quinta-feira, 1 de maio de 2014

RELATIVIDADES DO MUNDO ÀS AVESSAS

Sabe aqueles dias, que voce tem vontade de ficar na cama, só para não se distrair com nada a não ser pensar livre e solto? Ou que voce ande com aquelas famosas crises existenciais do tipo: "Descaso, ou compro uma bicicleta?" Pois é..."Depressão!"
E quando voce perde alguém que ama muito, e se chorar convulsivamente sua perda? "Depressão!"
É interessante como na nossa cultura evolutiva desenvolvemos esta questão do sofrimento pessoal.
Lembrei-me de uma professora de história que uma vez disse em sala: "Depois que inventaram o Gardenal não há necessidade construir-se mais hospícios, pois estamos sob controle." A risadaria foi generalizada...

No estado atual todos se dizem loucos e estranhos, então se houver alguém que se diga "saudável" desconfie, porque este é que deve ser o louco e está fora do contexto. Risos...
É claro que ninguém gosta de sofrer, e vamos combinar que os laboratórios farmaceuticos estão ai para isso, amenizar as nossas dores, seja estas do corpo ou da alma. Áh! Sem esquecer  um pequeno detalhe, seus donos andam enchendo a burra, com o nosso "suadinho" e minguado salário.
É acompanhando a tendencia que percebe-se que exitem mais farmácias do que supermercados nas cidades, e isso sinaliza aos especuladores onde investir melhor seu dinheiro."Dá-lhe, fabricar drogas então!"
Todo excesso provoca doenças e isso é público e notório. 
Os remédios não curam, mas tratam ( segundo alguns entendidos, todo tratamento tem inicio, meio e fim ), e aliviam nossos sintomas físicos, e há também os ansiolíticos e barbitúricos que inibem as funções cerebrais e que enquanto agem, amortecem fazendo-nos esquecer nossos sentimentos e fantasias. 
Pessoalmente, eu prefiro chorar as minhas dores existenciais ou perdas até que elas passem mesmo, e quer saber? Elas passam e transformam-se, marcando naquelas lembranças boas guardadas num lugarzinho bem secreto da minha mente.
Passar pela vida sem marcas deve ser igual a árvore que nunca deu frutos, e que nenhum pássarinho fez ninho, ou um rio que nunca ninguém bebeu água, ou sem peixe.
Neste mundo doido que vivemos agora, ter lembranças é uma dádiva e disso não devemos abrir mão.
Chorar dói, mas sorrir conforta, e a liberdade é um exercício de vida, então... Exercite a sua.
Guerreira Xue                     
                                                            Imagem net

quarta-feira, 30 de abril de 2014

PRECONCEITOS, COMO SE PERPETUAM?

PRECONCEITOS, COMO SE PERPETUAM? 

Moleque pobre, tangenciando a miséria, em subúrbio carioca, cresci de pés descalços e peito nu, correndo pelas ruas, em grupos, jogando futebol em campos improvisados, esmerando-me para que cada molecagem superasse a anterior, de maneira a compensar a santa surra de cada dia.
Conhecíamo-nos pelos nomes e até sobrenomes, já que juntos e misturados na escola também, mas raramente fazíamos uso deles, substituídos por apelidos, pseudônimos, alcunhas... O que melhor definisse cada um.
O de baixa estatura era o tampinha, cu de cobra, miúdo, baixinho, meio copo, cotoco...
O gorducho, uma festa: bolão, bolota, bolinha, baleia, foca, pastel (até hoje não sei porque)...
O alto: espanador (da lua), poste, gigante, girafa...
E os negros, que de tantos e de diferentes apelidos, para não serem confundidos, daria um livro: nego, negão, tição, tziu (um passarinho preto), bola sete, charuto, asfalto, apagou, picolé (de asfalto), jabuticaba, anu (outro pássaro preto), mico, miquinho, muçum (um peixe preto, que dá na lama), queimado, carvão...
E a cada gol nos abraçávamos, e íamos ao cinema juntos e juntos às festas, brigando todos juntos, contra grupo rivais, de outras ruas, e nos cotizávamos para comprar a bola ou reembolsar por vidraça quebrada, antes que fossem cobrar aos nossos pais.
Bulling? Não havia uma mídia carente de sociologismos importados nem uma faculdade de direito em cada esquina, fabricando bandos de advogados de prontidão, prontos para arrancar indenizações por danos morais, fosse por um puta que o pariu no trânsito ou um peido em público, como agora.
Gritávamos “chega aí charuto” e o amiguinho vinha, natural e rindo, como se tivesse ouvido João, Pedro ou José, respondendo “o que foi que houve, tampinha?”
Nossas namoradas? Avaliadas pelo mesmos critérios e recebendo os mesmos apelidos, e não era estranho o transparência (era albino) estar namorando uma negra, mais alta do que ele, ou eu estar apaixonadinho por uma gorducha, totalmente fora dos padrões atuais.
Por serem meninas eram todas igualmente cobiçadas.
Agora, se o meu filho chega em casa elogiando ou reclamando de um coleguinha, e o trata por charuto, eu imediatamente o corrijo, dizendo-o para não repetir isso.
Nesse momento, exatamente nesse momento, quando mostrei ao meu filho que ele e o coleguinha são diferentes, colaborei com o racismo.
Por trás do “politicamente correto” esconde-se a hipocrisia.
Quando me abrigam a chamar de afro descendente o negro, de comunidade a favela, de gay o viado (é assim que o homossexuais se tratam entre eles e os próximos, ainda que não homossexuais, e não se ofendem)... Estão fazendo comigo o que faço com o meu filho, ao não permitir que ele chame o seu melhor amigo de charuto.
E isso chega na política, quando, ao ser contra cotas para negros e pobres nas escolas e universidades, contra o Bolsa família, as bolsas de estudos... E reclamar do excessivo número de carros nos engarrafamentos, porque ficaram acessíveis aos pobres, ou das filas nos aeroportos, por causa do enorme aumento de demanda...
Estou sendo “politicamente correto”, hipocritamente mascarando o meu racismo, o preconceito social e o ódio de classe, ainda que contraditoriamente eu seja pobre, em atestado de que sou um alienado coxinha.

Francisco Costa
https://www.facebook.com/francicorcosta?fref=ts

segunda-feira, 28 de abril de 2014

XINGÚ

O Parque Indígena do Xingu é considerado a maior  reserva do gênero no mundo.
 Criado em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, foi resultado de vários anos de trabalho e luta política, envolvendo os irmãos Villas-Bôas, ao lado de Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Café Filho e muitos outros.
Segundo pesquisas, vivem na área do Xingu, aproximadamente, 5 500 índios de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil: caribe, aruaque, tupi e macro-jê. Centros de estudo, inclusive a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, consideram essa área como sendo o mosaico linguístico puro do país. As tribos que vivem na região são: cuicuros, calapalos, nauquás, matipus, icpengues (todos de tronco linguístico caribe), meinacos, uaurás, iaualapitis (tronco linguístico aruaque), auetis, camaiurás, jurunas, caiabis (tronco linguístico tupi), trumais (língua isolada), suiás (tronco linguístico macro-jê);já tendo ainda morado na área do parque os panarás (kreen-akarore), os menbengokrês (caiapós) e tapaiunas (beiço-de-pau).
Criado o Parque Nacional do Xingu, posteriormente denominado Parque Indígena do Xingu, em 1961, Orlando Villas-Bôas foi nomeado seu administrador-geral.
No exercício dessa função, pôde melhorar a assistência aos índios, garantir a preservação da fauna e da flora da região e reaparelhar os postos de assistência. Ainda como administrador do parque, Orlando Villas-Bôas favoreceu a realização de estudos de etnologia, etnografia e linguística a pesquisadores não apenas nacionais como de universidades estrangeiras. Autorizando, ainda, a filmagem documentária da vida dos índios, deu margem a um valioso acervo audiovisual. A épica empreitada dos irmãos Villas-Bôas é um dos mais importantes e polêmicos episódios da antropologia brasileira e da história indígena. A concepção do Parque Indígena do Xingu, os custos para sua implementação e suas drásticas consequências, o constante ataque de madeireiros e latifundiários e as políticas indigenistas do estado brasileiro são temas importantes para a reflexão sobre o significado de toda esta experiência.

A criação do parque foi uma das consequências da Expedição Roncador-Xingu e da chamada "Marcha para o Oeste", movimento planejado sob o governo de Getúlio Vargas para conquistar e desbravar o coração do Brasil. Iniciada em 1943, o desbravamento adentrou a região central do Brasil, desvendou o sul da Amazônia e travou contato com diversas etnias indígenas ainda desconhecidas
E graças a liderança dos irmão vilas-Boas que o carater militarista da marcha para oeste foi transformado em uma expedição de contato, pacificação e respeito para com os diversos povos indígenas da região centro-oeste brasileira.
Um trabalho reconhecido em todo mundo como um dos mais importantes para a preservação da diversidade das pessoas.
fonte de pesquisa: pt.wikipedia.org/


      CLAUDIO E  ORLANDO VILLAS BOAS expedição da década de 1940