sexta-feira, 31 de julho de 2015

I LOVE ZOMBIE

Era uma vez  um morto vivo que era muito mau humorado,  pois
 vivia com fome e não conseguia cerebros para comer.
Ele era tímido e tinha vergonha de abordar os vivos.
A volta para sua solitária tumba era um tormento, pois ainda tinha a vizinha de porta, uma beldade, que sempre vinha satisfeita.
Zombie era um caso perdido e só não morria de fome, porque ja estava morto.
 Um dia ela, a vizinha, com pena de Zombie perguntou-lhe se gostaria de ir junto para caçar
Relutante aceitou o convite porque andava cansado de andar faminto e não custava tentar: " perdido por um perdido por mil".
Na primeira noite foi um banquete espetacular. eram cerebros quentinhos e deliciosos.
E antes que a noite acabasse Zombie caiu de amores pela vizinha e desde então foi uma semana de muito amor e comilança.
Isso aconteceu faz tempo, pois Zumbie logo recebeu uma carta de um parente distante e teve que mudar-se para resolver problemas de familia, uma partilha de bens na Flórida.
Nunca esqueceu da vizinha jeitosa, que o ensinou a viver bem sua morte, e ainda hoje guarda uma fotografia só para lembrar-se dela.
Agora Zombie tem uma nova vizinha, e quando a familia deixa ele a convida para caçar.
A vida pode ser breve mas, a morte é eterna noite após noite.
Guerreira Xue

quinta-feira, 30 de julho de 2015

UM DIA FUI NAVEGAR




















https://www.youtube.com/watch?v=CHtbj7ZD12w

CASA DE PAPELÃO

Depois das chuvas os moradores de rua se mobilizam entre as ruas Da Direita e São Bento para reconstruir suas "casas", e a disputa por um espaço e papelão é acirrada nas portas recém-fechadas das lojas no centro da cidade. Adultos e crianças correndo para conseguir uma cama seca.

Ana é assistente social, e muito acostumada com a rotina das ruas observa aquelas pessoas a mercê do tempo e da disposição alheia. Ela sabe que não há como mante-las em abrigos ou instituições. A seu entender a rua parece surtir um efeito encantador sobre as pessoas que nela vivem.
 A moça lembra do seu tempo de garota. "Vai menina, sai a pedir logo, pois os teus irmãos estão com fome". Dizia-lhe a mãe.
Eram mendigas porque a mãe não tivera sorte na vida. O marido, seu pai, foi uma nulidade que se apossou da fortuna da esposa, e desapareceu abandonando-a com dois filhos pequenos e outro ainda na barriga.
Quando era criança Ana se perguntava sonhadora. "De que serão feitas as casas?" Pois via cada uma delas diferente da outra. Eram casas de tijolos, de madeira, algumas eram grandes, outras nem tanto. Ela não conhecia seus residentes, mas tinha certeza eram felizes dentro das casas. e os filhos tinham um pai amoroso, uma mãe cheirosa, uma comida feita com amor, e em noites frias do inverno ficavam quentinhos em suas cobertas, e não faltavam sapatos com farturas de beijos e abraços.
"Um dia vamos ter uma casa e não vai ser igual a esta, de papelão”. Porque quando chovia ficavam sem.
E a mãe escondia-se estratégicamente com os filhos menores, enquanto Ana pedia para as donas, daquelas casas lindas, um abrigo só até a chuva passar. "Algumas sequer atendiam a porta, outras davam-me um pedaço de pão e despachavam-me debaixo da chuva mesmo, e claro que eu pegava o pão, parecia que andávamos sempre com fome”.
Eram poucas às vezes conseguiam um canto seco para dormir, mas em geral era debaixo das marquises das lojas do centro da cidade que encontravam algum abrigo. E quando ficavam tristes por não conseguir que alguém os ajudasse a sair da chuva, era para animar a menina Ana disparava dizendo: "Deixe estar mamãe, um dia teremos uma casa, e não será de papelão". E as lágrimas que escorriam pela sua face eram de pura alegria, ante a possibilidade de um dia ser tão feliz quanto aquelas pessoas que viviam dentro daquelas casas.
“Pena mamãe não estar aqui, para ver que conseguimos, e foi ela que manteve a mim e meus irmãos vivos, e gratidão é a única palavra que me ocorre neste momento”.
Guerreira Xue