segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A História Do Zéca

Conhecia o Zeca sim sinhor
Nóis morava num barraquinho
Bem perto da praia seu doutor
Aquele era um irmão pra mim
Desde pequeno foi sozinho

Tinha um olhar daqueles
perdido
Então dei-lhe um lugarzinho
Podia ser doido o amigo meu
Não não, ele não era bandido
Era meio estranho, isso ele era
E também não tinha nada de seu

O Zeca andava sempre contente
As vezes eu ficava inté bravo
Por que diabo te ri vivente?
Ele respondia logo num repente,
Olha que dia mais bonito parente!

Uma vez, o Zeca saiu de noite
Pra voltar só de manhãzinha
Um sorriso mais grande ainda
Onde tu durmiu homem?

Conheci uma mulher,
uma flor, igual beleza
Nunca tinha visto
uma lindeza
E seu nome é...
Ai ela não disse

Agora toda terça o Zeca saia
Pra voltar só no outro dia
Com um sorriso abobalhado
Eu tava preocupado com aquilo
Ele podia ser morto, roubado,
mas que nada
O sujeito tava mesmo apaixonado

Num dia destes o Zeca não voltou
Era tardinha de quarta
e alguém avisou
Corre cá, que teu amigo passou mal
 desmaiou
Levei logo ao hospital

Morreu o pobre Zeca, não se aguentou
Ficava pensando que houve com a moça
A tal,
por quem Zeca se enfeitiçou

Depois do enterro dele, chegou a terça
Deu-me uma coisa na cabeça
Fui até o cemitério aquela noite
Eu sabia que era bobagem
Mas vi ali diante da sepultura a mulher
uma beldade

Ela também me viu e não me disse nada
Com os olhos marejados deixou cair uma flor
E se foi
Então era tudo verdade

O Zeca tinha mesmo um amor
O senhor me desculpe
Não sei dizer direito muita coisa
As vezes fico matutando...

Como pessoas que tem sorte
Podem muito e compram tudo
Sem nada ganhar
O Zeca não tinha nada nesta vida
Mas ganhou um tesouro assim
Sem querer, sem pedir ou comprar.

Guerreira Xue/Hilda Milk