceironome.com.br)
192 paginas. 14 cm x 21 cm. Brochura. ISBN 978-85-7816-144-6 - R $
Informafoes para a imprensa: Daniel Navarro Sonim [danielnavarro@ig.com.br] 11 9.9759.5388



Tratamentos Para a Loucura- do livro O Capa Branca

Bastava os pacientes ouvirem as letras E, C e T para morrerem de medo. ECT é a sigla de eletroconvulsoterapia – ou simplesmente eletrochoque. Antes de entrar no Hospital, não podia imaginar que aqueles louquinhos de cabeças raspadas recebessem choque elétrico.
Só quando participei da primeira sessão me dei conta da crueldade daquela prática.
Cerca de quarenta ou cinquenta pacientes eram submetidos ao tratamento em cada sessão. A aplicação do eletrochoque acontecia em um salão do andar térreo da Terceira Clínica. Pelo menos seis funcionários recebiam a convocação para dar conta de um paciente por vez. O primeiro colocava o louco deitado em um colchão, desamarrava ou desabotoava a calça do paciente e enfiava na boca dele um rolo de pano na horizontal. Essa técnica prevenia a quebra de dentes ou feridas no lábio, se o paciente fosse banguela. O pano também absorvia a saliva durante a sessão. O segundo funcionário ficava responsável por segurar a cabeça do paciente. O terceiro e o quarto imobilizavam o braço esquerdo e o braço direito, respectivamente, segurando os punhos do paciente com a mão ou simplesmente sentando sobre ele. O quinto se apoiava nas pernas para que os joelhos não se dobrassem.
Do lado de fora, os funcionários buscavam os pacientes da lista. Desconfiados ou já sabendo que receberiam o ECT, eram caçados dentro da clínica até serem conduzidos à sala onde acontecia a sessão. O próximo paciente entrava só depois de o anterior ter recebido o choque. Outros funcionários vigiavam os que já tinham recebido sua dose de eletricidade para ver como despertavam.
E ainda tinha o sexto funcionário, o responsável pela temida máquina do eletrochoque. Tratava-se de uma caixa de madeira rústica com aproximadamente trinta centímetros de comprimento por vinte centímetros de altura, conectada a uma tomada. Dela saía um par de fios de cobre de mais ou menos dois metros. Nas pontas de cada fio havia duas hastes metálicas encapadas medindo mais ou menos dez centímetros. E, na extremidade das hastes, duas esferas de cobre achatadas do tamanho do fundo de uma lata de cerveja serviam para conduzir a eletricidade a partir das têmporas do paciente.
O funcionário que aplicava o choque também trazia um pincel de barba e um copo com água. Antes de aplicá-lo, passava o pincel molhado nas têmporas do paciente. Em seguida, girava uma chave para ligar a máquina e esperava o ponteiro no mostrador girar até atingir o nível máximo de carga. Então, encostava as hastes metálicas nas têmporas umedecidas do paciente por alguns segundos.
A partir daí a eletricidade percorria o corpo pelos fios ligados na cabeça. As veias dos braços, mãos, pernas e pés inchavam, ficando muito avermelhadas. Estufado, o paciente estrebuchava freneticamente e se contorcia sem parar. Os funcionários tinham que segurá-lo com força para que a cabeça, os braços, costas e as pernas não batessem violentamente no chão. Eles diziam que a força do choque poderia torcer algum membro, causando lesões irreversíveis em músculos e nervos. Os funcionários então se esforçavam ao máximo para deixar o corpo do paciente o mais rígido possível, sem que envergasse. Sua boca se contraía e ele mordia o pano com força. Alguns perdiam o controle e se mijavam e se cagavam. De olhos fechados, babavam e gemiam. Após o término da sessão, dormiam profundamente. Os corpos permaneciam estirados no chão por alguns minutos.

http://www.martinsfontespaulista.com.br/capa-branca-o-481290.aspx/p

quinta-feira, 31 de março de 2016

A vida do João - por Leandro Campos Alves

  “Tudo deu início em meados do ano de mil novecentos e setenta e um, num pequeno vilarejo onde composta de poucas ruas ainda de terra batida, mas que os moradores se cumprimentavam respeitosamente como compadres.
Neste período como se a magia do amor tomasse conta do local, doze mulheres ficaram grávidas, algumas eram marinheiras de primeira viagem, outras senhoras já encerravam sua criação, vindo os caçulas, conhecidos também carinhosamente por rapa do tacho.
Também tinham aquelas senhoras que não estavam nem pensando em continuar aumentando sua prole, ou se encerrariam por ali, mas fato é que neste período, uma rua em especial ficou conhecida como rua das grávidas, pois das doze gestantes, sete delas moravam naquela mesma rua, vizinhas de sonhos e moradas.
Entre enxovais e preparações para a chegada da criançada, o ano de mil novecentos e setenta e dois chegou, e com ele os primeiros partos. A cada parto uma surpresa.
O sexo da criança parecia que também foi combinado pelo acaso da brincadeira do destino, ou por obra divina. As crianças nasciam todas meninas.
Mas eis que no meio de todas gestantes uma criança em especial parecia ter quebrado a regra daquele possível acordo celestial, e nasceu o Bendito fruto entre as mulheres, exatamente o menino que ficaria conhecido por João.
Mas seu nascimento parecia mais um jogo de cabo de guerra entre a vida e a morte, o parto que começou ao cair da tarde de uma sexta feira, só terminou no anoitecer do domingo, mesmo assim porque o médico vendo que perderia a paciente para a morte se não escolhesse salvar a vida da mãe e deixar o destino da vida do menino nas mãos de Deus, nenhum dos dois sobreviveria.
Decisão tomada o médico começou o procedimento de retirada do menino com fórceps, logo o médico viu que só um milagre salvaria a criança, pois o menino já estava completamente roxo.
Preocupado com a gestante, o médico retirou o menino do ventre materno, e em momento algum o menino chorou demonstrando estar vivo. O médico passou a criança aos cuidados da enfermeira.
O que o médico não esperava e que João era teimoso, e bota teimoso nisso!
Diante de todas complicações do parto o menino deu o primeiro murmúrio na sala ao lado, ainda nos braços da enfermeira. Ele sorrateiramente começou a recuperar a cor e a vida surpreendendo a todos os envolvidos.
Porém mesmo diante de sua teimosia a morte ainda o rondava, demonstrando sua fome pela seiva da vida.
A cor que antes era roxa, em poucas horas se transforma em um amarelão que tomava conta do pequeno corpo franzino da criança.
O médico não teve dúvidas em diagnosticar o menino e encaminha-lo para outra cidade urgentemente para uma transfusão total de sangue. Esta era a única chance da sua sobrevivência.
Enquanto os exames eram feitos e a vaga arrumada em outro hospital, eis que Deus manda seus anjos ao encontro da criança, e pelas mãos deste anjo descobriu-se que a criança estava com icterícia.
João naquele dia já se demonstrava teimoso como só, driblando a morte duas vezes.
Os anos estavam se passando e as crianças da rua das grávidas já faziam algazarra pelas ruas, eram tombos e gritarias, mas todas cheias de alegrias. Porém só se ouvia voz de meninas, João poucas vezes estava entre elas, não por questão do sexo masculino, mas pelo presente que o destino novamente deixou na vida daquela criança.
Já aos quatro anos ele ainda não andava direito, e poucas palavras murmurava, eram poucas pessoas que o compreendia, entre elas, sua mãe, seu irmão e uma vizinha que carinhosamente estava sempre por perto.
Para terem ideias de como falar com João era difícil, um dia seu irmão está brincando com ele, quanto João começou a balbuciar para seu irmão agu, agu, como se pedisse algo...
Entretanto seu irmão não estava compreendendo o pedido de João, na medida em que o jovem irmão tentava decifrar o que João queria, João por sua vez, começava a tossir desesperadamente e a enfiar-se por debaixo da mesa.  Neste momento de desespero das duas crianças a jovem mãe ouviu a bagunça e foi supervisionar o que estava acontecendo, e mais um vocabulário foi descoberto pela família, pois mãe e filho descobriram que João queria apenas beber água.
A idade do menino foi passando e eta João teimoso!
Novamente ele surpreendeu com seu desenvolvimento, como por milagre, seus passos já eram fortes, que o fez unir-se aos amiguinhos da rua, suas palavras já eram compreendidas por todos, porém com a troca de muitos fonemas.
Aleia, malia, tleis, era parte de um dialeto todo especial e único de João.
A alegria na rua das grávidas, não era mais movida pelo fenômeno da gravidez coletiva, mas pelos gritos, sorrisos e jogos de bola e pique esconde, tudo sobre os olhares atentos das mães. E aquela rua que anteriormente era a rua das grávidas, passou a ser conhecida na pequena cidade como rua das crianças. Pois em todas as tardes o número de sete crianças aumentava magicamente com a chegada dos amigos vizinhos.
Na mesma velocidade do tempo e da vida, as crianças iam crescendo e a hora da matrícula escolar estava chegando.
Naquele ano uma a uma das crianças foram matriculadas. E chegou o tão esperado momento de matricular João. O menino todo faceiro quis acompanhar sua mãe a escola para conhecer o local que todos falavam na rua que iam estudar.
Com o olhar brilhando o menino entrou junto com a sua mãe numa sala especifica do colégio para matricula, mas assim que sua mãe anunciou que estava querendo matricular o filho, as secretárias do colégio os encaminhou para a sala da diretora.
João sem saber de nada era todo empolgação.
Entretanto aquele olhar de alegria logo sairia de sua face, pois ao começarem a conversa entre a mãe do menino e a diretora do colégio que estavam a esperando na sala, João foi surpreendido ao ouvir que ele não era normal, pois a diretora querendo proteger o desenvolvimento dos outros meninos, negou firmemente a sua matricula, alegando que ele só poderia estudar numa escola para alunos especiais. Não que isso seria um problema para João, a questão maior era na cidade não tinha esta instituição de ensino, e mesmo que tivesse ele seria separado de seus amigos.
Neste momento João já escondido atrás das pernas de sua mãe, era nítido que ele não queria mais ficar naquele lugar, pois o menino foi tomado por um pavor que era claro em seu olhar. Ao presenciar o diálogo naquela sala uma das professoras do colégio se pôs a ajudar a mãe do João, e afirmou que João seria seu aluno e que nada atrapalharia o desenvolvimento dos demais.
Depois de muito dialogo e um teste com psicólogos, o menino já estava frequentando a sala de aula e começando a se alfabetizar. Dura missão, porque os sons das palavras não tinham distinção para João.
Mas eta menino teimoso, e por que não falar, tinhoso.
Mesmo com a dificuldade de distinguir os sons e fonemas, o menino foi descobrindo alguns truques para escrever e decorar as palavras, e assim começou sua alfabetização.
A idade passava e João entrava na adolescência, época de descobertas, amores possíveis e impossíveis, e sonhos, muitos sonhos.
Naquela época não existia o tal computador, telefone era para poucos, se alguém comentasse que um dia inventariam o tal celular, um aparelho que para falar não era preciso estar conectado a fios, com certeza esta pessoa seria motivo de chacotas.
                Era o mundo de João, e suas primeiras desilusões amorosas logo aconteceriam, não por sua afeição ou pela falta de romantismo, mas pelo presente que o destino lhe deu. Nos namoros da época de João, os jovens se comunicavam através de cartas com papeis coloridos, simples, de almaço ou de folhas de cadernos, também poderiam ser aqueles que tinham impressos neles carinhosos ursinhos e outros desenhos, algumas cartas eram embebidas no perfume da amada.
Mas logo na primeira carta que o menino escreveu para a sua escolhida, a espreita atrás de um poste de luz ele ouviu os risos e gargalhadas, ali ele acabava de descobrir que o amor unilateral não era suficiente para encobrir seus erros ortográficos.
João se impôs em atitude e decidiu que amores em sua vida, só aquele palpáveis cara a cara, e mesmo amando alguma menina, se por aventura surgisse a palavra escrever uma carta, ali mesmo o relacionamento acabaria.
O menino era mesmo teimoso.
Diante de todos obstáculos que surgia, ele dava seu jeito e inventava uma artimanha para enganar suas falhas.
João estava cursando a quinta série, quanto sentiu a sua primeira dor da derrota estudantil, pois naquele ano a professora que lecionava Língua Portuguesa, deixou o menino de recuperação por meio ponto, e mesmo dedicando-se aos estudos para não repetir o ano, o menino recebeu a notícia que após as provas finas da recuperação, ele estava reprovado por dois décimos de ponto.
Dois Décimos!
Um dia João ouviu de um respeitável senhor que ele deveria viver entre os índios, pois se nem falar direito sabia, quem diria escrever então, e pessoas assim nunca dariam nada na vida.
Na mesma velocidade da vida o tempo fecha as feridas, mas não apaga as marcas deixadas por ela.
O tempo é a marca dos homens, e João sempre descobria meios para driblar sua deficiência.
Para que as pessoas não descobrissem seu dialeto único, ele descobriu que ao falar depressa as pessoas não prestariam atenção nas pronuncias das letras, e sim, prestariam atenção no que ele estava falando, para não perderem o teor da conversa.
O menino homem feito casou e construí família, e por um acaso do destino o improvável aconteceria na vida dele novamente, derrubando a profecia daquele senhor.
João descobriu por acaso o amor e o prazer pelas letras e por contar histórias, um acaso que iniciou na encomenda de um livro.
Na mesma época que as tecnologias iam crescendo e surgindo, celulares eram tipo tijolão, computadores eram para poucas pessoas, e notebooks, quem diria? Quando os primeiros surgiram eram sonhos de consumo.
Diante de tantas inovações, a inclusão digital veio como outro presente na vida do João.
Com a imensa vontade de escrever sua história, ele começou a redigir seu primeiro trabalho apenas para guardar de recordação algumas poucas linhas. Porém as linhas se tornaram páginas e logo as páginas capítulos e em uma semana o que era apenas para ser uma recordação pessoal, se transformou no primeiro volume de uma história a ser revelada.
Mas mesmo assim ele guardou seus textos e escreveu outros, foi quanto pela consistência do destino novamente as portas da vida se abriram para o teimoso. Ao revelar seus primeiros livros impressos em papel A4 a alguns amigos, João foi surpreendido ao ouvir o conselho que ele deveria publicar os livros, mesmo contendo erros ortográficos.
Para um jovem que quase não nasceu, que quase não andou e falou, que por pouco não tinha estudado, o que era publicar com erros?
Só que para João era algo a mais, era quebrar a barreira do impossível.
Com apoio da família e de sua esposa, ele começou a pensar na possibilidade da publicação dos livros, e neste período ele já tinha conhecimento de uma editora virtual que publicava por demanda, porém não conhecia se realmente era eficaz e séria. Foi quando na mesma cidade ele descobriu que um jovem rapaz e muito promissor, filho de um grande amigo seu havia lançado um livro por esta mesma editora que há mais de um ano João estava conhecendo.
Naquele momento com a publicação do livro de seu amigo, João conheceu a fundo o projeto virtual sobre demanda, e dali para lançar o primeiro romance era questão de tempo.
Mas o tempo urge já dizia os antigos, e o primeiro romance como fechar e abrir dos olhos já eram realidade, quebrando todos os fatos, quebrando todos os paradigmas, e quebrando até mesmo uma realidade que o destino se impôs à vida do jovem.
Após anos de vida acompanhados por este brinquedo de palavras erradas que a vida lhe deu, a ciência descobriu que aquele jeito único de falar e ouvir os sons das palavras era uma deficiência que ficaria conhecida por dislexia.
Entretanto para o jovem isso não foi uma deficiência, nem mesmo lhe fez diferente, apenas lhe preparou para a vida. Vida que o jovem João deixou marcada, e escreveu com ela a sua própria história”.

A história e a literatura se fundem pelas linhas de um escritor, e isso digo por que a história deste jovem João relatado nesta crônica é a minha história de vida, e este texto autobiográfico que leva a minha assinatura.

Uma cronica do livro  Sonhos do autor Leandro Campos Alves
http://busca.saraiva.com.br/q/leandro-campos-alves






Em Nome do Pai

Dizer que o amor existe já perdeu o sentido
Pois Deus, que supostamente seria o Pai
Se compra por alguns trocados em qualquer igreja
Então não há como responsabiliza-lo
pelo comércio impingido pelos filhos
A terra anda desnivelada com tantos loucos a solta
E esses, são os que, tem permissão para matar.
Não diga nada, se não puder dizer.
Nunca a coragem esteve tão em falta nas sociedades vigentes.
E chorar ainda é um artifício que podemos nos dar ao luxo
Quando não houver alguém olhando.
Esperar mudanças pode ser uma pequena brecha
Mas a esperança terá de ser forte
Sem perder a sensibilidade, sem sucumbir à corrupção.
 E superar os muros da indiferença.
Porque o céu e o inferno andam juntos dentro de nós.

Guerreira Xue/Hilda Milk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue/







segunda-feira, 28 de março de 2016

Fragmentos da vida, Quando o Amor Acontece

-Aonde tu vai?
-Para qualquer lugar, onde não tenha que olhar-te.
-Tu é quem sabe. E era ela quem sabia. Por ele podiam ficar assim...
Mas ela queria compromisso, lealdade, coisa que Alberto não tinha.
-Espera Joana! Ela espera. -Não vai.
-E porque não deveria eu ir?
-Porque, aqui no fundo do meu coração, te amo.
Os olhos de Joana parecem reviver num lampejo.
-Então vamos ficar juntos, eu estou cansada de andar sozinha, para que esperar mais, se nem somos crianças?
-Como vou mudar a minha vida por tua causa querida?
Ela desvencilha-se dele, e vai embora. -Adeus Alberto.
Guerreira Xue/Hilda Milk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue/



Fragmentos da vida, O Corpo

.No instituto médico legal (IML).
-Ela foi encontrada num beco, foi estrangulada. Talvez pega de surpresa ou conhecesse seu agressor, pois morreu sem reagir.
Geraldo via isso quase todos os dias, e ainda se assustava. Uma moça bem vestida, bonita.
-Drogada? Pergunta ao médico.
-Nada
-Mas o que ela estava fazendo naquele beco?
-Provavelmente foi arrastada e estuprada, depois de morta.  A bolsa foi encontrada numa lixeira. O nome é Adélia Figueiredo, solteira, 27 anos secretária. A família já foi notificada, e querem doar seus órgãos, pois era seu desejo.
-Então resolva isso logo, e mande-me o relatório. Vou almoçar.
Guerreira Xue/Hilda Milk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue/




domingo, 27 de março de 2016

Fragmentos da Vida, Reencontro

Emocionado Marcelo espera pela ex-esposa no quebra-mar. A mulher chega trazendo um jovem na cadeira de rodas. Conversam por alguns minutos e ela se despede.
Olhando o mar, pai e filho juntos como há tempos não faziam.
Uma conversa intercalada com silêncios, cheia de entendimentos, alguns arrependimentos e ausências fortemente assinalados, mas tem uma sutil promessa de seguidas presenças entre dois mundos que andaram paralelos até aquele momento.
Dois estranhos que em comum tem, eles não sabem, porém descobrirão com paciência e tempo agora.
O sol se põe vagarosamente, e Marcelo vira a cadeira do filho seguindo calmamente para casa.
GuerreiraXue/Hilda MIlk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue
http://www.escritor-leandro-campos-alves.com


Fragmentos da vida

A menina sentada desenhava seus sonhos de coisas imaginárias, enquanto a mãe preparava o almoço. Uma distraída com as cores, e a outra com as batatas, quando alguém bate a porta. Era o homem que fazia a leitura da luz. O gato que dormia no canto se eriça todo e corre para a mãe, cercando-a como que para defende-la da invasão do estranho.
A menina continuava em seu mundo a desenhar...
O homem da luz tira a medida, entrega-lhe a conta, e vai embora. Então o gato volta a dormir e a mãe para as suas batatas.
-Vamos almoçar filha!

Guerreira Xue/ Hilda Milk
https://www.facebook.com/GuerreiraXue
http://www.escritor-leandro-campos-alves.com