domingo, 17 de julho de 2016

Amor de Além Mar continuação de Era Uma Vez no México

Ao entrar em casa, Lindolfo é recebido com festa pelo cão tic-tac, que só sossega depois de ganhar sua ração diária.
Ambos tinham uma vida em comum bem rotineira que começava cedo com uma caminhada matutina pela praia, uma parada para no café do Manuel, para o desjejum e passar os olhos pelas notícias do mundo, ir até a quitanda escolher algumas frutas e saladas para o almoço, e finalmente tornar ao Lar.
Depois do almoço tic-tac se recolhe a sua cama que fica na biblioteca onde seu dono assiste TV, ou Le um livro, ou escuta música. Lindolfo está inquieto hoje, dormira pouco, não conseguira conciliar no sono, tivera pesadelos. Mas preferia não dormir de dia, pois de noite poderia incorrer a insônia novamente.
Na busca de um livro para distrair-se, cai-lhe nas mãos um autor mexicano “Libertad bajo palabra” de Octávio Paz. A dedicatória estampada na folha de rosto faz seu coração flutuar.
“Para ti, Lindolfo meu amor, uma lembrança de nosso primeiro encontro, e quando pensares que esqueceu, o que um dia sentimos um pelo outro, leia o nosso poema, na página 49”. Ao folhear até a dita, as lembranças afloram como se ele estivesse vivendo tudo novamente.

TUS OJOS
Tus ojos son la patria del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento, mar sin olas,
pájaros presos, doradas fieras adormecidas,
topacios impíos como la verdad,
otoño en un claro del bosque en donde la luz canta en el hombro
de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta,
espejos de este mundo, puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea,
páramo.

_ Madalena. - Ao pronunciar o nome dela em voz alta, a garganta falhou e os olhos transbordaram.
Lindolfo acalmou-se e leu o livro inteiro, coisa que nunca havia feito antes.  “A única lembrança dela”.  Na última página, porém tinha um texto escrito de Madalena. Onde dizia seu nome completo, como o nome de seus pais e seu endereço na Itália. “para o caso de resolveres, um dia, me visitar”.
Ele também se lembrou dela, Madalena, dizer que sua família produzia vinhos um dos melhores vinhos da região tinha gerações, portanto seria muito fácil encontra-la. Era só querer.
 Lindolfo era divorciado agora, tinha os filhos casados e netos. Estava sem esposa já tinha mais de cinco anos. Ficou a pensar...  Na possibilidade de reencontrar Madalena.
Levantou-se para esticar as pernas, guardou o livro e ligou para uma agencia de viagens pedindo informações. Ao desligar estava decidido, ia encontrar Madalena na Itália. A passagem estava marcada e agora não tinha mais volta ou arrependimento. “E se eu não acha-la? Deixe de ser covarde homem”!
Embalado pelas expectativas, Lindolfo deitou-se, e dormiu sorrindo.
Talvez o passado e o presente encontrem-se, talvez seja ilusão. Só se sabe se viver.

Guerreira Xue