A SONORIDADE DO VENTO - ISAAC RIBEIRO

Quando me confrontei no espelho
Um clarão sombrio desnudou as paredes do meu quarto
Tentei rapidamente fugir de mim
E não me enlouquecer.
Antes mesmo que isso de desse
Percebi que a vida
Não havia me deixado só
Logo ali
A minha espreita
Havia pessoas
Almas
E mundos tão cheios de regras
Assim, como Eu,
Estavam todos perdidos.
Insanos mesmo!
Mas isso
Ainda não era tudo...
Quando sai em fuga pelas ruas
Elas estavam empilhadas de gente.
Todas perturbadas!
Não sabiam para onde ir
Ou pior
Não sabiam nem mesmo o sentido de existir.
Mas elas
Assim como Eu
Continuavam sendo gente
Humanos ou Não.
O que mais me incomodava
Não era ver a desumanidade das pessoas
E das ruas
Mas a liberdade do vento!
Ele era livre.
Tão livre!
Que eu até sonhei caminhar com ele.
Mas ele era prudente
E não perdia seu tempo.
Com os perdidos como Eu. 


                                                página 144 do Livro A FUGA DO TEMPO.

Comentários

Postagens mais visitadas