terça-feira, 2 de maio de 2017

RETRATOS DA VIDA

Em boa parte da vida, não conseguimos entender o nosso verdadeiro propósito nela. Há quem diga que somos passageiros, outros já afirmam que temos uma missão na terra.

Nasci numa boa família que morava no interior e tínhamos o suficiente para comer, vestir, e calçar.
Eramos cinco e parecia tudo bem até que... Quando ainda eramos crianças a mamãe foi embora de casa, e ela talvez não soubesse mas levou um pedaço da nossa vida com ela.
O papai que não era bobo nem nada arrumou-se logo com outra moça, afinal como ia dar conta de cuidar tantos filhos e trabalhar.  O que não sabíamos era que ele já tinha outra família e o que fez  foi só  traze-la e juntar os rebentos todos numa casa só.
A partir disso ficamos com tantos traumas, que esquecemos de ser crianças, marcados pelo abandono de uma mãe e o desleixo de um pai que permitia que a maluca da nova esposa nos espancasse até ficarmos em carne viva.
Não raras vezes me perguntava muitas coisas e nunca encontrei qualquer resposta convincente, para certos comportamentos de ódio. A raiva era sentida de tal maneira que parecia respirar sobre nossas cabeças.
Meu pai morreu logo, e foi um alivio ver aquela madrasta sair de nossas vidas, e a única pena que eu tinha é de ver que os filhos legítimos dela não teriam essa sorte. E tivemos todos que nos separar, porque o avô materno não teria como nos sustentar. Fomos cada um para um canto qualquer, onde alguém generoso estava disposto a nos adotar.
Acho que os meus irmãos nunca superaram a infância triste, pois eram homens feitos e ainda choravam ao relembrar.
Era uma época diferente e uma "separada" era desconsiderada pela sociedade local. Mas mamãe estava bem, ela estava sempre bem. Na verdade eram seus filhos que sentiam-se humilhados e discriminados pela vizinhança.
Quando voltamos a rever mamãe novamente, conhecemos mais dois irmãos e o marido novo.
Quanto a mim! Fui revoltado também, e chorava muito, pois me sentia uma pária na família, sentia raiva de minha mãe por nos abandonar, raiva do meu pai por morrer, e da madrasta por nos maltratar.
Demorei a compreender, mas cheguei a conclusão que tanto faz, como tanto fez, por isso não choro mais por causa da infância.
Somos passageiros então, e mesmo que, alguém ou ninguém, se importem conosco ainda temos uma vida para passar. Da tal missão ainda não entendi, talvez seja o fato de que ao morrer viramos todos adubo para fertilizar a terra,


Guerreira Xue