segunda-feira, 30 de setembro de 2013

RUAS DA VIDA

                                                       
Neste lugar, não  muito longe daqui
Mora o medo, a miséria e a fome
E no êxtase da droga
São pessoas que nunca vi
Levando uma vida sem nome
E são homens e são mulheres
São filhas que não parí
São crianças e adultos
Brancos, pardos e negros.
Reduzidos em vultos
Angustia, revolta e tristeza
Descreve um pouco do muito
que cá dentro, senti
Sem identidade
Pobres e ricos misturados
Estes povoando uma cidade
Residentes da rua do crack
Estão escravos, dependentes
E são viciados e jogadores
Prostitutas. e carcereiros
Prisioneiros, e traficantes

Vivendo daquela ânsia voraz
Prostrados ali, debaixo da lua
Queria eu, fechar os olhos
ignorar,
é o que a maioria faz
Sentimentos fortes me assolam
Desalento, raiva e solidão.
Passo eu, por todos
Mas eles não passam de mim.
Levo junto na lembrança
Esta imagem real e crua
São pessoas que se perdem
por tantas andanças
E jamais se encontram
nos desesperos da rua
E no silencio esfumaçado
e frenético
Eles juntam-se todos os dias
Numa grande massa disforme
No espaço hermético
E entre procura e solidão
E vão arrastando-se pelas ruas
Numa interminável maldição.
Guerreira Xue

                             Imagem da Net