sexta-feira, 26 de abril de 2013

CONFABULANDO COM MESTRES

"Poetas e Poesia"

Deve-se crer que se o que disse Quintana
for de fato real, ele passarinho, eu seria asa
e ambos, estaríamos num ninho, fora de casa!

Pois de nada adianta se atravancar a liberdade,
pois, as asas do pensamento que é irmão do
sentimento é o caminho e sem pedra...
Mesmo aquela de Drummond, sendo vista no passado
onde ela existia, mas tinha uma pedra, foi-se,
voou, bateu asa... a pedra!

E mesmo que ela ali estivesse, a pedra ...
Ela não seria impedimento, pois nela também
se atesta o real fato de ser, a mesma, poesia.
Portanto, ninguém se atrasa diante desta, afinal
Manoel, aquele, o de Barros, tinha razão
Poesia e voar fora das asas!

Afinal, só de ouvir passar o vento já nos basta,
não é Pessoa? O Fernando, certo?
Mesmo nisso que não se vê, o ar, ali está...
ela a nos tomar, com ou se asas...

E assim voando, encerramos,
claro que com a luz brotada das pedras do amado
Victor Hugo onde chispadas, as pedras, nascem,
brotam, faíscas que se sente no olhar da mente, alma
que fala em poemas, emoção que não cala poesia,
se chocando, em atrito, revelando-se em chama, fogo
este que arde inclemente em nós ... Sempre!

"Poetas e Poesia II"


Há quem diga que sou ácida,
mas, para provar do mel é preciso o gosto
agridoce da minha boca que diz e cala
e eu até diria que ousada não sou
sou como você me vê, já dizia Clarice
ventania na inconstância dos versos
harmoniosa na brisa do afago
depende, com certeza...
... de como e quando você me vê passar
tudo e tão somente você ... o resto... é tolice!

Incompreendida? Não, nunca fui
sempre entendida em tudo e nos pormenores
e da incompreensão entendo serenamente
que é tão somente a poda de Cecília Meireles
que me ensinou a ser inteira
observando as primaveras, sendo como a lua...
fases ou faces... por vezes sozinha, por vezes só sua...
... portanto romântica!

Ah! E quem diria...
que também viria essa tal de Prado
a Adélia meus amigos que de mim fez caso
quando afirmou que de vez em quando Deus
nos tira a poesia e da pedra, ela só vê a pedra,
nada mais ... que coisa não!!! Não é que é de fato
a magia se desfaz quando não estamos a contento
e por isso também, como ela, prefiro o sonho
que me enche as noites e extravasa ao dia e mais ...
preenche a vida e ainda ... não morre!

Pois é essa pequena dissertação para apresentar-me
em meio ao fenômeno natural do feminino cobiçado
desejado, mas jamais visto em suas reentrâncias...
E lá estou de novo com minhas palavras tortas a te
confundir e te fazer perder-se de mim ...

Não, não te perturbes se já não sabe quem sou,
como me entender, faça como Hilda Hilst nos ensinou:
Olha-me de novo porque me olhei como se você me olhasse
e me vi como água, escorrendo desejante e desejada!

Se nada te pareço e nada consegue me definir
tudo bem passe e caminhe adiante, mas escute dentro
estarei a te perturbar agora, amanhã e como sempre
por aí a fora ... naquele, lembra? ... Antes!!!!

- Kátia Golau Cariad -