sexta-feira, 17 de maio de 2013

A MENDIGA

Sentada na calçada.
Olhando para o nada
Lembro-me da vida passada
Uma vez  há muito tempo,
Eu fui  bela, rica e abastada

Eu que um dia tive um lar
Hoje eu moro na rua
Sou  uma desabrigada.
Sem amor, nem casa e nua
E não tenho para onde voltar

Eu que já fui um dia  amada
Mas virei coisa.
meio viva meio morta
Sou violentada.
Cometi alguns erros
 e fui condenada.

A minha vida que era colorida e quente
Agora é cinza, dura
e gelada
E nem sequer, me consideram gente

Morei uma vez numa mansão
Durmo agora em papelão
E eu que tinha tudo à mão.
Estou aqui neste chão
Esmolando todos os dias
por um pedaço de pão

Quando lembro que fui uma vez
Pergunto-me  por qualquer razão
Qual das duas eu sou?
Se fui mesmo querida
Porque não fui absolvida
 Não obtive o perdão?

Se um dia realmente fui amada,
Porque moro aqui
na calçada?
E de tudo que nessa distante vida se passou,
Só uma vaga lembrança ficou.

Mas lembro-me que era tudo meu,
Porque hoje não tenho mais nada?
Um dia fui muito linda
Fui feliz e fui amada
Hoje sou triste,
Sou feia e ignorada...
Hoje sou uma drogada.

Guerreira Xue/Hilda Milk
                                          Imagem Net