segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Sonhadora Part2

A mãe, que tinha escutado tudo da varanda, lembrou-se sorrindo de seu próprio passado.
A Vivinha e Zézito cresceram, e tudo mudou rápido como uma ventania.
É quando a vida empurra e não adiantar lutar, pois há que ser vivida. Eles ainda tinham tempo, foi o que disseram um ao outro, quando se despediram aos prantos, e cada um foi para seu lado.
Por vezes Vivinha pensava em Zézito e doía-lhe a saudade, falavam-se todos os dias por email. Sabiam ambos que não podiam fazer nada, eram adolescentes ainda. Haveriam de esperar um pouco mais, crescer, estudar.

Meses depois Vivinha conheceu Pedro que se tornou o seu amigo mais fiel e porque  estavam sempre juntos, foi inevitável o sentimento. 
 O Zézito arrumou uma namorada também, a maluca que vivia no mundo dos cálculos, e segundo ela, “tudo é matematicamente possível”, e que lhe arrancava gargalhadas nas horas mais difíceis. Mas o coração, ainda era de Vivinha, ele admitia. Então ficava calmo e tentava relaxar.

“Ela namora outro.”, então Zézito achou melhor se distanciar.
Tudo afinal era normal e sem graça agora, com dias iguais e sem nada especial para fazer, o jeito era contentar-se e seguir adiante.

"Como estará Vivinha agora"?

 O Zézito e Vivinha continuaram com sua trajetória pessoal, e cada um com suas aventuras e desventuras.   Ele prestou o ENEM e ganhou uma bolsa de estudos para Biologia. Foi para o Amazonas fazer suas pesquisas, onde viveu por sete anos. Casou-se com a doida dos cálculos e tiveram uma filha.  E a vida foi seguindo o seu curso como as águas de rio que ao descer deixam para trás paisagens e vagas lembranças. E as estações mudavam...
“Ainda bem que somos gente, porque esquecer seria triste”.

A Vivinha se formou em direito civil, casou-se, teve filhos e se disser que ela esqueceu o amigo de infância, é mentira. Porque às vezes, ela volta para casa dos pais e ao ouvir o barulho dos pássaros é impossível não sonhar.
Talvez no campo das escolhas, optar por estarem juntos seria mais difícil, pensavam ambos.
“E se tivessemos tentado”? Vai saber?

Entre alegrias grandes e pequenas, perdas e ganhos, ambos tinham separadamente um cotidiano tomado por ações e responsabilidades.  E viver tem destas coisas, e se nem tudo se concretiza, o que se realiza tem gosto de felicidade.
Vivian e Zezito sabem que por mais que a distancia seja grande, jamais esquecerão um do outro, e buscarão da vida sempre um pouco mais.  Por quê?

Simples, porque tudo só acaba quando termina.

Guerreira Xue/Hilda Milk
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