terça-feira, 21 de março de 2017

AS DIVORCIADAS1

Nas questões de divórcio sempre há uma forte justificativa, porque do contrário o divórcio não aconteceria. Na maioria das vezes o amor já foi para o buraco faz tempo e o casal ainda tenta manter uma certa estabilidade, porque vai saber... Isso de repente pode melhorar. Ou piorar

O fantasma da separação atormenta pela razão que o casamento acontece para constituir uma família sólida, onde um pode sempre contar com o outro...Na alegria e na tristeza, até que...

Esta, vem a propósito de restaurantes e divórcio.

Izabela M 

Eu sou a protagonista e sinceramente não acho que seja um episódio que me favoreça, mesmo assim, se desse para voltar atrás faria tudo igual.

Deixei o marido pois com ele estava no inferno e entretanto também deixei o emprego, que por sinal gostava muito. Foram uns bons anos como telefonista recepcionista num hotel, mas com o horário das 16h à meia noite andava em contra-mão com a minha filhota de 5 aninhos. Precisava de estar mais tempo com ela e para isso tinha que ter outro horário.

Deixei o hotel, sem saber para onde iria trabalhar. Passados 15 dias surgiu um convite para ir trabalhar para um café/restaurante que era novo na zona. Um espaço enorme, com várias salas e uma grande esplanada.
Que loucura! Eu nunca tinha trabalhado num café e aquele estava sempre a abarrotar de gente, por ser novidade. Mas correu tudo bem, pois o nosso contrato foi apenas enquanto eu não arranjava outro emprego e assim ajudava na época alta, pois era verão.
Bom, fiquei então no balcão do café, com as mesas e esplanada.

Foi em setembro e estava um calor de rachar. Ele apareceu na esplanada, com um amigo que por acaso eu também conhecia. E lá estava ele sentado, com aquele ar fanfarrão, como se estivesse na própria casa sentado no sofá. Era o meu ex-marido e na altura o divórcio ainda decorria em litígio. E o que fazia ali aquela alma?! Escondi-me atrás do balcão do café e toda a gente, incluindo os patrões o queriam ir atender. Toda a gente menos eu!
Isto porque toda a gente nos conhecia.
Levantei-me, pego na bandeja (esta poderia ser-me útil), e lá vou eu. Não sou de fugir!
Caramba! Toda a gente olhava de lado para não perderem a cena. E lá dentro do café, nem precisavam olhar de lado, pois era como se estivessem no camarote.
Bolas este tipo podia poupar-me desta cena desagradável e ainda por cima o tempo parecia que tinha parado. Tudo andava em câmera lenta.
-Boa tarde! E o que vai ser?- pergunto eu.
-Duas imperiais, responde o amigo.
Bem, até aqui correu tudo bem e lá vou eu buscar as ditas imperiais, que são nada mais que cerveja, servida habitualmente em copos altos e finos.
Para o amigo, servi a tal imperial bem fresca. Para o ex, foi num copo igual, mas que estava em cima da máquina do café. Ora o copo, estava bem quente!
O amigo bebeu. O dito até tocou o copo, mas deixou ficar e não bebeu.
Isto não foi nada de mais. Ele tinha merecido ser um daqueles que morre envenenado. Credo e eu estragava a minha vida.

Quando pensamos que acabou, a vida traz outras possibilidades.
Guerreira Xue