sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A PROCURA DO MISTER BOM PAR


  É difícil viver em expectativas de outros o tempo todo, e a  vida que não espera quando nós mesmo estamos mal resolvidos. E como saber, quando estamos bem resolvidos e que a atitude que tomamos, foi a mais pensada, e acertada? Embora estejamos sempre, a procura de qualquer coisa que traga algum significado.
Amor, amor e amor, o que é isso mesmo, quando as responsabilidades sufocam, e o financeiro fala mais alto e tudo acontece exatamente num momento de crise existencial?
Um dia o amor redimi-nos de nossas imperfeições, que beleza! Já no outro dia o amor mata e morre, as vezes ao descaso ou, ao excesso, que tristeza!
Não procure o que não tem, pois chega sempre o dia que as diferenças incomodam... E se procurar o que já tem, ainda corres o risco do tédio permanente, seria talvez como se olhar para o espelho, enjoa-se logo da mesmice.
Francisca já teve muitos namorados, e já foi apaixonada, e foi amada e amou sozinha e acompanhada. E agora ela não queria nada...
Justamente na hora, que a vida deu-lhe uma virada. Aquele sujeito fazia seu coração balançar com força. Era difícil para Francisca, controlar aquela vontade de se "jogar."
Sem saber como agir, ela optou pela saida mais estratégica, resolveu fugir.
-Pare com isso. Não quero te namorar e não vou me apaixonar.
-Tudo bem. respondia ele. Mas "ele" não desistia de tentar.
Francisca foi viajar e esperava distrair, não pensar. Neste mundo, há um mundo de coisas e ela ia se divertir.
E a sua mãe dizia: - Minha filha voce precisa se casar. Construir um lar. Isso faz parte de viver. Ter seus filhos e ve-los crescer.
E francisca pensava. "Como isso pode ser, se ninguém..."
-Deixe disso mamãe, acha que todos são iguais a voce? Eu não saberia enfrentar a vida com um homem que só sabe fazer filhos e depois, ir e vir todos os dias do trabalho como se isso fosse um "fardo"a pesar-lhe as costas. Isso é triste e castrante. O compromisso faz as algumas pessoas ressentidas.
A mãe ficava quieta, pois sabia bem do que a filha falava. Seu marido era um bom homem, ótimo pai, mas tinha uma postura deprimente. Quantas vezes ela quis "gritar", dizer-lhe que não precisava se sentir tão infeliz por trabalhar, porque ela trabalhava também, e porque isso de trabalhar, era coisa que todo mundo fazia.
Será que todos os homens eram assim? Ela se perguntava. No fundo de sua consciência, ela achava que o seu marido a culpava por ter-lhe dado filhos.
E Francisca continuava:
-Me diga mamãe, quando foi a ultima vez que voce e papai, só os dois, saíram?  Quando, conversam sobre "banalidades, estas pequenas coisas que fazem as pessoas cúmplices rirem?
Ao perceber a mãe entristecendo-se Francisca se retrata logo.
-Me desculpe por favor. Não quero magoa-la, não mais do que a vida já o fez. Voce é uma mãe maravilhosa e eu te amo muito. Disse a filha.
-Sei o quanto voces dois, voce e papai, abriram mão para nos dar afeto, conforto e segurança.  Agora que crescemos, quero que voces sejam felizes. Façam escolhas, por si próprios e não mais pelo bem dos filhos.
A mãe sabe que isso é verdade, mas também é verdade que foi escolhas que fizeram por amor...Foi maravilhoso poder fazer pelos filhos aquilo que ela própria, não teve. Casara-se apaixonada pelo marido, e  não demorou muito para cair "das nuvens". Tantas coisas aconteceram...
Francisca por sua parte, ama os pais, e percebe que a mãe está em desvantagem agora, pois o pai sempre trabalhou fora e ela sempre trabalhou fora, e em casa cuidando dos filhos e da casa. Ela sabia que o pai tinha namoradas na rua, e desconfiava que a mãe também sabia. Claro que sabia! Não era possível uma mulher não saber, que seu homem se diverte com alguém, uma vez que este não se diverte com ela.
Amor, abnegação, costume, por causa dos filhos, do dinheiro, vai saber? Com o passar dos tempos as razões vão mudando...
Como Francisca diria para a mãe que, o que ela deveria fazer era ir viver a própria vida, pois papai parecia se sentir melhor na rua, do que em casa. Há muito tempo que ela andava sozinha, fazendo dos filhos a sua arte de bem viver.
-Vamos viajar juntas, que acha? Você sempre quis conhecer o fim do mundo.
A mãe sorri diante da proposta.
-Seria maravilhoso filha!  Me desculpe também minha querida. É que preocupo-me de ve-la sozinha, e te vejo sempre trabalhando e voce é tão alegre e divertida. Quero que sejas feliz, e nem quero que tenhas a vida que eu tive, pois cada um é cada um.
-Não estou sozinha, ou melhor estou, sozinha por querer estar. Gosto assim, e te prometo que vou ser mãe também, um dia. E será com alguém que queria dividir isso de verdade, sem peso ou resignação. E se por acaso, não conseguir o "mister bom par", parto para uma produção independente.
Francisca é uma mulher moderna e determinada.Sabe o que quer, só não sabe com quem quer.
O mundo mudou e as mulheres tem agora, mais oportunidades de escolha. E por causa disso, elas mudam também.
Na opinião pessoal dela , as diferenças são incríveis, e com o tempo tendem a aproximarrem-se
Mãe e filha se compreendiam e aprendiam uma com a outra, duas gerações seguindo seu rumo e escrevendo sua história.

Francisca por vezes pensava naquele rapaz... Não seria agora, pois precisava de mais tempo para pensar, deixar o calor da hora esfriar. Nada melhor que o Fim do mundo para isso.
E ambas visitaram a Terra do fogo, cada uma com seus pensamentos, e cada uma vivendo seus momentos, juntas.
Guerreira Xue

 Imagem Net  "Ushuaia"