sexta-feira, 15 de novembro de 2013

NÃO SEI CHORAR

Anuncio-vos que impostura encarnada aqui,
A pouco mais de meio século,
Há um menino que se recusa debutar adulto
E penetrar no mundo dos que sabem tudo.

Meio insano em seu propósito de entender,
Mais não faz que sorrir, em todas as gradações:
Risos, sorrisos, gargalhadas... As vezes comedido,
Mas quase sempre sem peias e amarras, freios
Diante do que só se pode risível porque ridículo.

Ri-se dos que de punhal em punho dizem, sérios,
“não vai doer” e dos que roubam por engano
E teorizam tudo com definições exatas e precisas,
Seja porque deu na televisão ou o pastor falou.

Ri-se do “só a cabecinha” e do “depois te pago”,
Do “se eu eleito for” e do “foi Deus que me disse”,
Certo de que palavras são máscaras de intenções.

Ri-se de si próprio de caniço e anzol na mão,
Vendo peixes acenarem longe que não virão,
Esperando musas acorrentadas no anonimato
E miragens que, próximas, tornam-se pó.

Sempre na contramão da sensatez
Mais não faz do que rir, não aprendeu a chorar.

Como tudo é relativo e se define no oposto,
Nada encontrou ainda que não fosse risível,
Por isso não aprendeu a chorar.

É provável que aprendendo se sinta feliz.

Francisco Costa
Rio de Janeiro, 23/09/2013.            
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