domingo, 4 de novembro de 2012

Caminhada...Conto Partilhado



É a primeira vez que me sucede ser convidada para escrever a sério, sem palavras brejeiras...não quero valorizar o facto...ao aceitar escrever estas linhas apenas pretendo honrar um gesto de amizade...o quanto gosto dos meus amigos...e a caminhada que tenho pela frente para lhes mostrar gratidão e dizer-lhes olhos nos olhos o quanto os adoro. não podia deixar de escrever estas singulares linhas a um Homem que conheci e que, passadas que foram 48 horas sentia a certeza de já o haver conhecido há muitos anos. fiquei mais rica, ganhei um amigo...

Já o conhecia do jardim. Tal como eu, com a idade eles vêm sempre ao mesmo sítio. O meu amigo não sei idade tem, mas é parecido comigo : cinzento, a caminhar para o branco, já pouco preto....Vejo-o no jardim ao meio-dia, depois da missa. Falo um pouco com ele, e sei ele anda de olho numa pombinha que é um mimo!Depois do almoço na instituição volto para uma partida de xadrez com o sr.Alberto, o antigo farmacêutico...
Amanhã de manhã, se Deus quiser, lá estarei com o meu amigo no jardim...vou dar-lhe o melhor milho que houver, ele é engraçado. Até amanhã, Enfermeira Maria.

Acontece ás vezes eu ser interrompida nos meus pensamentos literários...o mundo virtual tem destas coisas...mas vou acompanhar o João na evocação da memória camiliana - Camilo adorava pombinhas brancas. Por proximidade e por acréscimo, atrevo-me a alargar a minha intervenção escrita a quem gosta da boémia salutar...a quem tem o sentido de humor mais requintado do jardim. Sim, a casa apalaçada dele, cheia de livros, tem um grande jardim onde ele costuma sentar-se a ler...muito provavelmente já leu a Bíblia Sagrada. A este nível apenas posso reivindicar a partilha de um apelido comum - Romântico -. Fica-me pois, nesta relação de amizade com o amigo romântico e não cinzento, a enorme admiração pela escrita, a sintonia com o seu olhar sobre o mundo e o respeito pelas mulheres. Não vou estar com ele no Natal, na missa do galo...mas mto provavelmente no fim do ano lá estarei com o meu amigo no jardim.

O Tâmega corre manso, por enquanto, as águas estão turvas mas dá para ver os peixes a fazer longas correrias como que brincando às escondidas, ou dando largas às cerimonias nupciais.
Já não há barqueiras na travessia do rio, as poldras estão cobertas de musgo, só as pontes se continuam a olhar numa troca permanente de sonhos e realidades.
A última caminhada que dei, foi precisamente hoje, na hora de almoço, para visitar e apreciar as as lojas decoradas de fantasias. É Natal !


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Este Maria De Fatima teve participação especial de João M.B.Nobre.:-)