segunda-feira, 6 de junho de 2016

Maria Faxineira

Maria é uma faxineira que trabalha em casa da Geni que é psicóloga, e numa convivencia cordial de longa data as duas mulheres relacionam-se admiravelmente bem. Em geral é Maria quem escuta pacientemente a patroa em seus anseios e desabafos, mas hoje a situação está diferente. Ao perceber a empregada alterada Geni, muito a contragosto a interpela, afinal Maria é tão pacata que parece nunca ter grandes problemas existenciais.
-Ah D.Geni eu queria mesmo que a vida não fosse tão dura com quem está só, e que não machucasse o coraçóes já tão sofrido. É preciso que aprendamos a perdoar e dar uma oportunidade a mais. Não acho justo condenar um semelhante a vida toda. E aquele que se elege a palmatória do mundo, também há de pagar o seu preço.
O "castigo" não é prerrogativa em casos fora de tribunais, e mesmo nos tribunais quando isso acontece é impingida uma pena por um juiz, e a mesma tem terá prazo para ser extinta. Não é isso D.Geni?  Então porque a maioria que cumpre a pena ao sair da prisão ainda seguem condenadas?

Uma vez  conheci uma menina que era tão linda! E ela passou pela minha vida como quem passa um verão e se vai, depois nunca mais tive notícias, até alguns meses atrás.
-De que voce está falando Maria?
-Era um dia comum, desses que só vale lembrar por causa do telefonema. "Voce se lembra de Lena, pois é ela está mal, com AIDS e sem ter onde ficar, literalmente na rua". Claro que eu me lembrava de Lena, como podia esquecer-me de minha irmã? E Geni escutava a mulher tagarelar
- Era uma velha tia que há muitos anos não falava comigo, mas resolveu hoje me ligar. As vezes fico chateada  por isso, pois para dar uma notícia boa ninguém liga D.Geni.
Mas eu tinha que perguntar. "Como assim na rua, e o marido e os filhos"?  "Sem marido, filhos, ou sequer o pai, ninguém quer saber dela". Ao ouvir o relato todo fiquei chocada. Não queria acreditar que pessoas mesmo da família, eram incapazes de estender os braços para quem precisa. Como esperar generosidade quando ninguém é? A falta de humildade cega-nos a maioria das vezes, pois todos cometemos erros na vida, mas este de não acolher a quem precisa é o pior deles.
Geni percebe surpresa o quanto conhece pouco a Maria, essa pessoa que era sua faxineira, uma função parecia ser somente um detalhe, pois pouco importava se fosse advogada ou catadora de papelão, Geni intuía no fundo da alma que se precisasse de um gesto grande ou pequeno de Maria para ajudar alguém, ela com certeza o faria.
- E agora Maria? - Minha irmã vem morar comigo. Eu espero sinceramente poder ajuda-la com carinho e compreensão, e vou precisar de ajuda.
-Vai sim Maria. Vou Marcar para ela atendimento psicológico gratuito. E se mais pessoas tivessem atitudes como essa que voce está tendo agora o mundo não seria tão cheio de misérias.
- Obrigada D.Geni.
Passados alguns dias...
- Minha irmã chegou D.Geni.
-Sim! E como ela está?
- Um pouco debilitada, mas vai ficar bem. Estou bastante aliviada por ela estar comigo agora.
-Que bom Maria! Eu espero que sejam felizes juntas.
- Eu também.
Ambas sabiam que talvez não desse certo, mas talvez desse. Então o que mais precisavam no momento era de vontade, e isso certamente Maria tinha de sobra.
Guerreira Xue/Hilda Milk