SEGREDOS
O mundo gira tantas e tantas vezes e, por mais esperto que um sujeito seja nem sempre ele vai cair de pé. Essa afirmação é baseada na vivência que se tem de uma sociedade que vive repetindo e repetindo. Deixemos isso por conta da falta de mémória.
Algumas pessoas criam seus filhos dentro de um padrão de moral tão rígido quando nem elas cumprirão essa rigidez eternamente. É quando a situação entre pais e filhos termina por se inverter.
O fato é que, nem sempre a verdade é completa, a moral justificada, ou a justiça é cega.
Não há grande sabedoria em julgar o que é certo ou errado até que, a experiência tenha sido pessoal e mesmo assim, cada tem uma reação diante de uma determinada situação, e esta ainda será de acordo com a própria conveniência.
Dentro de uma família tudo se escuta, se fala, e se aplica regiamente em público.
Serafim é um sujeito empresário de relativo sucesso. Nasceu lá no interior do interior do nordeste. Veio para são paulo, com os pais e os irmãos, ainda menino. Lutou e trabalhou muito como tantos nordestinos na grande metrópole. A capital paulista não é ruim, mas, também não é generosa com todos. Entretanto, Serafim teve sorte e atualmente tem uma vida de rico.
Era pobre quando se juntou com Veruska. Ela estava separada na época e tinha duas filhas pequenas. Pois bem, juntos prosperaram financeiramente. Serafim adotou as filhas de Veruska e ainda tiveram uma terceira filha juntos. Algumas normas eram observadas entre o casal; o primeiro casamento de Veruska não devia ser mencionado nunca, era um tabu. As filhas o chamavam de pai e ponto. As proibições eram tantas que, as filhas só faziam o que queriam às escondidas. O novo pai ditava as ordens e as mulheres seguiam a risca, do contrário a vida podia virar um inferno.
Ambos tinham uma vida social bastante intensa, viajavam com frequência pelo mundo, tinham muitos amigos e elevado status.
Quando acontecia um divórcio no rol de amigos do casal e o ex marido logo aparecia com uma namorada mais jovem, era motivo de chacota de Serafim que ria muito pelas costas; o sujeito velho esta comprando uma novinha para passar ridículo com os amigos! Enfim ambos ficaram casados por quase 30 anos até que, Veruska cansou de ser a esposa modelo. Explodiu o grande escândalo em casa, ela tinha um caso com um dos amigo que frequentava a casa deles e também era casado. As filhas ficaram chocadas e, com pena do "pobre" pai que só trabalhava cuidando que não faltasse nada para todas. Assim sendo por algum tempo abandonaram a mãe completamente.
Ao pensar nisso me lembrei do meu próprio divórcio, as filhas sempre têm peninha dos pais, por que será? As mães são sempre as reais culpadas. Por algum tempo foi isso e o divorcio não saiu logo, pois havia muito patrimônio a ser levado em conta. Serafim até queria voltar para a esposa infiel, afinal ele era bonzinho e perdoava tudo. Como os ricos são cuidadosos com isso de partilhas, demorou muito a separação legal de ambos.
Veruska ainda continuou com o amante depois de tudo porque passaram, estava apaixonada ou carente mesmo. O tal ainda estava casado e assim continuou, pois tinha os filhos adolescentes e patrimônio e responsabilidades para com o casamento até que, aconteceu o Covid e a esposa dele veio a óbito. Uma desgraça, morreu como santa, uma vitima que nem tempo de se vingar teve, coitada. É difícil a situação de Veruska perante a família do amante, agora promovido a namorado, pois os filhos dele não a suportam. As filhas dela já a "perdoaram" mas, ignoram ou fingem que não sabem, que ela ainda está com o responsável pela destruição do lar doce lar.
Faz algum tempo e o papai queria apresentar a nova namorada para as filhas; combinou um almoço num lugar público claro. E lá estavam elas olhando para a nova namorada de Serafim; da idade da filha do meio dele.
Resumindo; as filhas agora têm vergonha do pai por estar com a garota que tem idade da filha. Não aceitam a presença dela na família. E Serafim, o pobre coitado, só tem provado dos próprios preconceitos ultimamente.
O que nos leva a; nem sempre a verdade é completa, a moral justificada, ou a justiça é cega.
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