quinta-feira, 27 de julho de 2017

A DANÇA DA VIDA

Lembra de quando nos conhecemos, dizia a mulher embevecida, foi premeditado ou por acaso?
 O homem olhava para o teto; claro que lembro e mesmo que não lembrasse, você daria um jeito de me refrescar a memória. E ambos riram ...
E quando foi que ficamos tão bons companheiros? Deve ter sido quando você teve aquele câncer e teve que remover seu seio, ou quando tive aquele acidente vascular que levei mais de seis meses para recuperar meus movimentos plenos. 
Mas quase divorciamos, lembra? Se lembro, fiquei doido quando você me disse que não queria mais ficar casada comigo.  Pois, mas você estava tendo um caso com a sua secretária, e não me queria mais, então não havia razão para continuarmos. Sim e eu te contei na época queria experimentar e te deixei livre para isso também. E eu experimentei mesmo e nunca entendi se o fiz por vingança ou curiosidade... Sua franqueza comigo me deixou sem ação, pois se você tivesse encoberto eu ia me sentir enganada e ia mesmo te abandonar, mas você veio me contar e deixou-me livre para decidir. 
A maioria das mulheres apaixonadas tem uma visão da vida a dois muito surreal e quando cai no real puro e duro é um exercício mais complicado, e isso só prova que não sabemos nada, até vivermos nosso quinhão.
Natural querida, pois são duas pessoas que passam a dividir tudo, e muitos desses nem se conhecem direito. Não pense que os homens também não tem seu pré conceito disso também, e quando tem os pais ainda pensam; comigo e minha esposa será diferente, seremos muito mais felizes.
Mesmo estando juntos a tantas décadas ainda temos nossas diferenças; se temos, mas temos também um consenso, nos amamos e queremos estar juntos, como agora. 
A mulher levanta nua, põe uma música suave a tocar e o convida a dançar.

Guerreira Xue

     Pintura - A dança da vida, de Edvard Munch